Projeto Marco ZERO

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Quem foi John - Parte 1

John era um garoto de 11 anos de idade, guri sonhador, estava na quinta série, era calada, tímido, quieto e apaixonado, e acima de tudo invisível.

Para ele era ótimo ser invisível, passava a maior parte do tempo sonhando entre a terceira e quinta carteira da segunda fileira. Nem a professora o notava direito, primeiro porque não abria a boca, segundo porque sempre tinha boas notas. O lugar também era excelente, ele tinha vista direta para Anna Belle, que sentava-se na primeira carteira da ultima fileira, a melhor aluna da classe, o seu melhor sonho era ela.

Talvez a desvantagem de ser invisível também fosse ela, se quer ela sabia da existência dele, tão pouco o quanto ele a amava.

Os poucos amigos que tinha eram assim como ele, excluídos, faziam parte da turma dos rejeitados, estranhos e impopulares, sofriam com brincadeiras maldosas. Mas John não ligava com tanto que não o impedissem de sonhar.

Assim era a infância de John.

Assim... nada mudaria não fosse um sonho que tivera durante as férias de julho, no ultimo dia de férias foi para cama normalmente, no dia seguinte voltaria às aulas, estava ansioso pois voltaria a observar a distância sua bela Belle. Mas naquela noite sonhou que alguém roubara Belle dele, literalmente roubara ela, e a levava embora num trem. John tentou impedir, correu atras e saltou para dentro do trem, porém seu despertar interrompeu o salvamento.

Mesmo que desperto com ternura pela sua mãe estava aflito, via aquele sonho como um sinal. E talvez John estivesse certo, ao chegar na escola um dos rapazes que sempre o atormentava roubou o seu lugar na classe, o empurrando para o fundo onde não podia ficar admirando Anna. E havia um menino novo na classe, vindo de outro bairro que já estava cheio de conversa com Anna. Como podia ele que estudava com ela há 3 anos nunca conseguirá conversar com ela, e este moleque já estava cheio de intimidades.

Seu mundo estava abalado, enquanto ela estava sozinha sob seu olhar estava tudo bem, não havia medo, porém agora além de longe de sua vista estava com alguém em vista. John ficou triste, cabisbaixo, e nas semanas seguintes mudou, fechou-se mais ainda, não ficava nem perto dos amigos, nem dos familiares.

Tentava entender o que estava acontecendo, talvez o anormal que sempre foi não fosse o que queria ser, talvez se fosse alguém normal, talvez, só talvez. Então bolou um plano, falaria com Anna, enfrentaria todas as suas reservas.

O dia do plano foi no meio da primavera, o calor já incomodava um pouco John, estava suando, Anna sempre lavava as mãos quando saia para o recreio, ele sairia antes, já que ficava mais próximo a porta da sala e a esperaria perto das pias.

As mãos de John estava molhadas de suor quando Anna chegou para se lavar, ela nem notou que ele estava ali aguardando ela chegar.

John chamou por Anna, que o olhou nos olhos e ele começou a falar, gaguejando sem se fazer entender. O que John não notou foi que o garoto novo e os outros perceberam ele falando com Anna, e se aproximavam dele sorrateiramente. John também não perceberia que Anna via os outros garotos chegarem e ela não o avisou.

Quando John soltou o "eu gosto de você" foi violentamente puxado para o chão, e levou um soco na boca do estomago dado pelo garoto novo, os outros garotos o levantaram e o jogaram no lixo, no meio do recreio, na frente de todo mundo, na frente de Anna.

Humilhado o pequeno, magrelo e estranho John foi para casa, nem terminou de assistir as aulas daquele dia.

Nas semanas seguintes John andava de cabeça baixa pelos corredores da escola, e sempre era apontado, riam da cara dele, zombavam dele. Estava tão triste em casa que os pais já estavam muito preocupados, e ele vivia pedindo para mudar de escola, falando que não aguentava mais.

No feriado de 12 de outubro seu avô de BH veio visita-lo.

- John, como vai você? Fiquei sabendo que anda meio triste, o que aconteceu?

- Não aconteceu nada vô, só quero mudar de escola, aquela é muito chata.

- E eu quero ir para a Lua porque a Terra é muito quente, conta outra moleque.

John abaixou a cabeça e sorriu, sabia que não poderia enganar o velho tão facilmente, provavelmente ele só veio de BH para tirar essa informação dele.

- Eu era invisível naquela escola, resolvi me declarar a uma menina e agora não sou mais invisível, sou motivo de chacota.

- Então eu trouxe para você o presente certo Jhonny. - o velho tirou um embrulho da sacola que trazia consigo. - Já estragando a surpresa eu te trouxe um livro, um livro muito antigo, um livro mágico.

- E você acha que eu ainda tenho 5 anos né vovô?

- Escuta vai John, não interrompe não moleque. Este livro foi entregue sempre para alguém que precisava ser outra pessoa, leia ele e ninguém mais irá te reconhecer, talvez você não volte a ser invisível, mas com certeza ninguém irá lhe reconhecer depois que você ler este livro. Vai por mim, confia.

John pegou o livro, baixou a cabeça e foi para dentro de casa...


domingo, 25 de dezembro de 2011

Na partida

Desde o primeiro choro iniciamos a essa carreira sem fim, pelo menos que nós gostaríamos que fosse sem fim. A ideia de sempre ter algo a fazer parece que garante um pacto de "não posso ir ainda, olhe as minhas responsabilidades.".

Meus queridos, não é assim que funciona, não importa se você ainda está no colegial, e não tirou carta. Se está para se casar, ou se acabou de ter filho. Se está próximo daquela promoção, ou se acabou de se aposentar e está prestes a usufruir dos frutos de tantos anos de trabalho duro. Se chegou a sua hora, então tudo que está pelo meio está concluído, é a hora de outros tomarem o teu lugar.

Entenda que viemos para este mundo por um tempo determinado, não que você ficará vivo 76 anos, 4 horas, 19 minutos e 34 segundo exatamente. Mas você irá morrer um dia, e acredite, será inevitável, e na grande maioria dos casos irreversível.

Onde eu quero chegar com isso? Deixa que eu explico.

O fato de você ter planos a longo prazo, o fato de você acumular pessoas ao teu lado que dependam de você não fará tua vida ser mais longa. Assim, mesmo que você tenha todos estes planos, mesmo que alguém dependa muito de você, não ache que não pode simplesmente ir embora. Mantenha a alma limpa, a alma de quem até aquele momento cumpriu sua tarefa, e que se algum dia faltar, saberá que o mundo irá retribuir seus esforços dando continuidade e cuidado a tudo que você deixou para trás.

Mantenha isso em mente, pois não irá querer ser aquela pessoa que quando atravessar a penumbra para o outro lado estará indignado achando que tinha muito a fazer ainda. Acredite, mesmo que você não acredite em Deus, ou qualquer outra religião, a tua vida não está em tuas mãos. É melhor partir acreditando que fez tudo o que podia ser feito a viver uma sub-vida por aqui tentando consertar o que não está mais ao teu alcance.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Uma mensagem

Daqui de cima a dor é diferente, olha para baixo e ver como tudo ficou. Não era para ser assim, era? Vocês não aprenderam nada, mas também, nada lhes foi ensinado. Querer que vocês magicamente entendam tudo seria insano. Eu mesmo, enquanto partilhava com vocês de tudo, nada sabia.

Quando cheguei aqui, ainda desorientado, tentava entender se tudo não se era apenas um sonho. Logo que me acolheram pediram para ter calma, que tudo seria esclarecido. Com o tempo fui entendendo o motivo daquilo tudo, porque passar por um período tão grande de ignorância, de sofrimento. A vida não é um presente. Viver sim é um presente.

Engraçado como nem todos tem o direito de viver, mesmo tendo a vida em suas mãos como qualquer um. (se eu fosse vocês refletiria sobre esta frase, iria lhes abrir muitos caminhos)

Vejo vocês aí, familiares e amigos, conhecidos e desconhecidos. Uns estão tão aflitos pelo que há por vir, outros custam acreditar que exista algo para vir.

Seria correto lhes dizer para fazer o certo, para salvar o planeta, para não julgar o próximo, para não ferir aquele que está ao teu lado. Mas não adiantaria de nada, não é para isso que nascemos, nós nascemos para viver, fazer o que tem que ser feito.

Que mensagem tenho para lhes dar? Nenhuma, só venho dizer que aqui as coisas não são mais fáceis, só são diferentes. Cada um de vocês tem uma, ou mais, missões que escolheu, e você não é obrigado a cumprir todas elas, mas seria bom se fizesse. Não é obrigação, é doação.

Boa noite.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pessoas em três: O copo

Para encurtar a história... e então ele encontra um copo preenchido até a metade de água.

... simplistas

Os simplistas são ou otimistas ou pessimistas, julgam de forma simples e rápida. Ah, o copo está metade vazio, então você é um pessimista. Opá, o copo está metade cheio, logo você é um otimista.

Pessoas assim costumam julgar pela aparência, estilo de música, religião, é quase um preconceito para tudo já que tudo na vida pode ser julgado a partir de opiniões aparentes, a partir do que você deixa a mostra.

... observadores

Os observadores já irão ver o copo e tudo a sua volta, perceberão que se o copo está sendo enchido, então ele está quase cheio, se ele está sendo bebido, está quase vazio. Se esta repousando sozinho em uma mesa, então simplesmente está lá.

São pessoas calmas, costumam seguir conforme a musica, sem se precipitar.

... detalhistas

Os detalhistas serão diferentes pois o copo está totalmente preenchido por partículas de água e ar, e entre estas partículas o vazio do cosmo, os neutrinos que transpões a matérias. Pois afinal tudo é mais do que pode se ver.

Adoro os detalhistas pois são excêntricos, divertidos, filósofos espalhados pelo mundo afora cheios de idéias.



E este foi mais um pessoas em três depois de tanto tempo, na verdade seria um post normal se não fosse uma ajuda involuntária de uma pessoa querida, e só por isso o pessoas em três hoje irá um pouco além.



... fotógrafo [BÔNUS]

Bem, o fotógrafo olharia o copo e faria isso...


Direitos autorais da foto inteiramente deste Flickr: http://www.flickr.com/photos/may-cristof/ .

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O príncipe e o (ini)migo

E então o príncipe estava sentado em seu trono, desorientado, perdido, olhando para o nada esperando que a vida fizesse algum sentido. Seu pai havia acabado de falecer. Seu tutor, seu exemplo, seu guia, aquele que o criou para ser homem, para ser gentil, para ser rei, seu grande, verdadeiro e único amigo. Ele não tinha mais ninguém já que sua mãe morrera em seu parto, filho único, único e solitário.

Em alguns dias herdaria o reino, seria rei, tomaria o lugar de seu pai.

Então o silêncio é interrompido por um mensageiro que chega correndo, tropeçando nos próprios pés, arfando, se arrasta pelo salão principal, estava coberto pela lama que havia pela época das chuvas. Chegou aos pés do príncipe e lhe ergueu uma carta selada. Quando o príncipe pegou ele desmaiou de cansaço.

O selo que lacrava a carta carregava a insignia de Dragur, soberano de um reino próximo, sempre amigo de seu pai, lembrava que viviam trocando cartas, e vez ou outra no ano se encontravam para grandes festas que iluminavam o reino onde era feita. Ele já devia saber da morte de seu pai e devia ter enviado a carta com condolências. Rompeu o selo e começou a lê-la...

Caro príncipe Muranir,


Foi com grande pesar que recebi a notícia da morte de teu pai, Tanuir sempre foi um grande amigo, e companheiro em todas as jornadas de minha vida, crescemos juntos e conquistamos muitas coisas juntos. Soube que seria difícil a vida dele sem Elinor, tua mãe, e soube de toda a força que ele fez para te criar. Espero que esta força sirva para que você supere estes tempos de escuridão.


Independente disto, como teu pai é morto, e já não existe mais nada que nos ligue, aviso-te que nossos reinos já não são mais amigos também, assim estou declarando GUERRA e em três dias meu exército estará a frente do teu portão para que possamos conquistá-lo. Espero que esteja preparado para isto pois odeio derrotar inimigos fracos.


Minhas condolências, Dragur.

"Mas que grande filho da puta..." pensou o príncipe, "...amigo do meu pai o escambau, sempre esteve pensando no reino dele".

O príncipe já não sabia o que fazer, mal havia perdido o pai e já teria uma batalha à enfrentar. E eles chegariam bem no dia de sua coroação. Agora já não estava apenas perdido, estava desesperado, aflito. Ele levantou e chamou os conselheiros que serviram seu pai por toda sua vida, aqueles grandes amigos que juraram fazer tudo pelo reino.

Porém ao saberem da notícia aconselharam o príncipe a desistir, abdicar o trono, deixar o reino, salvar sua vida e a vida daquele povo que já estava sem esperanças. Mas Tanuir não havia ensinado isto a seu filho, ensinou a ele coragem e a não desistir. E os conselheiros saíram calados, reprovando a atitude do príncipe, e de lá foram para suas casas, e de suas casa abandonaram as terras de Adjur temendo serem mortos pelo exército de Dragur.

Em três dias Muranir reuniu todo o exército do reino e convocou todo o povo que quisesse lutar prometendo um título de soldado a cada homem ou mulher que levantasse uma espada nesta contenda. E no terceiro dia uma multidão formada por homens e mulheres, uns vestidos com cotas em malha de aço, outros com couro de gado. Todos segurando algo, desde espadas pesadas e lanças até bastões. Todos esperando temerosos uma enorme multidão que se aproximava do reino.

De longe podia-se ver o exército de Dragur como uma correição de formigas prontas para devorar uma toalha de piquenique. Muranir se prostrou firme no pronto mais alto da muralha, bem de frente com o inimigo que avançava.

Quando Dragur chegou no portão do reino, em cima do seu cavalo malhado e olhou para cima Muranir o fuzilou com os olhos e gritou lá de cima.

- Dragur! Você é um covarde por atacar meu reino no momento mais escuro que ele já enfrentou, e um traidor por não honrar a morte de meu pai.

- E você Muranir! - Dragur gritou em resposta. - Aprendeu com seu pai sobre coragem e respeito, e fico orgulhoso disso, assim como Tanuir e Elinor também devem estar olhando lá de cima. E hoje eu vim lhe ensinar a ultima coisa antes de se tornar um rei, assim como seu mai me pediu.

Muranir estacou, não estava entendendo direito, o que Dragur estava querendo, então notou que os soldados de Dragur não traziam armas, mas sim folhes, carnes e bebidas. O príncipe ainda tentava entender, mas Dragur continuou a falar.

- Teu pai me pediu para ensinar sobre como dar valor às pessoas, assim um amigo que mente, que omite coisas de você, um amigo que não te olha nos olhos, um amigo que te abandona, com certeza não é uma boa pessoa. Já um inimigo que é sincero, que te olha nos olhos, mas mesmo assim tem um desafeto por você deve ser respeitado, e com certeza não passará a perna em você, pois todas as suas ofensivas serão claras e ele tentará te derrotar de frente, com honra. Agora cadê os conselheiros de teu pai?

- Eles abandonaram o reino temendo a morte.

- Ora, então é como lhe falei, as amizades fracas tem menos valor do que os inimigos honrosos, como eu que prometi que estaria aqui hoje e assim estou. Porém não para te derrotar e sim para lhe dar o ultimo ensinamento de seu pai. Valorize o sincero, o honrado, o claro, o corajoso. Afeição é importante sim, mas sem os valores que citei, ela não vale de nada. Agora abra para comemorarmos o dia de sua coroação meu filho.

- Mas você veio para tomar meu reino Dragur.

- Largue a mão de ser chorão moleque, ainda não entendeu o que vim fazer aqui?

Muranir sorriu e mandou que abrissem os portões, e mais uma vez aquele reino seria invadido pelas festas e pela nova vida que estava se formando.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A grave gravidade da consciência

Máxima: O medo faz de você o que você é. E você é um medroso.

Uma das características do medo é a negação, aparentemente nós achamos que se negarmos algo de ruim que está para acontecer, ou que já esteja acontecendo, a coisa pode ser que não aconteça. Algo como quando você se esconde no guarda-roupas (não, isso não é um sinônimo para "sair do armário", embora acaba se enquadrando também) esperando que ninguém te perceba lá dentro, e quem sabe nem te achem, e fique tudo bem. Acredite o ganhador do campeonato de esconde-esconde teve que sair para ganhar seu prêmio.

A analogia do título está em que as pessoas acreditam que tomar consciência sobre algo ruim que está para acontecer, ou que já esteja acontecendo, é atrair esta coisa, assim como a gravidade que rege os corpos dispersos no universo. Algo como, se você não sabe, ou não quer saber, então o cometa não irá te atingir, pois sua gravidade não o atraiu, talvez ela nem exista.

E então, quando o inevitável finalmente acontece, BUUUUUMMMMM!!!!!, você nem percebe o que o atingiu, e finalmente está no meio de uma situação que você realmente não queria estar. E o pior, nem preparado você estava para aquilo, já que passou a maior parte do tempo ignorando, e se preocupando em não perceber, em não tomar consciência, não teve tempo de se preparar e pensar num plano B.

O inevitável só é evitável se você agir, pois independente de onde você esconda, quando seu mundo acabar, e o chão faltar sob seus pés, nem seu esconderijo dentro da ignorância dos fatos poderá protege-lo.

PS.:
O blog está de certa forma abandonado pois estou investindo o tempo de criatividade em um projeto BEM pessoal. Mas vira e mexe algum lampejo de criatividade será direcionado para este local à sombra.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A liberdade é um pesadelo


Certa vez eu sonhei que era um lobo em pele de cordeiro
Um lobisomem em pele de humano
Um monstro disfarçado de salvador
E era tão desconfortável viver assim
Porque eu tinha que ser bom!
Por que eu tinha que ser bom?

Imagine fazer o que se quer fazer
Ter o que se quer ter
Pegar o que se deseja
Imagine se sentir bem

Outra vez sonhei que podia voar além das nuvens
Mas para isso tive que me desligar do meu corpo
O pacto com a morte talvez não tenha sido um erro
A liberdade, sedutora liberdade, era mais doce do que imaginava
Sem peso, sem limites, apenas o horizonte

Imagine ir onde se quer ir
Alcançar além da ponta dos teus dedos
Estar em todo lugar
Imagine se sentir bem

Estes malditos sonhos me perseguem
Sempre sendo o que não sou
Enquanto eu finjo ser quem querem que eu seja
E tudo isso não importa
Porque eu só queria me sentir bem

Inspirado pelo vídeo dessa garota aqui


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Stiven

Significado de Stiven (por mim mesmo)
Nome dado a um problema sem solução, problemas deveriam ser todos solúveis, assim um problema sem solução não deveria ser chamado de problema, logo batizei estes tipos de problemas de Stiven (vide este twitt aqui).

Stivens são impossíveis, e o impossível é só questão de opinião, como já dizia Chorão na música Só os loucos sabem, infelizmente não gosto de Charlie Brown Jr., e nem desta musica.

Já semana passada estava conversando sobre fazer além do possível, fazer o impossível. Ora, mas fazer o impossível não é transformá-lo em possível?

Certas coisas são difíceis para o ser humano imaginar: o infinito, a vida após a morte, e o impossível.

O impossível se resume a algo que ninguém nunca tentou fazer, ou algo que ninguém teve sucesso em realizar.

Assim surge um novo dom, o dom de realizar o possível. Estranho não? Mas o dom de realizar o possível para alguns será tão simplesmente um jeito medíocre de falar que ele fez o que ele pode, fora isso estava além do seu alcance, era simplesmente impossível.

Já para outros o dom de realizar o possível será uma aventura, um desafio além do imaginável, este dom é traduzido na capacidade de transformar o impossível em possível, de rebaixar inalcançável tarefa em algo real e realizado.

Para ambos os tipos de pessoas, elas farão tão somente o possível, porém uma fará apenas o que lhe cabe, já outra fará além, concorrendo contra o fracasso e perseguindo o sucesso.

[comecei a escrever este texto ontem, e achei que seria muito difícil termina-lo logo, mas o almoço com a MR hoje me ajudou a refletir e finalizar.]

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Cogito, ergo sum

ou ainda "dubito, ergo cogito, ergo sum", traduzindo "duvido, logo penso, logo existo".


René Descartes proferiu estas palavras ao questionar sua própria existência, e concluiu que ao pensar, agindo assim como ser pensante, existia indubitavelmente. (fonte: Wikipédia)

"Penso, logo existo", toda noite que isto vem a minha mente tenho um entendimento diferente sobre a conclusão de Descartes.

Assim você é o que pensa. Não necessariamente o que pensa ser. Mas você é fruto do seu pensar, dos seus gostos, escolhas, opiniões. Seus pensamentos garantem a você a sua individualidade, liberdade, e tudo aquilo que torna você uma pessoa única.

O pensamento nos torna metamórficos, o que somos hoje pode não ser o que seremos amanha e ainda ser completamente diferente do que fomos no passado. Isso porque os pensamentos mudam. A trajetória da vida faz com que nos adaptemos a toda e qualquer mudança. E muitas vezes coisas físicas e externas não influenciam o que realmente somos.

Assim é para os de origem humilde que cresceram na vida contra toda e qualquer adversidade se transformando em pessoas de sucesso. Ou para aquele de origem nobre que se portam com um espírito pobre. Não importa de onde você veio ou o que você aparenta ser, o que importa é o que você é.

Existem aqueles que vão contra os costumes tradicionais, se vestem e se portam de maneira diferente, tem gostos diferentes e até posições inversas na sociedade. Estas pessoas não são erradas, estas pessoas agem conforme o seu pensar, e assim devem ser respeitadas. Pois toda existência é uma dádiva do universo.

E este é meu manifesto sobre o preconceito, sobre o julgamento insensato e ignorante, sobre a liberdade de escolha. O direito de todo ser vivo acaba exatamente onde começa o do próximo e é neste mesmo ponto onde começa o dever de cada um. Dever de aceitar, de conviver, de deixar existir.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Twenty SEX

Galera, desculpe deixar o blog meio TOTALMENTE abandonado mas estou em uma fase bem atarantada, os gatinhos da Lola e do Nino nasceram e preciso doar, estou em fase final de projeto na empresa, trabalhando com o TCC e fazendo curso intensivo de Inglês. UFA!

E foi neste intensivo que saiu o "Twenty SEX" em um contexto aleatório qualquer, depois disso a teacher soltou um "pode falar do Twenty SEX no seu blog, porque eu sei que você tem um"... ou algo assim.

Pensei comigo "challenge accepted".


Estávamos falando sobre idade, e estou beirando os 30, não faltam nem 2 anos para tal. Posso não ter experiência para falar dos anos que virão, mas os meus 20 anos com certeza serão os meus Twenty SEXY.

Os 10 primeiros anos da minha vida passaram rápidos, de 1 a 4 não lembro de muita coisa, vagas são as memórias daquela época. De 5 a 10 já foi uma vida bem divertida, lembro bem da diversão. De 11 a 15 aquele lance de pré-adolescente, entrando na adolescência, muleque chato do caramba. Dos 16 aos 20 a ansiedade, os 18 anos, carro, mulheres, drogas, e no final descobrir que era mais expectativa do que realização, era necessário maturidade.

Para, para. Pode parar que o pão está assando. E fazer uma analogia com pão foi inevitável (ou não, já que não faz o menor sentido).


A vida até os 30 é igual ao pão caseiro que sua mãe prepara, pelo menos a minha vida.

Do seu primeiro dia de vida dentro da sua mãe até 5 anos são os ingredientes sendo misturados, você ainda não é um pão e nem massa, você é algo indefinido esperando para tomar consciência de si mesmo.

Então a massa começa a ser sovada, e este é você dos 6 aos 12 anos, você irá brincar muito, apanhar muito, se machucar muito, praticamente vai crescer a base da porrada.

E a massa é posta para descansar, e dos 12 você cresce até os 18. Você é um pré-adolescente, depois um adolescente, depois um muleque que acha que é alguém só porque fez 18. É uma massa em crescimento, cheio de reações químicas, fermento agindo. Seus pais tentam cobrir você e deixar num canto para ser se a fase passa. E vai passar, mas tem que esperar.

Aos 19 te colocam no forno, e começa a maturidade, o filhão que era alegria quando nasceu começa a dar o retorno de todo o valor que foi colocado nele no começo, a fase mais crítica passou, o cheio de massa assando no ar é fruto de ter sovado e esperado crescer, assim vai até os 25.

Aos 26 te tiram do forno. Pão bunito, quentinho. Está no auge da forma física, lembrem-se depois dos 25 o metabolismo começa a decair, hehehehehe. Já está estabelecido profissionalmente. Tem maturidade, valores, consciência. E assim vai até os 30.

Os 20 anos devem ser os anos mais sedutores de alguém. Não tenho ideia de como serão os 30, 40, 50 e assim por diante, uma visão diferente talvez, mas os vinte com certeza são sexys (Twenty SEXY).

PS.: Tá, ficou meio zuado, mas foi o que deu para fazer em 30 minutos, e ainda movimentar um pouco o blog.

terça-feira, 31 de maio de 2011

O dia em que morri

Ah! O dia que morri. O dia que morri foi um dia lindo, foi um dia libertador. Era Outono, fui abençoado por ter a última visão de minha vida o Outono.

De repente a dor sumiu, e não eram dores de doença, dores físicas, era a dor da vida, o pranto diário de um parido. O peso em meu pulmão se foi, o aperto no coração, o nó no estomago, a enxaqueca diária, o problemas do dia-a-dia, o tédio, a fadiga, a busca incessante pelo nada, pelo "não sei o quê". Tudo parou, naquele momento o mundo parou por um segundo. Segundo este que pareceram anos.

Meus olhos já sem vida olhavam uma sarjeta, e eu olhava meu corpo ali totalmente imóvel. Respirei aliviado com um único pensamento, "e agora?".

E agora mesmo? Será que tive uma vida boa? Será que meus pecados serão perdoados? Será que me arrependo? E o diabo? Deus? E agora?

A agonia da duvida foi tanta que meu coração deitado no chão bateu mais uma vez. A dor dominou meu corpo, dor esta que eu havia abandonado, como se estivessem despedaçando cada músculo de meu corpo. Não suportei a dor da agonia, meu corpo morreu, novamente, e tudo ficou negro.

Assim como quem acorda de um desmaio, as imagens voltam esmaecidas. Ouço uma voz.

- Acalma-se rapaz, para que tanta dúvida se o pior já passou?

Eu não conseguia responder, eu simplesmente percebi que não tinha mais a habilidade de falar. E a voz continuou.

- Acalme-se, você não conseguirá falar agora porque está em tempo de ouvir. A humanidade passa muito tempo falando, e pouco escuta. Se escutassem mais as coisas seriam tão mais fáceis, simples e organizadas. Por isso mesmo que quando vocês chegam aqui vocês não conseguem falar, porque é hora de escutar.

E assim ele continuou.

- Bem, estas são as últimas horas do seu corpo, você deve acompanhá-lo como uma ultima missão na terra. Tire proveito destes momentos depois voltaremos a nos ver.

E assim foi, passou a tarde e chegou o crepúsculo. Sentado ao lado do meu corpo pude ver tanta gente que há muito não via, tantos rostos conhecidos. As pessoas realmente não entendiam a morte, alguns estavam tristes, outros foram prestar condolências, outros ainda negavam o fato. Gostaria de confortá-los, gostaria realmente de confortar quem eu amava, e que estava lá porque me amava, mas eu não podia, eu não falava.

Foi bom ver todos lá, todos os que foram me ver pela última vez. Sabia que a jornada de muitos deles estava apenas na metade, no começo, ou no fim. Havia gente de todos os tipos.

Resolvi não acompanhar quando me levaram. Na verdade acho que ninguém conhecido deveria ir, é um momento sem necessidade onde colocam abaixo da terra um recipiente vazio.

Todos voltaram às suas casas, e aos poucos o lugar foi esvaziando. Quando todos se foram finalmente comecei minha nova jornada, em silêncio eu deveria caminhar para o sul, até hoje não sei porque, mas sabia que deveria fazê-lo.

Caminhei por muito tempo, sem sentir sono, cansaço, fome, cede, não sentia nada, apenas a vontade de seguir. Era engraçado ao passar por cidades, povoados ou postos de estradas. Eu podia sentir objetos inanimados, móveis, areia, até mesmo o vento, mas tudo que estava vivo simplesmente atravessava meu ser. Alguns animais até percebiam minha existência. Mas acho que vi raríssimas pessoas que se quer notaram minha passagem.

No final do Outono cheguei ao meu destino, uma praia. Lembrei da minha mãe. Lembrei do rapaz que conversou comigo logo que atravessei, ele disse que eu não falaria porque era tempo de ouvir. Nenhuma vez se quer ele conversou comigo em minha caminhada. Mas eu acho que não era disso que ele estava falando. Em silêncio, sem ser notado, pude ouvir o som do mundo, pude ouvir o som da minha alma, pude me ouvir e percebi que nunca havia me ouvido antes.

Passei uma vida inteira ao meu lado e eu nunca me ouvi o suficiente para saber quem eu realmente era. O que realmente eu queria, quais eram meus desejos, minha vontades, meus gostos. Tudo era por instinto. Fiquei triste já que se eu não me ouvi provavelmente não ouvi as outras pessoas. Quantas pessoas fantásticas eu deixei de perceber?

Então a felicidade é isso? Ter plena consciência de si mesmo, escutar o som da vida e do coração, escutar aqueles ao teu lado e saber quem realmente são. Quando o coração escuta não há mentiras.

Deixo aqui esta mensagem para um mundo que deixou de escutar. Não é uma história triste, e também não é uma história alegre. Mas é um ensinamento que vocês deveriam aprender. Aprender a escutar o som da vida, pois se vocês a escutarem tudo acabará bem. Acredite!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Pessoas em três: Preocupadas

Esta é mais uma série do blog #QuebrandoAsRegras que irá falar sobre características de pessoas em três diferentes versões... acompanhe!

O pessoas em 3 de hoje apresenta: Pessoas...

... preocupadas com outras pessoas

As pessoas preocupadas com outras pessoas são as que querem que todos ao seu redor se sintam bem, fiquem a vontade e gosta de vê-las felizes. Não confundam com pessoas baba-ovos. Mas são pessoas fáceis, alegres e que topam quase tudo.
Ela se preocupa se estão todos se divertindo, se estão todos bem, e faz o que pode para que todos entrem em um consenso. Evita brigas e confusões.
E se não deu certo, bem, paciência, essa pessoa fez o que pode. Sensação de dever cumprido.


... preocupadas com o que outras pessoas pensam

Essas pessoas são parecidas com as pessoas acima, só que a intensão é diferente, assim como a sinceridade. Quem se preocupa com outras pessoas visualiza o ambiente, o bem estar comum. Quem se preocupa com o que outras pessoas pensam pensa em si mesmo e o que as pessoas vão pensar dela.
Ela é insegura e precisa de auto-afirmação. Ela é interesseira e busca manipular as pessoas. Não quer estar mal com ninguém, já que vai que precisa da pessoa um dia. Ela é preconceituosa e não quer que outras pessoas a julguem. Mas no final, fazem tudo errado escondido dos outros, e nunca são verdadeiras já que a aparência é o que importa.

... preocupadas com um ponto

E este ponto é o próprio umbigo.
O lema destas pessoas é conquistar. Diferente das outras duas pessoas acima, esta não está nem aí para o que as pessoas pensam, com tanto que saiam ganhando. Harmonia do ambiente? Como vão vê-la? Ora, não importa. Pessoas assim sempre dão o passo maior que a perna, geralmente as únicas pessoas que realmente dão atenção à elas são as que se preocupam com o que as outras pessoas pensam. As pessoas que se preocupam com outras pessoas geralmente desistem de agradar gente assim, já que é muito difícil e exaustivo.
Gente assim nunca aprendeu o ganha-ganha. É sempre eu ganho, você perde, e se eu perco todo mundo irá perder também.
São pessoas que abusam de outras pessoas e quase sempre não são vistas com bons olhos.


E aí? Vocês se identificaram com alguma destas características? Conhecem pessoas assim? Breve mais pessoas em três para você tentar se identificar.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O que é felicidade?

Imagine que no meio de uma noite quieta de outono uma fada lhe acorde tilintando as asinhas em seu ouvido. Você senta e olha para ela assustado. Você percebe que aquele ser pequenino e brilhante segura um frasco tão grande quanto seu corpo. E ela lhe entrega o frasco.

Você olha curioso o líquido azulado que preenche o vidro. A fada chega bem perto do seu ouvido e lhe diz:

- Esta é a poção da felicidade, tome-a, tome toda ela, e durante 24h você será a pessoa mais feliz do mundo pois durante este tempo você terá a felicidade verdadeira.

E a fada some no ar como um soluço.

Ainda sonolento, desorientado, retira a rolha do frasco e sorve o líquido como a fada falou. O mundo começa a girar, o sono arrasta você para baixo, você dorme.

Ao acordar sente-se diferente, estranhamente alegre. Lembra-se do sonho. Puxa que sonho maluco não!? Levanta, toma banho, veste sua roupa de trabalho, abre a porta de casa. Puxa que dia ensolarado!

E de repente você passa o dia mais normal da sua vida, a rotina dentro da rotina, nada mudou, tudo exatamente igual, mas mesmo assim o melhor dia da sua vida. Você simplesmente não entende, mas é realmente o melhor dia da sua vida.

Talvez não tenha sido sonho, talvez realmente tenha acontecido.

Talvez aquele líquido não traga a felicidade, talvez aquele líquido abra os olhos. Abra os olhos para tudo que está à sua volta. Talvez agora você perceba a grandeza da sua vida, família, trabalho, amigos e de tudo o mais.

Mas talvez tenha sido somente um sonho mesmo, mas por que não pensar sobre sua vida agora? Por pior que você acha que esteja: dificuldades, doenças, problemas, tédio, nada importa. Observe a beleza de sua vida. Você vive, e isso já é um milagre que vai contra toda e qualquer estatística. Você deve ter um trabalho, ou um estudo, ou saúde, ou família, ou amigos, ou apenas sua vida. Vocês podem ter uma ou outra coisa, ou todas as coisas juntas, e isso já é uma dádiva. Não importa pois tudo importa.

Pense sobre isso.

Pela enilhonésima vez eu estou assistindo "Tudo acontece em Elizabethtown" e toda vez que assisto este filme um post é escrito.

domingo, 15 de maio de 2011

Jeitinho brasileiro

Eu acho o povo brasileiro um povo engraçado.

O povo brasileiro reclama dos políticos corruptos, mas vota sem sequer saber o histórico do seu candidato. E ainda muitas vezes vende voto, ou ainda o dá de graça à um que lhe é simpático.

Reclama dos políticos ladrões, porém forjam seus ganhos para evitar pagar imposto de renda. Nós que aprendemos com os políticos ou eles que aprenderam com nós?

O povo brasileiro quando vê alguém se dando bem de um jeito ilegal ao invés de denunciar, prefere entrar no esquema.

Eu vejo o povo reclamando dos preços dos CDs e DVDs, e de outros produtos. Daí vão comprar o piratinha financiado pelo tráfico de drogas e armas, ou ainda baixam da Internet, negando aos autores o direito que lhes seria dado, o de ganhar pelo seu trabalho. Uma coisa que aprendi com meus pais, um erro não justifica o outro. Se você não acha o preço justo, não compre e fique sem.

Reclama das altas taxas de impostos, dos preços no mercado, no posto, na loja. Mas você não sabe porque aqueles preços estão assim, sequer tentou entender. O que acontece para a gasolina e o álcool subir tanto? Por que o preço do feijão e do arroz? Acha injusto, simplesmente por achar. E cria movimentos vazios, protestos sem fundamentos, e sem base legal. Acha que rebeldia irá mudar o mundo. no final desiste e fica sentando no seu sofá no fim de semana reclamando.

Estes protestos merecem mais um parágrafo. Como assim vamos protestar? Vamos todos parar de abastecer os carros para causar uma crise dentro da crise do combustível. Vamos parar de usar a energia elétrica pois está muito cara. Vamos parar de tomar banho pois a água está um absurdo. Aproveita que você não vai também usar o ônibus, pois o preço do transporte público está pela hora da morte, e nem vai trabalhar. Oras, já que você está protestando sobre tudo, e está tudo caro, você não precisará de dinheiro para gastar.

Eu proponho diferente. Eu proponho um protesto as avessas. Vamos comprar tudo de forma legal, pagar todos os impostos. Vamos parar com o jeitinho brasileiro, e ferrar a industria da pirataria e contrabando. Assim poderemos chegar para o governo e falar "pronto, agora estamos fazendo tudo certo, é a vez de vocês.". E aí? O que acharam?

Lógico que eu também não faço tudo certo, que eu também sou brasileiro, mas isso não me impede de ter opinião e idéias, isso não me impede de tentar melhorar e de pensar em como a vida seria se as coisas fossem diferentes.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ressaca Moral


Fatalmente este blog cairia neste tema algum dia. Algo que por muitas vezes açoitou este que vos escreve.

Recomendo ler ao som de Pitty - Trapézio



Depois de desbravar os mares da embriaguez psicolibertina, da sensação que tudo pode ser feito, de que tudo pode ser dito sem consequência, sem revanches, sem vingança, sem que tudo fique gravado a ferro e fogo na mente de alguém. Depois de mandar sua consciência, literalmente, tomar no cu. Depois de esquecer que você é apenas mais um mortal a caminhar na terra. Abrir os olhos e sentir o fel sabor da ressaca moral é só o que resta.

Esta ressaca não tem nada a ver com ingestão de álcool ou de qualquer droga lícita ou ilícita, embora muitas vezes esteja associado com a liberdade que tais químicas nos afloram. A ressaca moral é o arrependimento de atos impensados realizados quando estamos em completa euforia, momentos de ira, ou qualquer coisa inconsequente que você esteja certo de que fará, e fez.

Resultado: quando você se tocar da merda que fez tudo irá desmoronar.

Como tudo na vida no começo você irá negar tudo que fez, depois você irá sentir raiva do que fez, vai querer voltar atrás, vai se odiar, vai pensar em um jeito de consertar toda a merda, e depois vai aceitar que a merda foi feita, e já era. Atos e palavras jogadas ao vento nunca voltarão, e aprendemos isto sempre do jeito mais difícil. Aprendemos que por mais que a cola seja boa, depois que quebrou nunca ficará igual.

A famosa receita: gatorade, banana, engov e eno não irá lhe salvar desta.

Então o que fazer?

Agora o jeito é pedir desculpas. É deixar as coisas rolarem. É assumir o que se falou doa a quem doer, afinal se você não dissesse alguém algum dia diria. Se você não fizesse talvez se arrependesse no futuro de não ter feito. Se não acontecesse como iria saber?

E no final a vida é sempre assim:

Nada é imperdoável, tudo depende de alguém se arrepender, e de alguém querer aceitar uma alma arrependida.

Ninguém é obrigado a aceitar um pedido de desculpas também, não importa o quanto você não teve a intenção, você fez.

A vida muda, vira e mexe ela muda, e você tem que se moldar com as mudanças, as vezes uma boa ressaca moral obriga você a se mexer e a mudar. E isso vai ser bom, só depende de como você se comportar daqui pra frente.

Algumas ressacas separam pessoas, outras unem pessoas, só depende do quanto estas pessoas sem um objetivo em comum, de quanto estas pessoas têm em comum.

É errando que se aprende. Sem mais!

Ao som de http://www.stereomood.com/mood/lonely

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Suerte

Você já deve ter lido "O Segredo" ou "A Lei da Atração", não? Assistido ao filme? Leu a bíblia? Tá, então você já foi à missa, ou à algum culto, já foi orientado pelo seu pai, mãe, avô, avó, por alguém? Qualquer coisa, qualquer religião, não importa.

Por que estou falando isso? Por causa da sorte! Ou karma, destino, acaso, energia, universo, ou seja lá como você chame isto. Não importa a cultura, religião ou há quanto tempo isto foi mencionado, sempre nos ensinaram que devemos pensar positivo, que devemos afastar os maus pensamentos.

O que move o mundo é a intenção. Não vivemos em um mundo que se move de acordo com o tempo, não estamos em um mundo regido pelo dinheiro, não é o chão que está sob nossos pés. Tudo o que há, tudo o que tem valor, tudo o que somos são intenções. Apenas intenções. O que pensamos, o que desejamos, o que nos mete medo, o que nos faz sorrir.





Tudo é atraído pela nossa mente, não importa o que você deseja perto ou longe, não importa o que você quer para si, que deseja aos outros, ou que quer se livrar logo, tudo virá até você. E este é "O Segredo" ou "A lei da atração", ou mesmo quando alguém fala para você não desejar aos outros o que não deseja a si mesmo. Tudo isto virá para você conforme você desejou, conforme você temeu, e não importa com qual das intenções, mas a intenção de pensar, no momento que aquilo surgir na sua mente aquilo irá lhe rodear, e quanto mais forte você pensar mais irá se concretizar até o ponto que o pensamento irá se chocar com a realidade e a realidade será o seu pensar.

E então explicando minha teoria para minha mãe ela me questionou por que todos não ganham na mega sena ou qualquer coisa do gênero? Ora, porque nada se cria, nada brota do absoluto nada e surge como uma bola de lã no universo. Você atraí (ok, usei a merda da teoria da lei da atração, eu não li o livro, e nem o segredo, essa coisa de auto-ajuda não é comigo, mas enfim), e se todos pensarem a mesma coisa irão cada um atrair estas coisas para si, e como num cabo de guerra ou ganha quem puxar mais forte ou ganha quem estiver do lado onde o cabo arrebentou mais perto. Por isso quando grupos de pessoas se juntam com um interesse em comum as coisas acontecem, pois são muitas pessoas desejando a mesma coisa e focando em um único resultado, diferente da mega sena onde todos desejam a mesma coisa mas cada um foca o desejo somente em si.

E heis o segredo dos milagres que atraiam multidões, mas na verdade nunca foi o milagre que atraiu multidões, e sim as multidões que realizaram feitos impossíveis, pois todos esperavam e desejavam o milagre numa massa magnética gigantesca.

E assim como as grandes coisas, as pequenas coisas também são atraídas por você. Tem gente que sempre acha uma moeda na rua, ou alguma nota. Tem gente que toda vez que entra em uma fila ela irá demorar mais que as outras. São aqueles pensamentos diários de "por favor, hoje a fila do banco precisa ser rápida", e o seu medo ou raiva da fila deixa ela lenta ou extensa.

Proposta da noite, mude seus pensamentos, elimine a raiva, pense somente coisas positivas, pense no bem comum, seja uma pessoa boa, renovada e diferente. E se conseguir isso, me ensine. Porque é FODA!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Cinco estágios para a vida (despertar)

Algum autor, do qual não me recordo, dizia como a vida em si já era irônica o suficiente, pois no momento da vida em que temos maior força, grandeza física e disposição nos falta experiência para aproveitarmos o máximo dela, no auge do nosso corpo, nos falta conhecimento. E ao longo da vida adquirimos este conhecimento e a experiência, então, quando estamos no auge de nosso conhecimento e experiência, nos falta força, grandeza física e disposição para aproveitarmos tudo que sabemos.

Logo, como uma ampulheta, temos um milésimo de vida para aproveitar o melhor da experiência com o melhor do físico, onde em ambos os recipientes há a mesma quantidade de areia. Pois logo a experiência enche, a via se esvai.

Para o fim da vida cinco estágios são apontados pela psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Nesta mesma ordem, chama-se Modelo Kübler-Ross.

Foi então que a palavra aceitação tilintou em minha mente. Aqui a aceitação resume-se em morrer. É o fim, quando não há mais nada para se lutar, independente se as batalhas foram ganhas ou não, independente se a guerra está perdida ou se saímos vitoriosos. É o fim!

Assim tive a impressão que aceitar a vida como ela é, sem querer mudá-la, aceitando tudo sem querer mudar a si mesmo, ou o meio em que vive, aceitar uma vida quase feliz, quase em paz, aceitar tudo do jeito que é sem questionar, sem perguntar os por ques. Aceitar tudo assim tão fácil parece morrer.

Agora quero propor um modelo diferente, não relacionado ao fim da vida, mas sim ao despertar de sua vida, quando tudo começa a fazer sentido, quando a felicidade pode provoca aquele frio na barriga, quando seus olhos se abrem a um mundo diferente, aquele mundo que você escolheu, e não ao qual você foi jogado. E eu chamo de o Modelo do Despertar. Que nada mais é que aplicar o Modelo Küber-Ross ao contrário e em qualquer momento da sua vida.

1. Aceitação
A maioria se encontra neste estágio, tudo vai bem, ela acredita que tudo está certo, não questiona nada, aceita tudo que lhe é imposto e coloca a felicidade dos outros acima da sua. Não pensa em mudar nem a si mesma e nem o ambiente onde está, mesmo que este esteja lhe fazendo mal, e que suas próprias atitudes não a faça se orgulhar de si mesma.

2. Depressão
A pessoa nota que há algo errado, e isso a faz questionar a sua aceitação. Ela não era feliz, mas também não havia tristeza exatamente, porém agora percebe que há algo errado, mas ainda não sabe o que. Sente infeliz, solitária, incompreendida até por si mesma. Mergulha em sofrimento.

[É neste momento que a pessoa terá que decidir se se esforçará a aceitar novamente a realidade em que vive ou se irá lutar para mudar tudo a sua volta. Caso ela desista de aceitar e de lutar será uma pessoa depressiva.]

3. Negociação
Determinada a mudar sua realidade e a si mesma ela começa com negociações, com trocas. Propõe acordos a si mesma, tentando mudar a alimentação, hábitos, e até pensamentos, tenta criar consciência. Com os outros ela tenta mudar as coisas sem entrar em conflitos, se ajustando, tentando não ser radical, tentando negociar de maneira racional.

4. Cólera (Raiva)
Um determinado momento a pessoa irá perceber que não tem disciplina suficiente para mudar seus hábitos e métodos, e que algumas manias teimam em se enraizar. Já as pessoas a sua volta não entendem suas mudanças, a questionam e criticam. Ela se enfurece, a raiva domina sua alma, briga constantemente consigo mesma, e com as outras pessoas.

5. Negação e isolamento
Embora negação e isolamento pareçam duas coisas ruins, não chegam a ser. Em conflito e enfurecida a pessoa se isola pois não é mais compreendida pelas outras pessoas e as constantes brigas a afastam do meio em que vive. Ela começa a achar que todas estas mudanças não servem para nada e que é tudo perdido.

[É neste momento que deve entrar a negação, caso contrário ela irá retroceder ao primeiro estágio, a aceitação.]

Negando que tenha perdido tempo, e que as pessoas estejam certas sobre ela. Negando que não é fraca e que tem o poder de mudar, a pessoa aproveita o isolamento, a solidão, o momento de paz consigo mesma, e começa a refletir seus valores, visualiza quem quer que esteja ao seu lado, e quem não quer. Observa se o que está estudando é aquilo mesmo, se o seu trabalho a satisfaz. Repensa seus comportamentos.

Neste momento a pessoa desperta para vida, não é mais uma pessoa que aceita tudo de cabeça baixa, não aceita mais aquilo que não a faz feliz. A pessoa agora irá repensar seu caminho, o que ficou para trás, para aproveitar a experiência vivida, e para escolher seus novos caminhos, o que será daqui para frente.

Nisso ela afasta as pessoas que não a fazem bem, que não a fazem feliz, e começa a dar valor as pessoas que realmente merecem, que ela realmente as quer em suas vida.

E você? Pronto para o despertar?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnevale

Ela acordou com aquele gosto de cabo de guarda-chuva na boca, característico de uma ressaca daquelas. Era tarde de sábado de carnaval, sua cabeça e seu estomago faziam questão de lhe lembrar que havia exagerado na tequila. Mesmo zonza cambaleando pela casa atras de algo para estourar os miolos que se espremiam com a presença da luz do dia, ela na verdade não conseguia esquecer o sonho que tivera.

E passou o dia todo assim, muita água, aspirina, e o sonho que a fazia suspirar e ficar triste ao mesmo tempo, pois havia espantado aquele rapaz que ficou noites a fio lhe procurando.

Não acreditava nessas histórias de sonhos e seus significados, mas por que ela não conseguia esquecer aquele rapaz?

O dia passou, a noite chegou e a muvuca nas estreitas ruas de sua cidade começaram a fazer cada vez mais barulho. Ainda era sábado de carnaval, mais uma noite para sair pular e beber ÁGUA, não queria outra ressaca daquela no domingo, decidiu que era fraca para tequila.

Vestiu sua fantasia de Colombina, adorava ser clássica, adorava as marchinhas de carnaval, as máscaras discretas. Hoje todos eram tão moderninhos, requebrando até o chão no axé, fantasias espalhafatosas demais, fora os que se fantasiavam de msn, orkut, e todas estas modinhas da internet. Ela não, ela era clássica e simples.



Saiu para encontrar o Arlequim, rapaz musculoso que ela passaria a noite inteira pendurada em seu pescoço... Ele não era de conversar muito, mas e daí?! Era carnaval, não precisava conversar, precisava mesmo de um cabide para segura-la quando estivesse de pileque e não deixasse ninguém se muvucar em cima dela. Pileque... será que ela realmente queria outro pileque? Bem, ele ainda servia como guarda-costas.

Conforme a noite passa ela vai se esquecendo do sonho da noite anterior e vai entrando no ritmo da cantoria na praça da cidade. Dois passinhos pra direita, dois passinhos pra esquerda, repentinamente ela nota um Pierrot sentado com olhar vago na beira do coreto. Ela já havia visto aquele olhar perdido antes, mas onde?

Por alguns minutos ela tentou ignora-lo, mas não dava, queria ver aqueles olhos mais de perto, falou pro cabide que iria dar uma volta e que não a esperasse. Estava tão chapado que se ela sumisse naquela hora ele nem perceberia.

No meio da multidão indo e voltando, ela se afinava entre as pessoas para se aproximar daquele olhar perdido, queria saber se ele a olharia assim como ela o havia percebido. Estava com um certo frio na barriga, fazia anos que ela não se sentia insegura, quem era ele?

Passou uma vez por ele, passou a segunda, na terceira vez ele levantou os olhos e deu de cara com uma Colombina encarando seus olhos cinzas.

- Quem é você? - Perguntou ela sem maiores delongas, quase que colocando o indicador em seu nariz.
- Eu sou o Pierrot dona Colombina, e você deveria estar como Arlequim neste momento. E você? O que faz aqui?
- Porque seus olhos são cinzas? - Ela estava encanada com os olhos do rapaz, não escutava o que ele falava.

Nisso o Arlequim chega meio que dominando o espaço, se colocando a frente.

- Hey ow Cabide, eu estou conversando, não percebeu não? - Ela já fica irritada com a intromissão.
- Como assim Cabide, tá me zoando é guria?

Pierrot já percebe uma pequena briga entre os dois, meio sem entender o que estava acontecendo, Arlequim dá de costas, e ela se volta para o Pierrot.

- E então Pierrot, onde estávamos mesmo?

(...)

[O Autor: Este conto estava parado em meus arquivos desde o carnaval do ano passado, 2010, ele era o projeto para o fim dos contos Cinza e Meia-noite no jardim do bem e do mal, mas não foi isto que virou, virou uma história sem fim, uma história que prefiro que quem leia imagine seu próprio final para ela, existêm tantas possibilidades nesta vida, existêm tantas coisas que cada um faria nesta situação, então coloque-se no lugar dos personagens e imaginem o seu final para isso.]

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O paladar do vinho

Algo que aprendi enquanto minha irmã fazia aulas sobre vinho foi que não existe vinho bom ou ruim. Não é porque ele é doce, porque é feito de uvas de variedade desconhecia, porque é de uma marca desconhecida ou porque é barato que não é bom.

O que define se um vinho é bom ou ruim é quem o toma. Por mais que inventem padrões de qualidade, não é só porque dizem que é bom que você será obrigado a gostar.

Mas ao contrário do que eu penso, muita gente por aí tentar impor estes padrões. Padrões sobre vinho, marca, moda, etc.

Não seria mais fácil cada um ser o que é ao invés de tentar seguir padrões como se fossem um rebanho?

Concordo que traçar linhas é necessário, mas essas linhas deveriam ser usadas para que possamos definir nossos gostos e não para ditar nossa conduta.

Post escrito dá sala de espera de um hospital.

PS.: preciso de um 3G urgente


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A família que você escolhe

Algo que trago comigo desde que nasci, acho eu, é o conceito de família. Família é compartilhar momentos, compartilhar sentimentos. Com a família você compartilha alegria, vive histórias, suporta, apoia. Família é a base que te faz crescer, é quem te ajuda nos momentos difíceis, e quem está lá quando se precisa. E o melhor de tudo, a família não faz isso só porque é família, mas a relação é tão grande que a família está lá naquele momento porque está tão envolvida que toma o que ocorre como se fosse dela. E essa foi a família que você escolheu.

Sim, não estou falando de amigos, estou falando de família mesmo. Não é só porque você tem uma relação de sangue que você chama a pessoa de família, não importa a proximidade. Família é escolha, não imposição. A vida não impõe a você estar próximo a alguém que você não quer, ou próximo de alguém que não se importa ou que não quer se envolver. Nem a vida impõe e nem Deus (para os religiosos), pois Deus deu o livre arbítrio (está na bíblia, para os cristãos) para que você fizesse suas próprias escolhas, e assim seguisse seu rumo como acha melhor, e aceitar as consequências de suas escolhas.

Por que estar perto de alguém e se importar com alguém que não se importa com você ou com sua história, com alguém que não se envolve com sua vida? Me pergunto isto quase todos os dias nos últimos 10 anos. E até hoje não achei propósito e nem razão.

Quase que o meu conceito de família é igual ao de amizade, embora amizade muitas vezes sejam bem mais passageiras, é bem mais difícil que pessoas que se encontram no meio de uma jornada fiquem próximas por toda a vida. Então aprendi que família permanece por mais tempo, perdura por mais tempo. Mas percebo que as vezes ela cede. Outras vezes só um lado se importa então a ligação nunca foi real. Alguém se ilude, alguém se decepciona.

Então a família é quem você escolhe para ser família, e também deve ser escolhido, a família é algo em duas vias, é ida e volta, é dar e receber, é cobrar e ser cobrado. Nunca seja família de alguém que não te dá suporte e nunca seja família de alguém que você não irá suportar.

Hey família, tô contigo e não abro!

Atualização antes de postar:

Eu escrevi este texto ontém, mas não publiquei, senti que havia algo acontecendo e que eu deveria esperar que acontecesse, fui impedido por um sexto sentido, por uma força. Então eu esperei. E algo aconteceu, o que não vem ao caso, pois o caso é muito pessoal.

Família as vezes não precisa estar junta, unida para ser família. As vezes família está sempre lá, num segundo plano, pronta para o que acontecer, como se Deus a colocasse lá para momentos específicos, para planos maiores. Percebo hoje que a presença física as vezes não é necessária para que você mantenha as pessoas perto do coração. Espero que para aqueles que não sou presente que eu possa cumprir a minha parte na vida deles.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Abismo

Bendita pedra no meio do caminho, vira e mexe nesta estrada da vida, camuflada entre ervas daninhas no meio do caminho, tropeço nela. Com o trupicão uma explosão de adrenalina invade meu corpo, meu coração bate tão forte e tão rapido que acompanho lentamente minha queda até o chão. Mãos arranhadas e o rosto perfurado pelo pedregulho do caminho. DOR.

Ainda a dor, o susto e a agitação, me levanto, bato a terra do corpo, continuo a caminhar. Cair não é o problema, com tanto que se levanta e continue. Talvez você precise se sentar e esperar a tremedeira passar, mas sempre levante e continue.

O problema nunca foi esse, o problema é o que me ocorre de tempos em tempos. Muitas vezes a estrada é formada de um lado por uma grande muralha rochosa que vai além das nuvens, e do outro lado um abismo que não tem fim, pelo menos nunca o vi. Tomar cuidado ao caminhar por esta estrada é a principal tarefa. Mas a pedra, invisível aos olhos está sempre lá, esperando para ser o obstáculo.

Tropeço, conforme meu corpo se desprende do chão em queda livre meu cérebro injeta adrenalina em meu corpo aguçando todos os meus sentido. Meu coração bate como o de um beija-flor, cada segundo são horas, e percebo tudo ao meu redor, espero a dor do impácto, e vejo o chão passar por mim, ele se foi.

Meu corpo mergulha na escuridão do abismo como se salta-se para a água, meu coração bate mais forte, o ar me sufoca. A euforia se torna pânico, o tempo volta ao normal, meu corpo cai. A muralha se torna um borrão. Tento me agarrar na rocha e minhas mãos se ferem. A dor arrebate minha consciência. O vento atravessa meu corpo imóvel como se fosse uma pedra lançada para baixo.

Acordo, ainda caindo, não tinha fim, sabia. Achei que acordaria como se acorda quando se está sonhando e caimos, mas não, ainda estou caindo, tento mais uma vez me segurar, com mais cuidado, é impossível. Até quando vou cair? Quando morrerei? Quando vou desistir?

Quanto mais eu tento me segurar em algum lugar mais fico distante de tudo. Menores são as chances. Passam-se horas, dias, meses, anos. Minha consciência não me deixa, tão pouco minha alma, porém já não sinto mais nada, já não sei quem sou. Perco a identidade e acabo me tornando muitos. A solidão enlouquece. Sou várias partes de um vazio, caindo, esperando um dia acordar ou chegar ao fim do abismo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Lugar certo mas intenção errada

As pessoas vão aos lugares com a intenção errada já. Vão a baladas, jogos, bares com a vontade de brigar. Vão a igreja querendo paquerar. Vão a escola para vadiar. Pior ainda aqueles que que vão trabalhar por 30 anos de sua vida sem ao menos um dia querer realmente ter estado lá.
Assim fica a pergunta: para que as coisas aconteção realmente do jeito certo em nossas vidas não seria importante estarmos no lugar certo com a intenção certa?
Você está realmente fazendo o que quer fazer? Realmente está onde quer estar?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cadê a luz?

Hoje em dia vejo tantas pessoas procurando uma luz que se esquecem de apertar o interruptor, algumas pessoas nem sabem onde ele está. Há outras que sabem onde o interruptor está, mas tem medo de acender a luz, visto que ao iluminarem o cômodo podem não gostar do que estão vendo ou tem medo de ver a verdade. Muita gente acha que ao acender a luz terá que enfrentar um demônio que a acompanha, mas não a toca enquanto não a vê.

O que será que você irá ver quando a luz se acender?