Projeto Marco ZERO

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Das coisas que me incomodam....

A que mais me incomoda é você.
Sim, você meu caro amigo.

Me incomoda esse teu jeito de não decidir o que quer.
Só é feliz quem sabe o que quer?
Pobre de mim.
Para de pensar pra ser feliz.
Me incomoda essa tua busca pela felicidade plena.

Felicidade plena não há.

A felicidade mora dentro de você. Dentro de mim.
Está no ar que eu respiro, na chuva que tomo a caminho do trabalho. No sorriso do estranho que passa na rua, na criança que sorri para mim no ônibus.

Para achar a felicidade, goste de você. Esqueça seu trabalho, suas obrigações, seus problemas.

Tire um dia para você.
Cuide de você.



Acorde na hora que quiser, fique de pijama o dia todo. Assista desenho na tv. Coma tua comida favorita. Devore uma barra de chocolate, sem culpa!

Vá caminhar.

Experimente sorrir. É. Sorria a toa. Para todos! Não, não é maluquice. Seu sorriso trará outros sorrisos à tona. E isso não é loucura.

Acorda. Tua vida está esperando para ser vivida.

Feche os olhos... Sonhe.

Livre-se das coisas que não te fazem bem.

Você é o seu próprio templo, tua própria igreja.
Converse com DEUS. Ele te ouve. Ele te acolhe.

E quando o seu dia acabar, e estiver outro dia logo ali, pronto pra começar, respire fundo e pense: Acordei hoje, para ser feliz!



Escrito por: Maria Rita Piratelli
Twitter: @meninacomsono

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Injustiça

Então estava eu lá, deitado no colchão, no meio da noite, dormindo como qualquer outra pessoa normal naquele horário. Então sonhos sombrios começaram a atrapalhar meu descanço, algo me incomodava e eu acordei...

Tão terrivel quanto um filme de terror três entidades estavam próximos a minha cama, me olhando, em encarando, esperando que eu respondesse algo, esperando que eu acordasse. Numa reação súbita eu me sentei e ententei entender o que estava acontecendo.

Estranhamente me lembrei de quando eu era criança, lembrei que eu tinha medo de dormir, era um medo diferente, era um medo inocente, eu dormia sem saber como se faz para dormir e tinha medo de não saber acordar também. E se eu esquecesse como se acorda? Eu morreria? Para onde eu vou quando eu durmo? E se eu não achar o caminho de volta?

Bem, como eu disse era um medo inocente, era um medo de entrar em um mundo desconhecido e não saber como voltar. Toda noite, enquanto eu fui criança, eu tive este medo. Com o tempo o medo foi passando, e eu fui esquecendo estas questões, mas vez ou outra eu ainda me deparava com elas. E agora eu estava lá, acordado no meio da noite, com três estranhos me encarando.

Um deles, vestido como palhaço, abre um sorriso olhando para o que estava ao seu lado direto e diz "ele acordou, ele acordou!" de uma forma bem animada, se virou para mim, me encarou com uma cara de duvida, se inclinou olhando bem nos meu olhos e perguntou:

- Hum.... Vamos jogar poker? Estavamos esperando você acordar!!!

Num impulso levantei, meio zonzo, cambaleante, olhei para tras, e quando vi minha cama percebi que ainda estava dormir nela, mas eu estava em pé, como se faltasse ar e tudo começasse a girar olhei para frente, para o lado, para cima e meu corpo se jogou para tras. Antes que pudesse alcançar o chão sentei-me na cadeira atras de mim. Agora estava sentado em uma mesa de poker, a mesa era octagonal, cor de mógno, com uma lampada de 40 watts iluminando o lugar todo escuro.

A minha frente estava o palhaço triste, com sua lagrima pintada no olho direito, a minha esquerda um personagem negro e sem rosto, mas com um belo sorriso e a direita uma mulher com um rosto todo embaçado.

O baralho estava na mão do palhaço, todos tinham fichas e as rodadas seguiam quietas, mudas.

Ora, a cada rodada aquele palhaço em incomodava mais, eu não podia fazer mais nada, já não estava no meu quarto, só me restava jogar. Aquele quarto escuro hora me deixava claustrofóbico, hora parecia uma mesa de poker solta na escuridão do universo.

Então, em uma unica rodada de sorte aquele ser circense tira o personagem negro e a mulher de rosto embaçado do jogo, e olha para mim com um sorriso de satisfação fantasmagórica. Sorrindo apenas com o lado direito ele quebra o silêncio.

- Agora que as crianças sairam do jogo, Gustavo, agora podemos jogar de verdade, não sei se reconheceu mas este do seu lado direito é sua Sombra, aquele que lhe acompanha diáriamente mesmo quando as luzes não o exibem. E esta do seu lado direito é a solidão, que lhe faz visitas inesperadas causando as vezes incomodo outras vezes conforto.

- E você? Quem é você palhaço? - eu perguntei já suando frio...

- Eu sou o que todo palhaço é, eu sou a Tragédia. Mas isso não importa, agora só estamos nós 2 no jogo, e agora teremos nosso All-In. A proposta é a seguinte: Se você ganhar vc fica com sua Sombra e eu levo a Solidão embora comigo, se você perder eu levo sua Sombra e você fica com a Solidão. O que acha da proposta?

- Se eu ganhar eu fico com o que é meu e você fica com o que provavelmente deve ser seu, e se você ganhar nós trocamos? Não entendi onde eu ganho nessa.

O  palhaço abriu um sorriso se gargalhada, mas se conteve, respirou fundo e continuou...

- Acho que você não entendeu Gustavo, eu sou a Tragédia, eu te acordei esta noite porque eu cheguei para você. Eu sou a tragédia que irá acometer sua vida esta noite. Se você ganhar o jogo eu irei embora e levarei a Solidão comigo, se você perder você ficará com a Solidão, o que já é ruim, mas eu irei embora, se você não jogar tudo ficará igual, você terá sua Sombra, e Solidão tomará o rumo dela, porém eu não irei embora, eu ficarei, e cairei sobre você esta noite.

O terror se apossou de mim naquele momento, eu cai em um redemoinho de pânico, estava frente a algo que eu não entendia, mas sabia que seria terrível.

O palhaço distribuiu as cartas, duas para mim, duas para ele, queimou a primeira virou as três seguintes... não havia mais apostas, desistir não era opção, eu não tinha coragem de olhar as minhas cartas, eu não entendia o que havia virado na mesa.

O palhaço olhou para mim, queimou mais uma carta, virou a próxima, olhou para a Solidão, queimou carta seguinte, olhou para minha Sombra e virou a ultima carta.

Naquele momento, ao ver a ultima carta aberta na mesa, um As de ouro, eu comecei a pensar o que eu faria se a Solidão me acompanhasse a vida toda, e também, com as 2 cartas em mãos eu poderia simplesmente desistir do jogo e enfrentar a trágico fim daquela noite pavorosa.

Ainda em pânico, mas decidido a não aceitar o que aquele verme cômico havia me proposto, e sem sequer ver as cartas que estavam em minhas mãos, movido pela furia de me sentir incapaz de alterar a realidade, segurando forte eu virei a mesa contra o palhaço funesto.

- Seu idiota o que fez? - Disse o palhado me olhando do chão com a boca sangrando.

- Ganhei o jogo, virei a mesa, agora suma daqui e leve esta mulher embora.

- Você não ganhou o jogo, você não sabe jogar. - Ele disse enquanto a Solidão o ajudava a se levantar.

- Palhaço a vida é minha, o jogo é meu, as regras são minhas, você jogou com a pessoa errada. A vida é injusta, mas desta vez ela foi injusta a meu favor, vá embora. Sombra, vamos, não temos mais nada o que fazer aqui.

E assim ficou o palhaço apoiado pela Solidão e eu seguindo pela escuridão em busca de minha cama...