Projeto Marco ZERO

domingo, 23 de setembro de 2012

The End!

É o fim, adiei este post o máximo que pude justamente por não saber o que escrever. Simplesmente não sabia como poderia expressar o fim.

Acho que dos meus projetos online este foi o que teve maior sucesso, escrevi o que quis, do jeito que quis, convidei pessoas para escrever aqui, sempre pessoas muito especiais. Tive certa audiência, insignificante perto de blogs conhecidos, mas foi bom.

A justificativa? Conversando com minha irmã hoje, enquanto tomava um café e comia um cheesecake, ela falou para mim que o nome do blog "Quebrando as Regras" já não fazia mais o menor sentido. Hoje em dia eu sigo as regras, correspondo às expectativas, já não sou mais tão divergente assim. Será que estou ficando velho?

E ela tem razão, mesmo o endereço do blog, "Blah No More", já está meio decaído, as vezes até o blah estou aceitando, não porque gosto, não porque sou cômodo, mas porque é o que tem pra hoje.

Então a ideia se alterou, tudo que eu escrevi continuará aqui, o blog continuará aqui, sempre, ou enquanto o Google permitir, rs. Mas uma nova ideia se inicia, a ideia de começar de novo. A partir de agora você poderá seguir o blog Projeto Marco ZERO. As vezes precisamos começar tudo de novo para nos encontrarmos.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Coragem

Até onde ir?
O que fazer com o medo de ir para o lugar errado?
Por que tanto medo de que as coisas mudem?
Por que querer tanto que as coisas mudem?

Parece que deixar rolar nunca foi uma opção
A necessidade de controlar tudo e todos
Como um polvo esticando todos os braços
Para ter tudo a mão

Motivos para ficar onde está há de sobra
Razões para se mexer faltam
Mas e este incomodo que sente
As pernas inquietas

As vezes corre em círculos
Para não precisar correr para frente
Outras vezes dorme
Para não ver passar o tempo

Não sabe para onde ir
Mas deveria?
Um mundo desconhecido o aguarda
E isso o deixa aterrorizado

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Corra humano corra



Se houvesse apenas um caminho certo nesta vida
Um único caminho
Todos os outros provariam que você é humano

Choros, sorrisos, feridas
Seriam apenas reflexos no espelho
Desta corrida contra o tempo

Um grito rasgaria o véu da consciência
Quem sou eu?
Quem é você?

Não escute o que estou dizendo agora
Corra, corra, corra da verdade
Você ainda está no caminho errado

domingo, 15 de julho de 2012

Sete chaves



Tantos anos a procura
Finalmente com todas as chaves na mão
Já não há mais portas para abrir
As paredes no chão
Batentes em cinzas
De que valeu tudo isso?

Perdido, sem rumo
Já não existem mais caminhos
Mas andar é preciso
Com os pés arrastados
O frio contraindo os braços

Silêncio, apenas silêncio
As lágrimas brilham ao luar
O choro para dentro
Aprendeu sempre a ser forte
Homens não choram

Sete chaves
Sete histórias
Sete passados
Duas pessoas
Três destinos
Um não se realizou

domingo, 13 de maio de 2012

Falta um título

Texto gentilmente cedido pela minha amiga Luciana Ferragut.

Eu só queria que tudo isso acabasse. E não me pergunte o que é esse tudo isso, porque nem eu sei.

Eu só estou cansada disso. Mas eu não sei se isso é minha vida, se são as pessoas dela.  Ou se é a falta de tudo isso, falta da vida, falta de algo na vida, falta de uma pessoa na vida ou falta de algo nas pessoas da minha vida.

Sei lá, é muita coisa. Não estou reclamando do que eu tenho, só estou reclamando do que eu não tenho. Pode isso? Porquê na verdade, nem eu sei o que me falta, mas eu sei que falta. E é uma falta grande, já que nada consegue preencher. Me falaram que eu primeiro preciso saber o que falta, pra poder preencher. Mas como vou saber o que falta, se não conheço o que me falta, mas já sinto a falta.

Só sei que quando eu descobrir, vou ter vontade de acordar cedo. Faça chuva ou sol, não importa sem tem prova, se tem chefe, se meu nariz está escorrendo, se meu salário já acabou. Eu vou acordar e sorrir, porque não vai faltar mais nada.

E eu sei disso tudo, porque eu já acordei sorrindo, mas eu sei que não era aquilo que me faltava. Afinal, por causa disso eu também já acordei chorando, já tive vontade de nunca mais acordar.

E eu sei, que quando a coisa que falta chegar, ela não vai embora. Porque ela só existe pra me preencher e não me chamem de egoísta, porque eu sei que o que falta, sente a minha falta. Porque a dor aqui é surpreendente, impossível não ser lá também.

E quando tudo for preenchido, vai ser mágico. Mas tenho uma leve impressão que vai ser o ultimo dia que levantarei sorrindo, porque eu não precisarei de mais nada. E quando não se precisa de mais nada, dizem que sua missão acabou.

É, quando essa coisa chegar serei uma alma evoluída. Acordarei só mais uma vez pra sorrir. Parece triste agora, rápido demais. Mas eu vou ter essa coisa, e estarei feliz. Nada mais vai importar. Preenchida. Sorridente. E nada mais.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Algo sagrado

Ele pega a caixa de cima do armário, coloca a caixa no chão, em frente a cadeira, e senta. A penumbra em que se encontra o quarto deixa tudo cinza.


Ele abre a caixa, porém não consegue enxergar o fundo dela, mas ele continua olhando, desejando o que está lá dentro.

Sua cabeça cheia de pensamentos vai se acalmando, a escuridão do interior da caixa o toma lentamente, como uma névoa fria e úmida.

Ah! Esta sensação de solidão, tão agradável, como se o mundo não existisse, tudo havia sumido, e o ultimo pensamento que tinha era "Richard considerava sua solidão algo sagrado." (aqui).

Tantas horas no dia seguindo o script as vezes o fazia perder a noção do real e do imaginário, quase acreditava que existia um mundo com pessoas e coisas a fazer, quase acreditava que tinha um emprego, que tinha amigos e família. Mas quando acordava estava ele lá, na completa escuridão, sozinho, em um mundo onde nada existia a não ser seus pensamentos em um eterno lusco-fusco.

Ele gostava de existir, sua existência era confortável, calma e agradável. Na maior parte do tempo: azul.

Era quando as coisas ficavam mais ou menos alaranjadas que acontecia o amanhecer, sentia necessidade de multiplicar sua existência, simplesmente existir parecia meio vazio, ele implodia para fora, entrando ao sair de si mesmo várias e várias vezes, tantas quantas fossem necessárias, milhares, bilhares de vezes, até que existia tantas vezes que um universo totalmente novo surgia, clareava em um esverdeado quase ofuscante.

É tanto tempo vivendo consigo mesmo que esqueceu quem era, e deixou de se reconhecer nos outros rostos, era um estranho para si mesmo, 6 bilhões de estranhos sendo parte da mesma essência sem se conhecerem mais.

Mas agora chega, todas as consciências devem voltar à origem para dentro da caixa, para fora da imaginação, ser uma só, apenas existindo, e nada mais.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Uma curta estória sobre o falso verdadeiro amor

- O que é isso?

- Gasolina.

- Por que você trouxe gasolina?

- Ora, todos falam que é amor quando queima por dentro, só estou tentando acelerar o processo.

- Não acho que isso seja uma boa ideia.

- Vá por mim, olha só, todo mundo fala que o amor preenche, a gasolina irá preencher, é só tomar bastante. Falam que o amor de verdade queima dentro do peito, e eu trouxe fósforo...

- Espera, espera, espera, isso está ficando perigoso.

- Está nada, veja, depois falam que o amor mata, corrói. Bem, a gasolina que eu saiba corrói, e com certeza morreremos. É perfeito, amor é gasolina. Só que ninguém havia contado isso para nós.

- Eu ainda acho uma má ideia.

- Má ideia nada, tome, vamos...

[glub, glub, glub]

- Minha vez...

[glub, glub, glub, coff, coff]

- O gosto é horrível.

- É, mas não falam sobre o fel gosto do amor, está aí, amargo como gasolina. Agora eu acendo o fósforo e nos beijamos, assim iremos ter um final feliz com o ultimo beijo.

[KABUUUUUUUUUUUMMMMMM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!]

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Relatos de alguém num futuro próximo...

Este texto é apenas ficção, qualquer coincidência com a realidade é mera casualidade... ou não.

E neste multiverso em que vivemos estamos as margens de outros 4 planos, o plano da luz, o plano inferior, o plano glorioso, e o plano invisível. Nosso plano é o do aprendizado.

As almas já em tramite de deixar a existência que chamamos de universo para uma outra realidade, da qual não conseguimos conceber nem a ideia, ficam no plano de luz.

Já as almas que estão em um nível abaixo do aprendizado comum, que precisam de maior atenção, ficavam no plano inferior, é algo como o jardim de infância, só que com menos escrúpulos. Não considerem este plano como limbo, inferno ou algo do gênero, é um plano como todos os outros, e eles são assistidos e ensinados diretamente pelo anjos, seus instrutores.

No plano glorioso ficam os anjos, os únicos seres desta realidade que tem a capacidade consciente  de vagar entre os planos, e até entre as realidades.

No plano invisível ficam as almas que são avaliadas pelos anjos se deveriam voltar para o plano do aprendizado ou se já estão aptas a serem encaminhadas para o plano da luz. Eventualmente algumas são levadas de volta para o plano inferior pois não se adaptaram bem à rotina do plano do aprendizado. É neste plano onde ficam aqueles que nós consideramos mortos, mas que ainda estão com a ficha ativa no plano do aprendizado.

E no plano do aprendizado, nós. Aqui a maioria ganha o dom da ignorância quando são transportados para cá, para a partir do ZERO aprender, e aprender cada vez mais.

Para se ter uma ideia, estes universos ficam dentro de algo que você poderia imaginar como uma bolha, e um universo é diluído no outro, e esta é a nossa realidade.

Existem outras realidades, outras bolhas, flutuando onde está a nossa. Cada realidade, ou bolha, é concebida de um jeito diferente, com leis físicas e químicas diferentes. Algumas são mais evoluídas que a nossa, outras são menos evoluídas. E há ainda aquelas que são equivalentes. Porém nenhuma sequer é igual a outra.

Para você tentar entender melhor (ou eu me explicar melhor) a dimensão disso, estas bolhas estão mergulhadas no consciente de algo, uma estranha energia criadora e ciente de sua existência. Energia essa que é o fundamento de tudo que existe, ou pelo menos que ela criou. Além disso eu não saberia mais como explicar, nunca me foi passado nenhuma referência além a consciência energética da existência.

Você deve estar se perguntando "mas por que tudo isso agora?".

Bem, dentro de algumas horas esta realidade que conhecemos será reiniciada, ou algo do gênero. As almas humanas são a razão da existência desta realidade, pois visa o aprendizado e a evolução do conhecimento. Todos os outros seres vivos, fazem a manutenção e balanceiam os universos e a realidade em si, e os anjos são nossos guias, instrutores e coisas assim.

E eu acho que o problema foi realmente o equilíbrio. Quando esta realidade foi projetada pela consciência energética, ela imaginou que nossas almas iriam cada vez mais se igualar à energia do universo (multiverso ou bolha) e sairíamos para bolhas mais elevadas já numa pulsação aquém das expectativas comuns, seríamos a classe avançada, os superdotados.

Mas algo deu errado, e as almas dos seres humanos se enraizaram na bolha, assumindo ela como propriedade,  e com o tempo cada vez menos almas chegavam ao ponto de elevação. A bolha embora excelentemente projetada criava uma dependência, viciava. Logo mais almas chegavam e poucas saiam.

Foi então que cerca de 1500 ano a. C. os anjos e os representantes da realidade (você pode chamar esses representantes de outros seres vivos ou gaia) se reuniram para para tomar uma decisão, pois depois de várias tentativas, as almas ainda resistiam em deixar esta realidade.

Tentariam um ultimo líder para libertar as almas, mas já marcariam a data de despedida, esta realidade não serviria mais para aprendizado. Jesus Cristo fez o que pode, não que funcionou muito, já que distorceram muita coisa que ocorreu naquela época.

Bem, o universo que fará a ponte de saída será o invisível, de lá as almas serão redistribuídas em outras realidades. Mas antes todas as almas do plano de luz e inferior tiveram que ser trazidos para o plano de aprendizado, e você se perguntando o porque do aumento explosivo da população né?

Nós, observadores, percebemos que juntar todas estas almas de níveis diferentes já não deu muito certo, estamos destruindo o plano do aprendizado e desequilibrando toda a nossa realidade. Mas é por pouco tempo.

Agora são 3 da manha do dia 21 de dezembro de 2012, a ultima alma que precisava ser trazida para o plano do aprendizado já deve ter nascido, em aproximadamente 2 horas os anjos levarão todas as almas para o plano invisível. E para quem está vivo isso significa morrer.

Levará cerca de 3 a 5 horas para que todas as almas tenham feito a travessia, então começaremos a ser transportados para outras realidades. Duas delas já me deram detalhes, almas muito evoluídas irão para uma realidade onde há apenas luz, as almas são raios de luz viajando por aquela bolha, e é uma bolha no mesmo nível que o nosso.

Almas muito primitivas irão para uma bolha apenas de sons, cada alma será uma vibração. Falam que quando a alma se aquieta e não há mais ruido ela está apta a subir de nível.

Mais duas ou três bolhas de realidade nos aguardam para sermos distribuídos, mas não me deram detalhes sobre isto.

No fim ficará apenas esta realidade como uma obra de arte, mas sem utilidade, apenas para observação, admiração. Os outros seres vivos ficarão aqui para reequilibrar tudo que foi afetado por nós, desordeiros. Talvez anjos usem este espaço para descansar.

Escutei um barulho estranho lá fora, acho que começou a debandada, vejo vocês em outra realidade, ou não.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O fardo de sonhar com a liberdade

Vou te dar um presente, uma degustação de algo que não existe, e assim como em todo lugar que você encontrar, também será falso: você está livre para parar de ler este texto aqui, pois provavelmente ele será chato e comprido.

Liberdade, ser livre, está aí uma ideia que não existe fora de nossas mentes. Talvez no passado, na época mais pré-histórica desta terra, talvez lá houvesse a real liberdade, aquela instituída no caos e no imediatismo.

Yes baby, o caos. Esqueça capitalismo, socialismo, sociedade, religião. A verdadeira liberdade reside no anarquismo. A primeira falha está que hoje para ter liberdade nós precisamos conquistá-la.

Espera, isto está errado. Como assim conquistar liberdade, isso é um bem comprado na esquina e vendido a preços exorbitantes? É isso que você chama de liberdade?

A liberdade é o que conhecemos hoje como um conjunto de direitos adquiridos em contra partida pago com um monte de deveres que você deve cumprir. Se quer sabemos o que realmente é liberdade pois ela está raizada num estado de ignorância tão pré-histórico que se quer conhece línguas, apenas gesticula.

Se observarmos o mundo em que vivemos você irá perceber que nossa prisão é uma cebola, com várias camadas de celas, cada uma com a chave em uma parte de nosso psicológico. E estamos lá no meio, com todas as chaves na mão, sentados num sofá confortável, tomando sua bebida preferida. Por que sair dali?

A camada mais externa desta prisão é a sociedade, pois é a consequência de todas as outras, veja!

A nossa prisão se constituiu numa unica necessidade de fugir do imediatismo, antes, quando gestos faziam as vezes das palavras, a liberdade pura era assim, se tem vontade de comer, vamos procurar comida. Se tem vontade de beber, vamos procurar um rio, ou esperar chover. Banheiro? Aquele mato serve. Bens? Não preciso, teria que carregar e seria um fardo.

Uma hora alguém se cansou disso, e surgiu a primeira cela quando questionou por que ficar andando por aí se aqui tem tudo que precisamos? Eles se estabeleceram em um lugar, e evitava ficar longe dele, pois ali era seguro.

A segurança trouxe o cultivo de comida, e disciplina de cultivar, e como não ficariam andando por aí eles já poderiam ter coisas, e essas coisas poderiam ser trocadas, e os mais fortes tomariam dos mais fracos, e os mais fracos falariam que isso era injustiça. Injustiça? Que porra de palavra é essa?

Melhor conviver bem, os mais fortes convencem os mais fracos que a força trás segurança a todos, e isso fica como verdadeiro por vários séculos. Uma hora os mais fracos são mais numerosos que os mais fortes, e os mais fortes já não são tão fortes assim, a balança vira. Uma trégua e regras de bem estar entre fortes e fracos são negociadas, o início da sociedade moderna, construída com paredes sobre paredes, tetos sobre tetos. Um labirinto que dá preguiça de cruzar. É melhor ficar onde está, é confortável, tem de tudo.

Acho que é por isso que fico frustrado toda vez que desejo liberdade, pois a liberdade exige que tudo seja diferente, que tudo seja difícil e simples, sem planos, sem coisas, sem certo e errado. Poucas coisas nos sobraram da liberdade. Talvez a espontaneidade, as artes, os sonhos. E toda vez que experimento um pouco de liberdade as pessoas me olham de um jeito estranho, como se eu fosse um maluco, e eu me sinto como um drogado, experimentando aos poucos esse torpor, esse frenesi.

Não espero que sejamos libertos desta liberdade imposta, espero só poder as vezes tomar uma dose desta droga que herdamos e que nos deixa tão diferente do que é comum.

"Em meio ao caos sou um anarquista que grita sonhos de liberdade." - GZR

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quem foi John - Parte 2

Se você não leu a parte 1 clique aqui.

John continuou com a rotina dele, deixou o livro em um canto e viveu o resto do ano letivo como um mosca morta, não era mais invisível, mas também não era ninguém.

As férias de fim de ano achegaram, e os pais de John resolveram mandá-lo para seu avô em BH, quem sabe isso não o animaria, enquanto resolviam o problema da mudança de escola.

Chegando na rodoviária foi recebido pelo seu avô.

- E então John, como estamos?

- Na mesma vovô.

- Não leu o livro que te dei né moleque?

- Não tive tempo. E não quero lê-lo.

- Ora, vamos para casa e você terá tempo de ler... e não discuta comigo. Sou muito velho para me desgastar com crianças. - E soltou um gargalhada pesada.

John chegou à casa, se instalou e foi direto obedecer seu avô.. se ele fazia tanta questão talvez fosse realmente importante. Abriu a capa de couro marrom sem título e logo na primeira página estava escrito:

"Há três histórias antes de ler O ESPELHO, não pule nenhuma para não se arrepender."

John se sentiu um pouco intimidado, mas como seu avô mandou ler, achou que estava tudo bem. Virou a página.

Que amou Maria

José gostava de Maria que gostava de Tiago
José sabia sobre Tiago, na verdade morria de inveja dele
E Tiago pouco se importava com Maria
José tinha tanta inveja de Tiago que queria ser ele
Um dia descobriu um livro que prometia ajudá-lo
E assim arquitetou tudo
Matou Tiago e leu o livro
Agora José era Tiago
Que era amado por Maria e que agora amava Maria
O mundo era perfeito tudo estava certo
Maria estava feliz por finalmente conquistar Tiago
E Tiago, bem, Tiago estava infeliz
Maria amava demais Tiago, e ele odiava o jeito que ela gostava dele
Ele se odiava agora por ser Tiago
Pensando bem ele sempre odiou Tiago
Odiava ver Maria feliz com Tiago
Odiava tanto ver Maria feliz com Tiago que resolveu matá-la
Mas ficou tão triste por perder o amor de sua vida que cometeu suicídio
O Tiago que amou Maria era José que não aguentou ver Maria com Tiago

[continua...]

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Não era pra ser

Pois é, o "não foi" se tornou "não era para ser", como se fosse inevitável, como se a culpa não fosse sua, e não fosse de ninguém também, simplesmente estava escrito assim, como se houvesse uma ficha com essa história e um carimbo vermelho escrito "NEGADO" em cima. Ou ainda que na verdade, como compensação por essa decepção a vida estaria lhe reservando algo melhor, algo grande, muito maior que isso aí que nem era para ser mesmo.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Quando terminar?

Certa vez, sentado à mesa com minha irmã e o marido dela, estávamos rindo enquanto me queixava de um recém término de namoro. Eu reclamava pois a garota estava me deixando louco pois não aceitava que tudo estava terminado, me ligava e me infernizava constantemente. Foi quando meu cunhado soltou a frase que originou este texto "para conhecer bem a pessoa que você está você precisa terminar com ela, se o término for legal, a pessoa aceitar bem, entender e for equilibrada pode voltar com ela e se casar".

Tá, não foram exatamente estas palavras mas a ideia foi essa mesma.Também não lembro de durante o namoro ver minha irmã separada do meu cunhado, e no final das contas eles se casaram né.

Hoje eu penso em como isso faz sentido. Você que está com alguém já pensou como seria se tudo um dia terminasse? E você que está na dúvida, sabe se é hora de continuar ou desistir?

Longe da ideia de amor verdadeiro e alma gêmea, que particularmente não acredito nestes sentidos, as possibilidades da vida são imensas, e assim como é simples viver é simples escolher alguém para passar o resto da vida. Mas pode ser que em algum momento exista a dúvida desta escolha, e talvez aí neste ponto seja o momento de terminar.

E como identificar o momento, como saber se esta dúvida é real? Respondendo algumas perguntas:
  • Você acha que não poderia viver sem essa pessoa?
  • Você acha que esta pessoa é a pessoa certa e unica neste mundo?
  • Você acha que sua felicidade depende desta pessoa exclusivamente?
  • Esta pessoa é seu único apoio e amigo?
  • Você deixa tudo mais em segundo plano por causa desta pessoa?

Se você respondeu sim à maioria das perguntas, talvez seja a hora de começar a ter duvidas. Não estou querendo infligir a duvida, mas apenas alertar que uma pessoa que está escalando suspensa apenas por uma corda na verdade não está presa a nenhuma corda, pois caso esta arrebente não haverá nada mais para segurá-la.

Também não estou falando que você deva sair por aí procurando outras pessoas, não. Porém sua vida deve ser cercada de pessoas, familiares e amigos que lhe apoiem e que você retribua este apoio, e que a pessoa amada que você escolheu para passar o resto da vida faça parte deste grupo seleto de pessoas. Assim mesmo que esta pessoa um dia lhe falte, outras mais estarão aí para lhe dar apoio neste momento difícil, assim como se qualquer outra delas lhe faltasse seria o seu parceiro a lhe dar apoio.

E então quando é a hora de terminar? Sempre, sempre é hora de terminar, sempre que a dúvida surgir, sempre que a pessoa não permitir que você não tenha mais outros apoios, sempre que a corda romper e você estiver em queda livre até o chão.

Nunca é tarde para seguir em frente, pois dentre as coisas que nos matam por dentro está também o que é comodo, o que dá a sensação de segurança, o que nos sufoca mas deixa um fio de ar entrar.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

E agora?

Abri os olhos, minha visão estava turva, pouca claridade e cheiro de fumo queimado no ar. Conforme minha visão foi ficando nítida percebi que segurava 5 cartas. Do lado oposto na mesa onde estava sentado aquele palhaço funesto novamente me encarava com um sorriso cínico.

- O que foi palhaço? Vai me fazer visitas periódicas agora?

- Não, desta vez só estava passando, mas percebi que ela estava te rodeando.

Neste momento ela apoiava um copo na mesa, me olhou nos olhos e sentou-se. Naquele momento percebi que quem me desafiava não era mais o Funesto e sim sua parceira gelada.

- Cade minha sombra?

- Hoje você está sem apoio. - Disse o palhaço já sem seu sorriso. - Nem com a tragédia você pode contar.

A Solidão olhou o Funesto gélidamente como repreendendo suas palavras e ele evaporou no ar. Sua cadeira vazia ardeu em chamas no momento seguinte.

Ela não queria falar, ela não queria nada, olhava para o centro da mesa como se fosse uma pessoa que não pudesse ser consolada. Ela só queria que eu não quisesse nada também.

Perdido no meio da escuridão, vagando num universo sem estrelas, senti raiva, revolta, tristeza, senti-me sem esperanças, desiludido, senti como ela se sentia, como queria que eu me sentisse.

Não sei quanto tempo passei lá, segundos, minutos, meses, anos, séculos. Havia perdido noção de tempo, espaço, consciência, identidade.

Ela estava com ciúmes, não falava, não dizia nada, talvez nem pudesse, visto que no lugar do rosto havia sempre aquele borrão. Mas ela sentiu que eu a abandonei depois de tantos anos. Queria razões, explicações, queria que tudo fosse como antes. Mas não seria.

Um miado ecoou pelo vazio, me despertou do transe. Ela se assuntou e no susto seu rosto se formou, era um rosto que eu não via desde a infância. Havia se perdido em meus sonhos, sonhei com ela a primeira vez que dormi com o coração apertado pela mágoa, e já nem lembro mais o motivo. E desde então sempre que eu ficava só era no colo dela que eu deitava pois precisava fugir do mundo.

Mas agora não era mais necessário fugir, eu precisava enfrentar o mundo, sempre, para que ele não fosse vitorioso sobre mim. E assim a Solidão, ironicamente, ficou só.

Olhei novamente para as cartas nas minhas mãos, estavam em branco. Olhe para ela e ela começou a dizer.


- Eu era o jogo que você tinha em mãos, o mundo não aceita que você simplesmente jogue com ele. Quando você esta na mesa dele, a casa sempre ganha, e os jogadores são meros peões que não precisam saber as regras do jogo. Você antes jogava em sua própria mesa, hoje você é só mais um.

Ela se levantou, pegou o copo, deu meia volta e caminhou para o lado escuro da sala, sumindo na penumbra.

Então eu havia entendido que estava ferrado, pois não estava mais sozinho, estava perdido na meio da multidão, e quando eu quisesse ficar sozinho, a partir de agora, seria impossível.

Você quer saber onde começou este post? Então clica aqui.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O fim da caminhada

"Isso é loucura!"

Pensei comigo mesmo, naquele momento outra ficha havia caído, eu sentia o sol, as ondas. Logo a frente eu via um atol, e mais ao sul um píer, lembrei então como píers me faziam lembrar a infância. Não que houvesse passado a infância perto do mar, mas acho que na maioria das minhas fantasias haviam píers. Em minha mente eles eram locais mágicos como portais para qualquer lugar que se quisesse chegar. Assim comecei a caminhada até ele.

Enquanto caminhava estranhava o fim da tarde, eu estava por ali há mais ou menos 2 horas e ainda era fim de tarde. Será que era isso o paraíso, um infinito fim de tarde? Apenas bobagens. Mas também o píer que parecia tão perto estava cada vez mais distante, e nós também não somos assim?

Nós parecemos sempre tão perto uns dos outros, estamos dizendo sempre estar por perto, mas quando chegam perto de nós aí ficamos distantes, quase inatingíveis, temos medo, temos receio, não queremos nos envolver.

"Nada te faltarás." E realmente esta frase fez sentido, neste momento não preciso de nada mais. Bem, talvez eu precisasse chegar ao píer. Continuei a caminhar, tudo vinha à minha mente, e finalmente a noite chegou, mas o fim da caminhada não. Por sete noites e sete dias eu caminhei. Não sentia fome, não sentia sono, não sentia nada a não ser a vontade de caminhar, mas o destino nunca que chegava, estava sempre a mesma distância.

Parei e comecei a refletir "algo está errado". E realmente estava, estava cometendo o mesmo erro que algumas vezes havia cometido, fazendo a mesma coisa esperando resultados diferentes, há dias eu andava esperando o pier chegar, mas ele não chegaria, não enquanto eu caminhasse. Parei, fechei os olhos e respirei fundo, respirei fundo por algumas horas, talvez dias, talvez anos. De repente eu não estava mais pisando em areia, e sim em um chão duro, era o pier. A espera fez com que a montanha viesse a Maomé. Agora a história fez sentido.

Minha jornada então havia acabado, as duas ultimas lições a serem aprendidas: não repetir o mesmo erro e esperar pois nem tudo vem a você na hora que você quer.

Caminhei até um barco que havia na ponta do pier.

Barqueiro: Você demorou.
Eu: Eu acho que não.
Barqueiro: Bem, ok, ainda temos tempo, para onde você vai?
Eu: Não tenho a menor ideia, achei que era você quem saberia.
Barqueiro: Vocês sempre complicam minha vida né? Trouxe as moedas?
Eu: Moedas?
Barqueiro: Ah esses tempos modernos, esquece, entre e vamos ver onde vamos parar.

Entrei no barco e o Barqueiro começou a se afastar do pier, se antes esta viagem não tinha voltar agora sim que ela estava indo para onde deveria ir, e eu estava ansioso para chegar.

Fim.

Se você não leu o conto anterior a este entre no link O dia em que morri .