Projeto Marco ZERO

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O fim da caminhada

"Isso é loucura!"

Pensei comigo mesmo, naquele momento outra ficha havia caído, eu sentia o sol, as ondas. Logo a frente eu via um atol, e mais ao sul um píer, lembrei então como píers me faziam lembrar a infância. Não que houvesse passado a infância perto do mar, mas acho que na maioria das minhas fantasias haviam píers. Em minha mente eles eram locais mágicos como portais para qualquer lugar que se quisesse chegar. Assim comecei a caminhada até ele.

Enquanto caminhava estranhava o fim da tarde, eu estava por ali há mais ou menos 2 horas e ainda era fim de tarde. Será que era isso o paraíso, um infinito fim de tarde? Apenas bobagens. Mas também o píer que parecia tão perto estava cada vez mais distante, e nós também não somos assim?

Nós parecemos sempre tão perto uns dos outros, estamos dizendo sempre estar por perto, mas quando chegam perto de nós aí ficamos distantes, quase inatingíveis, temos medo, temos receio, não queremos nos envolver.

"Nada te faltarás." E realmente esta frase fez sentido, neste momento não preciso de nada mais. Bem, talvez eu precisasse chegar ao píer. Continuei a caminhar, tudo vinha à minha mente, e finalmente a noite chegou, mas o fim da caminhada não. Por sete noites e sete dias eu caminhei. Não sentia fome, não sentia sono, não sentia nada a não ser a vontade de caminhar, mas o destino nunca que chegava, estava sempre a mesma distância.

Parei e comecei a refletir "algo está errado". E realmente estava, estava cometendo o mesmo erro que algumas vezes havia cometido, fazendo a mesma coisa esperando resultados diferentes, há dias eu andava esperando o pier chegar, mas ele não chegaria, não enquanto eu caminhasse. Parei, fechei os olhos e respirei fundo, respirei fundo por algumas horas, talvez dias, talvez anos. De repente eu não estava mais pisando em areia, e sim em um chão duro, era o pier. A espera fez com que a montanha viesse a Maomé. Agora a história fez sentido.

Minha jornada então havia acabado, as duas ultimas lições a serem aprendidas: não repetir o mesmo erro e esperar pois nem tudo vem a você na hora que você quer.

Caminhei até um barco que havia na ponta do pier.

Barqueiro: Você demorou.
Eu: Eu acho que não.
Barqueiro: Bem, ok, ainda temos tempo, para onde você vai?
Eu: Não tenho a menor ideia, achei que era você quem saberia.
Barqueiro: Vocês sempre complicam minha vida né? Trouxe as moedas?
Eu: Moedas?
Barqueiro: Ah esses tempos modernos, esquece, entre e vamos ver onde vamos parar.

Entrei no barco e o Barqueiro começou a se afastar do pier, se antes esta viagem não tinha voltar agora sim que ela estava indo para onde deveria ir, e eu estava ansioso para chegar.

Fim.

Se você não leu o conto anterior a este entre no link O dia em que morri .