Projeto Marco ZERO

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Quem foi John - Parte 1

John era um garoto de 11 anos de idade, guri sonhador, estava na quinta série, era calada, tímido, quieto e apaixonado, e acima de tudo invisível.

Para ele era ótimo ser invisível, passava a maior parte do tempo sonhando entre a terceira e quinta carteira da segunda fileira. Nem a professora o notava direito, primeiro porque não abria a boca, segundo porque sempre tinha boas notas. O lugar também era excelente, ele tinha vista direta para Anna Belle, que sentava-se na primeira carteira da ultima fileira, a melhor aluna da classe, o seu melhor sonho era ela.

Talvez a desvantagem de ser invisível também fosse ela, se quer ela sabia da existência dele, tão pouco o quanto ele a amava.

Os poucos amigos que tinha eram assim como ele, excluídos, faziam parte da turma dos rejeitados, estranhos e impopulares, sofriam com brincadeiras maldosas. Mas John não ligava com tanto que não o impedissem de sonhar.

Assim era a infância de John.

Assim... nada mudaria não fosse um sonho que tivera durante as férias de julho, no ultimo dia de férias foi para cama normalmente, no dia seguinte voltaria às aulas, estava ansioso pois voltaria a observar a distância sua bela Belle. Mas naquela noite sonhou que alguém roubara Belle dele, literalmente roubara ela, e a levava embora num trem. John tentou impedir, correu atras e saltou para dentro do trem, porém seu despertar interrompeu o salvamento.

Mesmo que desperto com ternura pela sua mãe estava aflito, via aquele sonho como um sinal. E talvez John estivesse certo, ao chegar na escola um dos rapazes que sempre o atormentava roubou o seu lugar na classe, o empurrando para o fundo onde não podia ficar admirando Anna. E havia um menino novo na classe, vindo de outro bairro que já estava cheio de conversa com Anna. Como podia ele que estudava com ela há 3 anos nunca conseguirá conversar com ela, e este moleque já estava cheio de intimidades.

Seu mundo estava abalado, enquanto ela estava sozinha sob seu olhar estava tudo bem, não havia medo, porém agora além de longe de sua vista estava com alguém em vista. John ficou triste, cabisbaixo, e nas semanas seguintes mudou, fechou-se mais ainda, não ficava nem perto dos amigos, nem dos familiares.

Tentava entender o que estava acontecendo, talvez o anormal que sempre foi não fosse o que queria ser, talvez se fosse alguém normal, talvez, só talvez. Então bolou um plano, falaria com Anna, enfrentaria todas as suas reservas.

O dia do plano foi no meio da primavera, o calor já incomodava um pouco John, estava suando, Anna sempre lavava as mãos quando saia para o recreio, ele sairia antes, já que ficava mais próximo a porta da sala e a esperaria perto das pias.

As mãos de John estava molhadas de suor quando Anna chegou para se lavar, ela nem notou que ele estava ali aguardando ela chegar.

John chamou por Anna, que o olhou nos olhos e ele começou a falar, gaguejando sem se fazer entender. O que John não notou foi que o garoto novo e os outros perceberam ele falando com Anna, e se aproximavam dele sorrateiramente. John também não perceberia que Anna via os outros garotos chegarem e ela não o avisou.

Quando John soltou o "eu gosto de você" foi violentamente puxado para o chão, e levou um soco na boca do estomago dado pelo garoto novo, os outros garotos o levantaram e o jogaram no lixo, no meio do recreio, na frente de todo mundo, na frente de Anna.

Humilhado o pequeno, magrelo e estranho John foi para casa, nem terminou de assistir as aulas daquele dia.

Nas semanas seguintes John andava de cabeça baixa pelos corredores da escola, e sempre era apontado, riam da cara dele, zombavam dele. Estava tão triste em casa que os pais já estavam muito preocupados, e ele vivia pedindo para mudar de escola, falando que não aguentava mais.

No feriado de 12 de outubro seu avô de BH veio visita-lo.

- John, como vai você? Fiquei sabendo que anda meio triste, o que aconteceu?

- Não aconteceu nada vô, só quero mudar de escola, aquela é muito chata.

- E eu quero ir para a Lua porque a Terra é muito quente, conta outra moleque.

John abaixou a cabeça e sorriu, sabia que não poderia enganar o velho tão facilmente, provavelmente ele só veio de BH para tirar essa informação dele.

- Eu era invisível naquela escola, resolvi me declarar a uma menina e agora não sou mais invisível, sou motivo de chacota.

- Então eu trouxe para você o presente certo Jhonny. - o velho tirou um embrulho da sacola que trazia consigo. - Já estragando a surpresa eu te trouxe um livro, um livro muito antigo, um livro mágico.

- E você acha que eu ainda tenho 5 anos né vovô?

- Escuta vai John, não interrompe não moleque. Este livro foi entregue sempre para alguém que precisava ser outra pessoa, leia ele e ninguém mais irá te reconhecer, talvez você não volte a ser invisível, mas com certeza ninguém irá lhe reconhecer depois que você ler este livro. Vai por mim, confia.

John pegou o livro, baixou a cabeça e foi para dentro de casa...


domingo, 25 de dezembro de 2011

Na partida

Desde o primeiro choro iniciamos a essa carreira sem fim, pelo menos que nós gostaríamos que fosse sem fim. A ideia de sempre ter algo a fazer parece que garante um pacto de "não posso ir ainda, olhe as minhas responsabilidades.".

Meus queridos, não é assim que funciona, não importa se você ainda está no colegial, e não tirou carta. Se está para se casar, ou se acabou de ter filho. Se está próximo daquela promoção, ou se acabou de se aposentar e está prestes a usufruir dos frutos de tantos anos de trabalho duro. Se chegou a sua hora, então tudo que está pelo meio está concluído, é a hora de outros tomarem o teu lugar.

Entenda que viemos para este mundo por um tempo determinado, não que você ficará vivo 76 anos, 4 horas, 19 minutos e 34 segundo exatamente. Mas você irá morrer um dia, e acredite, será inevitável, e na grande maioria dos casos irreversível.

Onde eu quero chegar com isso? Deixa que eu explico.

O fato de você ter planos a longo prazo, o fato de você acumular pessoas ao teu lado que dependam de você não fará tua vida ser mais longa. Assim, mesmo que você tenha todos estes planos, mesmo que alguém dependa muito de você, não ache que não pode simplesmente ir embora. Mantenha a alma limpa, a alma de quem até aquele momento cumpriu sua tarefa, e que se algum dia faltar, saberá que o mundo irá retribuir seus esforços dando continuidade e cuidado a tudo que você deixou para trás.

Mantenha isso em mente, pois não irá querer ser aquela pessoa que quando atravessar a penumbra para o outro lado estará indignado achando que tinha muito a fazer ainda. Acredite, mesmo que você não acredite em Deus, ou qualquer outra religião, a tua vida não está em tuas mãos. É melhor partir acreditando que fez tudo o que podia ser feito a viver uma sub-vida por aqui tentando consertar o que não está mais ao teu alcance.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Uma mensagem

Daqui de cima a dor é diferente, olha para baixo e ver como tudo ficou. Não era para ser assim, era? Vocês não aprenderam nada, mas também, nada lhes foi ensinado. Querer que vocês magicamente entendam tudo seria insano. Eu mesmo, enquanto partilhava com vocês de tudo, nada sabia.

Quando cheguei aqui, ainda desorientado, tentava entender se tudo não se era apenas um sonho. Logo que me acolheram pediram para ter calma, que tudo seria esclarecido. Com o tempo fui entendendo o motivo daquilo tudo, porque passar por um período tão grande de ignorância, de sofrimento. A vida não é um presente. Viver sim é um presente.

Engraçado como nem todos tem o direito de viver, mesmo tendo a vida em suas mãos como qualquer um. (se eu fosse vocês refletiria sobre esta frase, iria lhes abrir muitos caminhos)

Vejo vocês aí, familiares e amigos, conhecidos e desconhecidos. Uns estão tão aflitos pelo que há por vir, outros custam acreditar que exista algo para vir.

Seria correto lhes dizer para fazer o certo, para salvar o planeta, para não julgar o próximo, para não ferir aquele que está ao teu lado. Mas não adiantaria de nada, não é para isso que nascemos, nós nascemos para viver, fazer o que tem que ser feito.

Que mensagem tenho para lhes dar? Nenhuma, só venho dizer que aqui as coisas não são mais fáceis, só são diferentes. Cada um de vocês tem uma, ou mais, missões que escolheu, e você não é obrigado a cumprir todas elas, mas seria bom se fizesse. Não é obrigação, é doação.

Boa noite.