Projeto Marco ZERO

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pessoas em três: O copo

Para encurtar a história... e então ele encontra um copo preenchido até a metade de água.

... simplistas

Os simplistas são ou otimistas ou pessimistas, julgam de forma simples e rápida. Ah, o copo está metade vazio, então você é um pessimista. Opá, o copo está metade cheio, logo você é um otimista.

Pessoas assim costumam julgar pela aparência, estilo de música, religião, é quase um preconceito para tudo já que tudo na vida pode ser julgado a partir de opiniões aparentes, a partir do que você deixa a mostra.

... observadores

Os observadores já irão ver o copo e tudo a sua volta, perceberão que se o copo está sendo enchido, então ele está quase cheio, se ele está sendo bebido, está quase vazio. Se esta repousando sozinho em uma mesa, então simplesmente está lá.

São pessoas calmas, costumam seguir conforme a musica, sem se precipitar.

... detalhistas

Os detalhistas serão diferentes pois o copo está totalmente preenchido por partículas de água e ar, e entre estas partículas o vazio do cosmo, os neutrinos que transpões a matérias. Pois afinal tudo é mais do que pode se ver.

Adoro os detalhistas pois são excêntricos, divertidos, filósofos espalhados pelo mundo afora cheios de idéias.



E este foi mais um pessoas em três depois de tanto tempo, na verdade seria um post normal se não fosse uma ajuda involuntária de uma pessoa querida, e só por isso o pessoas em três hoje irá um pouco além.



... fotógrafo [BÔNUS]

Bem, o fotógrafo olharia o copo e faria isso...


Direitos autorais da foto inteiramente deste Flickr: http://www.flickr.com/photos/may-cristof/ .

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O príncipe e o (ini)migo

E então o príncipe estava sentado em seu trono, desorientado, perdido, olhando para o nada esperando que a vida fizesse algum sentido. Seu pai havia acabado de falecer. Seu tutor, seu exemplo, seu guia, aquele que o criou para ser homem, para ser gentil, para ser rei, seu grande, verdadeiro e único amigo. Ele não tinha mais ninguém já que sua mãe morrera em seu parto, filho único, único e solitário.

Em alguns dias herdaria o reino, seria rei, tomaria o lugar de seu pai.

Então o silêncio é interrompido por um mensageiro que chega correndo, tropeçando nos próprios pés, arfando, se arrasta pelo salão principal, estava coberto pela lama que havia pela época das chuvas. Chegou aos pés do príncipe e lhe ergueu uma carta selada. Quando o príncipe pegou ele desmaiou de cansaço.

O selo que lacrava a carta carregava a insignia de Dragur, soberano de um reino próximo, sempre amigo de seu pai, lembrava que viviam trocando cartas, e vez ou outra no ano se encontravam para grandes festas que iluminavam o reino onde era feita. Ele já devia saber da morte de seu pai e devia ter enviado a carta com condolências. Rompeu o selo e começou a lê-la...

Caro príncipe Muranir,


Foi com grande pesar que recebi a notícia da morte de teu pai, Tanuir sempre foi um grande amigo, e companheiro em todas as jornadas de minha vida, crescemos juntos e conquistamos muitas coisas juntos. Soube que seria difícil a vida dele sem Elinor, tua mãe, e soube de toda a força que ele fez para te criar. Espero que esta força sirva para que você supere estes tempos de escuridão.


Independente disto, como teu pai é morto, e já não existe mais nada que nos ligue, aviso-te que nossos reinos já não são mais amigos também, assim estou declarando GUERRA e em três dias meu exército estará a frente do teu portão para que possamos conquistá-lo. Espero que esteja preparado para isto pois odeio derrotar inimigos fracos.


Minhas condolências, Dragur.

"Mas que grande filho da puta..." pensou o príncipe, "...amigo do meu pai o escambau, sempre esteve pensando no reino dele".

O príncipe já não sabia o que fazer, mal havia perdido o pai e já teria uma batalha à enfrentar. E eles chegariam bem no dia de sua coroação. Agora já não estava apenas perdido, estava desesperado, aflito. Ele levantou e chamou os conselheiros que serviram seu pai por toda sua vida, aqueles grandes amigos que juraram fazer tudo pelo reino.

Porém ao saberem da notícia aconselharam o príncipe a desistir, abdicar o trono, deixar o reino, salvar sua vida e a vida daquele povo que já estava sem esperanças. Mas Tanuir não havia ensinado isto a seu filho, ensinou a ele coragem e a não desistir. E os conselheiros saíram calados, reprovando a atitude do príncipe, e de lá foram para suas casas, e de suas casa abandonaram as terras de Adjur temendo serem mortos pelo exército de Dragur.

Em três dias Muranir reuniu todo o exército do reino e convocou todo o povo que quisesse lutar prometendo um título de soldado a cada homem ou mulher que levantasse uma espada nesta contenda. E no terceiro dia uma multidão formada por homens e mulheres, uns vestidos com cotas em malha de aço, outros com couro de gado. Todos segurando algo, desde espadas pesadas e lanças até bastões. Todos esperando temerosos uma enorme multidão que se aproximava do reino.

De longe podia-se ver o exército de Dragur como uma correição de formigas prontas para devorar uma toalha de piquenique. Muranir se prostrou firme no pronto mais alto da muralha, bem de frente com o inimigo que avançava.

Quando Dragur chegou no portão do reino, em cima do seu cavalo malhado e olhou para cima Muranir o fuzilou com os olhos e gritou lá de cima.

- Dragur! Você é um covarde por atacar meu reino no momento mais escuro que ele já enfrentou, e um traidor por não honrar a morte de meu pai.

- E você Muranir! - Dragur gritou em resposta. - Aprendeu com seu pai sobre coragem e respeito, e fico orgulhoso disso, assim como Tanuir e Elinor também devem estar olhando lá de cima. E hoje eu vim lhe ensinar a ultima coisa antes de se tornar um rei, assim como seu mai me pediu.

Muranir estacou, não estava entendendo direito, o que Dragur estava querendo, então notou que os soldados de Dragur não traziam armas, mas sim folhes, carnes e bebidas. O príncipe ainda tentava entender, mas Dragur continuou a falar.

- Teu pai me pediu para ensinar sobre como dar valor às pessoas, assim um amigo que mente, que omite coisas de você, um amigo que não te olha nos olhos, um amigo que te abandona, com certeza não é uma boa pessoa. Já um inimigo que é sincero, que te olha nos olhos, mas mesmo assim tem um desafeto por você deve ser respeitado, e com certeza não passará a perna em você, pois todas as suas ofensivas serão claras e ele tentará te derrotar de frente, com honra. Agora cadê os conselheiros de teu pai?

- Eles abandonaram o reino temendo a morte.

- Ora, então é como lhe falei, as amizades fracas tem menos valor do que os inimigos honrosos, como eu que prometi que estaria aqui hoje e assim estou. Porém não para te derrotar e sim para lhe dar o ultimo ensinamento de seu pai. Valorize o sincero, o honrado, o claro, o corajoso. Afeição é importante sim, mas sem os valores que citei, ela não vale de nada. Agora abra para comemorarmos o dia de sua coroação meu filho.

- Mas você veio para tomar meu reino Dragur.

- Largue a mão de ser chorão moleque, ainda não entendeu o que vim fazer aqui?

Muranir sorriu e mandou que abrissem os portões, e mais uma vez aquele reino seria invadido pelas festas e pela nova vida que estava se formando.