Projeto Marco ZERO

terça-feira, 31 de maio de 2011

O dia em que morri

Ah! O dia que morri. O dia que morri foi um dia lindo, foi um dia libertador. Era Outono, fui abençoado por ter a última visão de minha vida o Outono.

De repente a dor sumiu, e não eram dores de doença, dores físicas, era a dor da vida, o pranto diário de um parido. O peso em meu pulmão se foi, o aperto no coração, o nó no estomago, a enxaqueca diária, o problemas do dia-a-dia, o tédio, a fadiga, a busca incessante pelo nada, pelo "não sei o quê". Tudo parou, naquele momento o mundo parou por um segundo. Segundo este que pareceram anos.

Meus olhos já sem vida olhavam uma sarjeta, e eu olhava meu corpo ali totalmente imóvel. Respirei aliviado com um único pensamento, "e agora?".

E agora mesmo? Será que tive uma vida boa? Será que meus pecados serão perdoados? Será que me arrependo? E o diabo? Deus? E agora?

A agonia da duvida foi tanta que meu coração deitado no chão bateu mais uma vez. A dor dominou meu corpo, dor esta que eu havia abandonado, como se estivessem despedaçando cada músculo de meu corpo. Não suportei a dor da agonia, meu corpo morreu, novamente, e tudo ficou negro.

Assim como quem acorda de um desmaio, as imagens voltam esmaecidas. Ouço uma voz.

- Acalma-se rapaz, para que tanta dúvida se o pior já passou?

Eu não conseguia responder, eu simplesmente percebi que não tinha mais a habilidade de falar. E a voz continuou.

- Acalme-se, você não conseguirá falar agora porque está em tempo de ouvir. A humanidade passa muito tempo falando, e pouco escuta. Se escutassem mais as coisas seriam tão mais fáceis, simples e organizadas. Por isso mesmo que quando vocês chegam aqui vocês não conseguem falar, porque é hora de escutar.

E assim ele continuou.

- Bem, estas são as últimas horas do seu corpo, você deve acompanhá-lo como uma ultima missão na terra. Tire proveito destes momentos depois voltaremos a nos ver.

E assim foi, passou a tarde e chegou o crepúsculo. Sentado ao lado do meu corpo pude ver tanta gente que há muito não via, tantos rostos conhecidos. As pessoas realmente não entendiam a morte, alguns estavam tristes, outros foram prestar condolências, outros ainda negavam o fato. Gostaria de confortá-los, gostaria realmente de confortar quem eu amava, e que estava lá porque me amava, mas eu não podia, eu não falava.

Foi bom ver todos lá, todos os que foram me ver pela última vez. Sabia que a jornada de muitos deles estava apenas na metade, no começo, ou no fim. Havia gente de todos os tipos.

Resolvi não acompanhar quando me levaram. Na verdade acho que ninguém conhecido deveria ir, é um momento sem necessidade onde colocam abaixo da terra um recipiente vazio.

Todos voltaram às suas casas, e aos poucos o lugar foi esvaziando. Quando todos se foram finalmente comecei minha nova jornada, em silêncio eu deveria caminhar para o sul, até hoje não sei porque, mas sabia que deveria fazê-lo.

Caminhei por muito tempo, sem sentir sono, cansaço, fome, cede, não sentia nada, apenas a vontade de seguir. Era engraçado ao passar por cidades, povoados ou postos de estradas. Eu podia sentir objetos inanimados, móveis, areia, até mesmo o vento, mas tudo que estava vivo simplesmente atravessava meu ser. Alguns animais até percebiam minha existência. Mas acho que vi raríssimas pessoas que se quer notaram minha passagem.

No final do Outono cheguei ao meu destino, uma praia. Lembrei da minha mãe. Lembrei do rapaz que conversou comigo logo que atravessei, ele disse que eu não falaria porque era tempo de ouvir. Nenhuma vez se quer ele conversou comigo em minha caminhada. Mas eu acho que não era disso que ele estava falando. Em silêncio, sem ser notado, pude ouvir o som do mundo, pude ouvir o som da minha alma, pude me ouvir e percebi que nunca havia me ouvido antes.

Passei uma vida inteira ao meu lado e eu nunca me ouvi o suficiente para saber quem eu realmente era. O que realmente eu queria, quais eram meus desejos, minha vontades, meus gostos. Tudo era por instinto. Fiquei triste já que se eu não me ouvi provavelmente não ouvi as outras pessoas. Quantas pessoas fantásticas eu deixei de perceber?

Então a felicidade é isso? Ter plena consciência de si mesmo, escutar o som da vida e do coração, escutar aqueles ao teu lado e saber quem realmente são. Quando o coração escuta não há mentiras.

Deixo aqui esta mensagem para um mundo que deixou de escutar. Não é uma história triste, e também não é uma história alegre. Mas é um ensinamento que vocês deveriam aprender. Aprender a escutar o som da vida, pois se vocês a escutarem tudo acabará bem. Acredite!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Pessoas em três: Preocupadas

Esta é mais uma série do blog #QuebrandoAsRegras que irá falar sobre características de pessoas em três diferentes versões... acompanhe!

O pessoas em 3 de hoje apresenta: Pessoas...

... preocupadas com outras pessoas

As pessoas preocupadas com outras pessoas são as que querem que todos ao seu redor se sintam bem, fiquem a vontade e gosta de vê-las felizes. Não confundam com pessoas baba-ovos. Mas são pessoas fáceis, alegres e que topam quase tudo.
Ela se preocupa se estão todos se divertindo, se estão todos bem, e faz o que pode para que todos entrem em um consenso. Evita brigas e confusões.
E se não deu certo, bem, paciência, essa pessoa fez o que pode. Sensação de dever cumprido.


... preocupadas com o que outras pessoas pensam

Essas pessoas são parecidas com as pessoas acima, só que a intensão é diferente, assim como a sinceridade. Quem se preocupa com outras pessoas visualiza o ambiente, o bem estar comum. Quem se preocupa com o que outras pessoas pensam pensa em si mesmo e o que as pessoas vão pensar dela.
Ela é insegura e precisa de auto-afirmação. Ela é interesseira e busca manipular as pessoas. Não quer estar mal com ninguém, já que vai que precisa da pessoa um dia. Ela é preconceituosa e não quer que outras pessoas a julguem. Mas no final, fazem tudo errado escondido dos outros, e nunca são verdadeiras já que a aparência é o que importa.

... preocupadas com um ponto

E este ponto é o próprio umbigo.
O lema destas pessoas é conquistar. Diferente das outras duas pessoas acima, esta não está nem aí para o que as pessoas pensam, com tanto que saiam ganhando. Harmonia do ambiente? Como vão vê-la? Ora, não importa. Pessoas assim sempre dão o passo maior que a perna, geralmente as únicas pessoas que realmente dão atenção à elas são as que se preocupam com o que as outras pessoas pensam. As pessoas que se preocupam com outras pessoas geralmente desistem de agradar gente assim, já que é muito difícil e exaustivo.
Gente assim nunca aprendeu o ganha-ganha. É sempre eu ganho, você perde, e se eu perco todo mundo irá perder também.
São pessoas que abusam de outras pessoas e quase sempre não são vistas com bons olhos.


E aí? Vocês se identificaram com alguma destas características? Conhecem pessoas assim? Breve mais pessoas em três para você tentar se identificar.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O que é felicidade?

Imagine que no meio de uma noite quieta de outono uma fada lhe acorde tilintando as asinhas em seu ouvido. Você senta e olha para ela assustado. Você percebe que aquele ser pequenino e brilhante segura um frasco tão grande quanto seu corpo. E ela lhe entrega o frasco.

Você olha curioso o líquido azulado que preenche o vidro. A fada chega bem perto do seu ouvido e lhe diz:

- Esta é a poção da felicidade, tome-a, tome toda ela, e durante 24h você será a pessoa mais feliz do mundo pois durante este tempo você terá a felicidade verdadeira.

E a fada some no ar como um soluço.

Ainda sonolento, desorientado, retira a rolha do frasco e sorve o líquido como a fada falou. O mundo começa a girar, o sono arrasta você para baixo, você dorme.

Ao acordar sente-se diferente, estranhamente alegre. Lembra-se do sonho. Puxa que sonho maluco não!? Levanta, toma banho, veste sua roupa de trabalho, abre a porta de casa. Puxa que dia ensolarado!

E de repente você passa o dia mais normal da sua vida, a rotina dentro da rotina, nada mudou, tudo exatamente igual, mas mesmo assim o melhor dia da sua vida. Você simplesmente não entende, mas é realmente o melhor dia da sua vida.

Talvez não tenha sido sonho, talvez realmente tenha acontecido.

Talvez aquele líquido não traga a felicidade, talvez aquele líquido abra os olhos. Abra os olhos para tudo que está à sua volta. Talvez agora você perceba a grandeza da sua vida, família, trabalho, amigos e de tudo o mais.

Mas talvez tenha sido somente um sonho mesmo, mas por que não pensar sobre sua vida agora? Por pior que você acha que esteja: dificuldades, doenças, problemas, tédio, nada importa. Observe a beleza de sua vida. Você vive, e isso já é um milagre que vai contra toda e qualquer estatística. Você deve ter um trabalho, ou um estudo, ou saúde, ou família, ou amigos, ou apenas sua vida. Vocês podem ter uma ou outra coisa, ou todas as coisas juntas, e isso já é uma dádiva. Não importa pois tudo importa.

Pense sobre isso.

Pela enilhonésima vez eu estou assistindo "Tudo acontece em Elizabethtown" e toda vez que assisto este filme um post é escrito.

domingo, 15 de maio de 2011

Jeitinho brasileiro

Eu acho o povo brasileiro um povo engraçado.

O povo brasileiro reclama dos políticos corruptos, mas vota sem sequer saber o histórico do seu candidato. E ainda muitas vezes vende voto, ou ainda o dá de graça à um que lhe é simpático.

Reclama dos políticos ladrões, porém forjam seus ganhos para evitar pagar imposto de renda. Nós que aprendemos com os políticos ou eles que aprenderam com nós?

O povo brasileiro quando vê alguém se dando bem de um jeito ilegal ao invés de denunciar, prefere entrar no esquema.

Eu vejo o povo reclamando dos preços dos CDs e DVDs, e de outros produtos. Daí vão comprar o piratinha financiado pelo tráfico de drogas e armas, ou ainda baixam da Internet, negando aos autores o direito que lhes seria dado, o de ganhar pelo seu trabalho. Uma coisa que aprendi com meus pais, um erro não justifica o outro. Se você não acha o preço justo, não compre e fique sem.

Reclama das altas taxas de impostos, dos preços no mercado, no posto, na loja. Mas você não sabe porque aqueles preços estão assim, sequer tentou entender. O que acontece para a gasolina e o álcool subir tanto? Por que o preço do feijão e do arroz? Acha injusto, simplesmente por achar. E cria movimentos vazios, protestos sem fundamentos, e sem base legal. Acha que rebeldia irá mudar o mundo. no final desiste e fica sentando no seu sofá no fim de semana reclamando.

Estes protestos merecem mais um parágrafo. Como assim vamos protestar? Vamos todos parar de abastecer os carros para causar uma crise dentro da crise do combustível. Vamos parar de usar a energia elétrica pois está muito cara. Vamos parar de tomar banho pois a água está um absurdo. Aproveita que você não vai também usar o ônibus, pois o preço do transporte público está pela hora da morte, e nem vai trabalhar. Oras, já que você está protestando sobre tudo, e está tudo caro, você não precisará de dinheiro para gastar.

Eu proponho diferente. Eu proponho um protesto as avessas. Vamos comprar tudo de forma legal, pagar todos os impostos. Vamos parar com o jeitinho brasileiro, e ferrar a industria da pirataria e contrabando. Assim poderemos chegar para o governo e falar "pronto, agora estamos fazendo tudo certo, é a vez de vocês.". E aí? O que acharam?

Lógico que eu também não faço tudo certo, que eu também sou brasileiro, mas isso não me impede de ter opinião e idéias, isso não me impede de tentar melhorar e de pensar em como a vida seria se as coisas fossem diferentes.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ressaca Moral


Fatalmente este blog cairia neste tema algum dia. Algo que por muitas vezes açoitou este que vos escreve.

Recomendo ler ao som de Pitty - Trapézio



Depois de desbravar os mares da embriaguez psicolibertina, da sensação que tudo pode ser feito, de que tudo pode ser dito sem consequência, sem revanches, sem vingança, sem que tudo fique gravado a ferro e fogo na mente de alguém. Depois de mandar sua consciência, literalmente, tomar no cu. Depois de esquecer que você é apenas mais um mortal a caminhar na terra. Abrir os olhos e sentir o fel sabor da ressaca moral é só o que resta.

Esta ressaca não tem nada a ver com ingestão de álcool ou de qualquer droga lícita ou ilícita, embora muitas vezes esteja associado com a liberdade que tais químicas nos afloram. A ressaca moral é o arrependimento de atos impensados realizados quando estamos em completa euforia, momentos de ira, ou qualquer coisa inconsequente que você esteja certo de que fará, e fez.

Resultado: quando você se tocar da merda que fez tudo irá desmoronar.

Como tudo na vida no começo você irá negar tudo que fez, depois você irá sentir raiva do que fez, vai querer voltar atrás, vai se odiar, vai pensar em um jeito de consertar toda a merda, e depois vai aceitar que a merda foi feita, e já era. Atos e palavras jogadas ao vento nunca voltarão, e aprendemos isto sempre do jeito mais difícil. Aprendemos que por mais que a cola seja boa, depois que quebrou nunca ficará igual.

A famosa receita: gatorade, banana, engov e eno não irá lhe salvar desta.

Então o que fazer?

Agora o jeito é pedir desculpas. É deixar as coisas rolarem. É assumir o que se falou doa a quem doer, afinal se você não dissesse alguém algum dia diria. Se você não fizesse talvez se arrependesse no futuro de não ter feito. Se não acontecesse como iria saber?

E no final a vida é sempre assim:

Nada é imperdoável, tudo depende de alguém se arrepender, e de alguém querer aceitar uma alma arrependida.

Ninguém é obrigado a aceitar um pedido de desculpas também, não importa o quanto você não teve a intenção, você fez.

A vida muda, vira e mexe ela muda, e você tem que se moldar com as mudanças, as vezes uma boa ressaca moral obriga você a se mexer e a mudar. E isso vai ser bom, só depende de como você se comportar daqui pra frente.

Algumas ressacas separam pessoas, outras unem pessoas, só depende do quanto estas pessoas sem um objetivo em comum, de quanto estas pessoas têm em comum.

É errando que se aprende. Sem mais!

Ao som de http://www.stereomood.com/mood/lonely