Projeto Marco ZERO

quinta-feira, 10 de março de 2011

Cinco estágios para a vida (despertar)

Algum autor, do qual não me recordo, dizia como a vida em si já era irônica o suficiente, pois no momento da vida em que temos maior força, grandeza física e disposição nos falta experiência para aproveitarmos o máximo dela, no auge do nosso corpo, nos falta conhecimento. E ao longo da vida adquirimos este conhecimento e a experiência, então, quando estamos no auge de nosso conhecimento e experiência, nos falta força, grandeza física e disposição para aproveitarmos tudo que sabemos.

Logo, como uma ampulheta, temos um milésimo de vida para aproveitar o melhor da experiência com o melhor do físico, onde em ambos os recipientes há a mesma quantidade de areia. Pois logo a experiência enche, a via se esvai.

Para o fim da vida cinco estágios são apontados pela psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Nesta mesma ordem, chama-se Modelo Kübler-Ross.

Foi então que a palavra aceitação tilintou em minha mente. Aqui a aceitação resume-se em morrer. É o fim, quando não há mais nada para se lutar, independente se as batalhas foram ganhas ou não, independente se a guerra está perdida ou se saímos vitoriosos. É o fim!

Assim tive a impressão que aceitar a vida como ela é, sem querer mudá-la, aceitando tudo sem querer mudar a si mesmo, ou o meio em que vive, aceitar uma vida quase feliz, quase em paz, aceitar tudo do jeito que é sem questionar, sem perguntar os por ques. Aceitar tudo assim tão fácil parece morrer.

Agora quero propor um modelo diferente, não relacionado ao fim da vida, mas sim ao despertar de sua vida, quando tudo começa a fazer sentido, quando a felicidade pode provoca aquele frio na barriga, quando seus olhos se abrem a um mundo diferente, aquele mundo que você escolheu, e não ao qual você foi jogado. E eu chamo de o Modelo do Despertar. Que nada mais é que aplicar o Modelo Küber-Ross ao contrário e em qualquer momento da sua vida.

1. Aceitação
A maioria se encontra neste estágio, tudo vai bem, ela acredita que tudo está certo, não questiona nada, aceita tudo que lhe é imposto e coloca a felicidade dos outros acima da sua. Não pensa em mudar nem a si mesma e nem o ambiente onde está, mesmo que este esteja lhe fazendo mal, e que suas próprias atitudes não a faça se orgulhar de si mesma.

2. Depressão
A pessoa nota que há algo errado, e isso a faz questionar a sua aceitação. Ela não era feliz, mas também não havia tristeza exatamente, porém agora percebe que há algo errado, mas ainda não sabe o que. Sente infeliz, solitária, incompreendida até por si mesma. Mergulha em sofrimento.

[É neste momento que a pessoa terá que decidir se se esforçará a aceitar novamente a realidade em que vive ou se irá lutar para mudar tudo a sua volta. Caso ela desista de aceitar e de lutar será uma pessoa depressiva.]

3. Negociação
Determinada a mudar sua realidade e a si mesma ela começa com negociações, com trocas. Propõe acordos a si mesma, tentando mudar a alimentação, hábitos, e até pensamentos, tenta criar consciência. Com os outros ela tenta mudar as coisas sem entrar em conflitos, se ajustando, tentando não ser radical, tentando negociar de maneira racional.

4. Cólera (Raiva)
Um determinado momento a pessoa irá perceber que não tem disciplina suficiente para mudar seus hábitos e métodos, e que algumas manias teimam em se enraizar. Já as pessoas a sua volta não entendem suas mudanças, a questionam e criticam. Ela se enfurece, a raiva domina sua alma, briga constantemente consigo mesma, e com as outras pessoas.

5. Negação e isolamento
Embora negação e isolamento pareçam duas coisas ruins, não chegam a ser. Em conflito e enfurecida a pessoa se isola pois não é mais compreendida pelas outras pessoas e as constantes brigas a afastam do meio em que vive. Ela começa a achar que todas estas mudanças não servem para nada e que é tudo perdido.

[É neste momento que deve entrar a negação, caso contrário ela irá retroceder ao primeiro estágio, a aceitação.]

Negando que tenha perdido tempo, e que as pessoas estejam certas sobre ela. Negando que não é fraca e que tem o poder de mudar, a pessoa aproveita o isolamento, a solidão, o momento de paz consigo mesma, e começa a refletir seus valores, visualiza quem quer que esteja ao seu lado, e quem não quer. Observa se o que está estudando é aquilo mesmo, se o seu trabalho a satisfaz. Repensa seus comportamentos.

Neste momento a pessoa desperta para vida, não é mais uma pessoa que aceita tudo de cabeça baixa, não aceita mais aquilo que não a faz feliz. A pessoa agora irá repensar seu caminho, o que ficou para trás, para aproveitar a experiência vivida, e para escolher seus novos caminhos, o que será daqui para frente.

Nisso ela afasta as pessoas que não a fazem bem, que não a fazem feliz, e começa a dar valor as pessoas que realmente merecem, que ela realmente as quer em suas vida.

E você? Pronto para o despertar?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnevale

Ela acordou com aquele gosto de cabo de guarda-chuva na boca, característico de uma ressaca daquelas. Era tarde de sábado de carnaval, sua cabeça e seu estomago faziam questão de lhe lembrar que havia exagerado na tequila. Mesmo zonza cambaleando pela casa atras de algo para estourar os miolos que se espremiam com a presença da luz do dia, ela na verdade não conseguia esquecer o sonho que tivera.

E passou o dia todo assim, muita água, aspirina, e o sonho que a fazia suspirar e ficar triste ao mesmo tempo, pois havia espantado aquele rapaz que ficou noites a fio lhe procurando.

Não acreditava nessas histórias de sonhos e seus significados, mas por que ela não conseguia esquecer aquele rapaz?

O dia passou, a noite chegou e a muvuca nas estreitas ruas de sua cidade começaram a fazer cada vez mais barulho. Ainda era sábado de carnaval, mais uma noite para sair pular e beber ÁGUA, não queria outra ressaca daquela no domingo, decidiu que era fraca para tequila.

Vestiu sua fantasia de Colombina, adorava ser clássica, adorava as marchinhas de carnaval, as máscaras discretas. Hoje todos eram tão moderninhos, requebrando até o chão no axé, fantasias espalhafatosas demais, fora os que se fantasiavam de msn, orkut, e todas estas modinhas da internet. Ela não, ela era clássica e simples.



Saiu para encontrar o Arlequim, rapaz musculoso que ela passaria a noite inteira pendurada em seu pescoço... Ele não era de conversar muito, mas e daí?! Era carnaval, não precisava conversar, precisava mesmo de um cabide para segura-la quando estivesse de pileque e não deixasse ninguém se muvucar em cima dela. Pileque... será que ela realmente queria outro pileque? Bem, ele ainda servia como guarda-costas.

Conforme a noite passa ela vai se esquecendo do sonho da noite anterior e vai entrando no ritmo da cantoria na praça da cidade. Dois passinhos pra direita, dois passinhos pra esquerda, repentinamente ela nota um Pierrot sentado com olhar vago na beira do coreto. Ela já havia visto aquele olhar perdido antes, mas onde?

Por alguns minutos ela tentou ignora-lo, mas não dava, queria ver aqueles olhos mais de perto, falou pro cabide que iria dar uma volta e que não a esperasse. Estava tão chapado que se ela sumisse naquela hora ele nem perceberia.

No meio da multidão indo e voltando, ela se afinava entre as pessoas para se aproximar daquele olhar perdido, queria saber se ele a olharia assim como ela o havia percebido. Estava com um certo frio na barriga, fazia anos que ela não se sentia insegura, quem era ele?

Passou uma vez por ele, passou a segunda, na terceira vez ele levantou os olhos e deu de cara com uma Colombina encarando seus olhos cinzas.

- Quem é você? - Perguntou ela sem maiores delongas, quase que colocando o indicador em seu nariz.
- Eu sou o Pierrot dona Colombina, e você deveria estar como Arlequim neste momento. E você? O que faz aqui?
- Porque seus olhos são cinzas? - Ela estava encanada com os olhos do rapaz, não escutava o que ele falava.

Nisso o Arlequim chega meio que dominando o espaço, se colocando a frente.

- Hey ow Cabide, eu estou conversando, não percebeu não? - Ela já fica irritada com a intromissão.
- Como assim Cabide, tá me zoando é guria?

Pierrot já percebe uma pequena briga entre os dois, meio sem entender o que estava acontecendo, Arlequim dá de costas, e ela se volta para o Pierrot.

- E então Pierrot, onde estávamos mesmo?

(...)

[O Autor: Este conto estava parado em meus arquivos desde o carnaval do ano passado, 2010, ele era o projeto para o fim dos contos Cinza e Meia-noite no jardim do bem e do mal, mas não foi isto que virou, virou uma história sem fim, uma história que prefiro que quem leia imagine seu próprio final para ela, existêm tantas possibilidades nesta vida, existêm tantas coisas que cada um faria nesta situação, então coloque-se no lugar dos personagens e imaginem o seu final para isso.]