Projeto Marco ZERO

terça-feira, 8 de maio de 2012

Algo sagrado

Ele pega a caixa de cima do armário, coloca a caixa no chão, em frente a cadeira, e senta. A penumbra em que se encontra o quarto deixa tudo cinza.


Ele abre a caixa, porém não consegue enxergar o fundo dela, mas ele continua olhando, desejando o que está lá dentro.

Sua cabeça cheia de pensamentos vai se acalmando, a escuridão do interior da caixa o toma lentamente, como uma névoa fria e úmida.

Ah! Esta sensação de solidão, tão agradável, como se o mundo não existisse, tudo havia sumido, e o ultimo pensamento que tinha era "Richard considerava sua solidão algo sagrado." (aqui).

Tantas horas no dia seguindo o script as vezes o fazia perder a noção do real e do imaginário, quase acreditava que existia um mundo com pessoas e coisas a fazer, quase acreditava que tinha um emprego, que tinha amigos e família. Mas quando acordava estava ele lá, na completa escuridão, sozinho, em um mundo onde nada existia a não ser seus pensamentos em um eterno lusco-fusco.

Ele gostava de existir, sua existência era confortável, calma e agradável. Na maior parte do tempo: azul.

Era quando as coisas ficavam mais ou menos alaranjadas que acontecia o amanhecer, sentia necessidade de multiplicar sua existência, simplesmente existir parecia meio vazio, ele implodia para fora, entrando ao sair de si mesmo várias e várias vezes, tantas quantas fossem necessárias, milhares, bilhares de vezes, até que existia tantas vezes que um universo totalmente novo surgia, clareava em um esverdeado quase ofuscante.

É tanto tempo vivendo consigo mesmo que esqueceu quem era, e deixou de se reconhecer nos outros rostos, era um estranho para si mesmo, 6 bilhões de estranhos sendo parte da mesma essência sem se conhecerem mais.

Mas agora chega, todas as consciências devem voltar à origem para dentro da caixa, para fora da imaginação, ser uma só, apenas existindo, e nada mais.