Projeto Marco ZERO

terça-feira, 30 de março de 2010

Pessoas Substitutas

Título copiado da frase do filme Tudo Acontece em Elizabethtown
Claire: Você e eu temos um talento especial, e eu percebi isso imediatamente!
Drew: Diga-me.
Claire: Nós somos pessoas substitutas...




E assim que vi este diálogo percebi que no mundo existem vários tipos de pessoas, mas existe um grupo de pessoas com um dom especial de serem pessoas substitutas. Pessoas que preenchem lacunas na vida de outras pessoas, que preparam esta pessoa para a chegada de alguém, apoiam durante a ausência de alguém, ou ainda ajudam alguém a atravessar uma fase.

Mas como saber se você é uma pessoa substituta? Bem, existem algumas considerações que você deve pensar sobre:

  • Você se sente confortável com a solidão?
  • Frequentemente as pessoas lhe procuram pedindo ajuda ou conselhos?
  • As pessoas geralmente se apoiam em você e você se torna um porto seguro em um momento difícil, e você ajuda a pessoa a superar aquela fase? E depois que aquela fase difícil passa essa pessoa se vai.
  • As pessoas dizem que são seus melhores amigos, mas você nunca é a primeira opção na vida daquelas pessoas?
  • Você é impossível de ser esquecida, mas difícil de ser lembrada?
  • Frequentemente você se encontra só esperando que algo aconteça?
  • Você não consegue passar muito tempo dentro de um relacionamento, e tem pequenos relacionamentos com muita intensidade no começo que se apagam como uma vela ao vento?

Bem, se você respondeu "sim" a todas as questões acima não quer dizer que você seja uma pessoa substituta, existe uma questão essêncial ainda. A questão que uma pessoa substituta sabe que é uma pessoa substituta, sem ninguém precisa dizer a ela.

Hum! Na verdade este modo de pensar é só um jeito simpático de te recolocar em órbita. Se você disse "sim" a todas as questões acima provavelmente você se encontra deslocado, então dizer que tudo isto na verdade faz parte de um dom ou um talento muito especial é só um jeito de lhe confortar, mas isto não pode fazer você estagnar. Na verdade este é um convite muito especial.

Se você se acha uma pessoa substituta então significa que você recebeu um convite da vida para ser você mesma, para seguir em frente sendo você mesma, porque você não aceita ser diferente para se enquadrar a realidade ao seu redor. Você interage com tudo mas não aceita tudo.

Talvez mudar para se adaptar seria mais fácil, você viveria uma vida adaptada assim como quando pegam um livro e o adaptam ao cinema, é legal, fica bom, mas quem conhece o livro sabe que o filme nunca é tão bom assim, falta detalhes, falta vida.

E no final parece que uma pessoa substituta é um protagonista que age como coadjuvante da sua própria vida. Então hoje fica um convite especial a todas as pessoas substitutas do mundo. Assumam o controle sobre sua vida, continuem a realizar coisas na vida dos outros, mas comecem a realizar coisas em sua própria vida.

domingo, 28 de março de 2010

Fluir

Como uma espada que atravessava seu coração assim ele sentia seu peito estremesser enquanto ela caminhava saindo de sua vida. Nunca aquele parque fora tão triste quanto aquele dia, as arvores alaranjadas pela chegada do outono fazia-o lembra que tudo acontecia naquela estação.

Há três anos, caminhando naquele mesmo parque tropeçou em uma feiticeira que estava recostada em uma arvore lendo um livro de capa azul. Embaraçado, olhou para a moça de cabelos avermelhados e antes que pudesse pedir desculpas se apaixonou pelos olhos negros daquela garota. Ela riu enquanto ele se recobrava.

Ele bateu as folhas secas de sua blusa de lã cinza, pediu desculpas com o rosto tão vermelho quanto o cabelo dela e seguiu seu caminho de cabeça baixa, prestando agora muita atenção ao seu caminho. Sorrindo ela o viu seguir seu caminho e naquele momento ela desejou o rapaz. Não sabia de onde, não entendia por que, mas o desejou.

O que ela não sabia é que ele estava atravessando o parque porque havia dormido demais no onibus e havia perdido o ponto. E o que ele não sabia é que ela decidirá não almoçar aquele dia para aprender um pouco sobre as runas. Mas desde aquele dia, e durante todos os dias do outono ela sentou embaixo da mesma arvore para ver o desastrado rapaz passar em frente a ela. E todos os dias ele fez aquele mesmo caminho esperando vê-la na volta do almoço. Assim os dois mantinham uma esperança de que um tomasse a iniciativa, mas isso não acontecia.

A vida é assim, se não nos mexemos esperando que algo aconteça pode ser que nada aconteça esperando que você se mexa. E ela cansou de esperar, ela que estava tão esperançosa com o outono, e o outono estava para acabar, ela cansou de esperar. Naquele ultimo dia de outono, com o prenuncio do inverno ela resolveu, com uma idéia firme e decidida, não pensou duas vezes, quando ele passou ela lhe deu uma rasteira.

Roberto estava no chão novamente, olhando aqueles lindos olhos negros, e quando seus olhos se encontraram eles cairam na gargalhada. Julia ajudou ele a se levantar e um novo amor começaria aquele dia.


E então 3 anos depois o que o outono trouxe para a vida de Roberto, ele tirava. E não importa tudo o que eles passaram juntos, ele só conseguia se lembrar do primeiro olhar, de quando se apaixonará por Julia. Não entendia tudo que passaram juntos, tudo foi perfeito, eles se amaram, eles se entregaram, aprenderam um com o outro, e agora ela se foi.

Entristecido, mas feliz, Roberto colocou as mãos nos bolsos da calça e pesou consigo mesmo "Bem, o outono só está começando mesmo, muita coisa está por vir, o outono sempre me trouxe mudanças, há três anos atrás o outono me ensinou o que é a paixão, convivência e consequentemente o amor. O que será que ele me reserva agora?". Abaixou a cabeça, e seguiu seu caminho...


Notas do autor: Olá meus caros leitores, desta vez este conto sem pé nem cabeça é só uma representação de como eu vejo a vida, por mais que a vida mude, e muitas vezes você não concordará com estas mudanças é bom estar sempre aberto para o que está por vir. Como um rio que flui a vida segue o seu rumo, você pode flutuar e esgueirar-se pelos inúmeros entroncamentos e bifurcações. Ou você pode nadar contra a correnteza, mas isto será por sua conta.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Tédio

Algumas vezes venho até este blog determinado a escrever sobre algo, a desabafar, a defender alguma coisa ou mesmo para atacar algo. Outras vezes, como hoje, venho a deriva no mar da inquietude que minha mente navega. Certo dia concordei, ao ler em outro blog, que não transformaria este blog em um diário, mas como é possível eu escrever textos com temas tão pessoais e não acabar mostrando um pouco de mim mesmo, e as vezes até muito de mim mesmo.

Eu já falei aqui sobre amizade, sobre pesadelos, sobre sexo, sobre amor, sobre decepção, sobre tantas coisas que preciso tomar muito cuidado para não ser repetitivo, e mesmo assim, sempre tomando cuidado, acabo me tornando, e acredito eu, acabo ficando tedioso.

Então vejo que não é só com este blog e não é só comigo, hoje passei por todos os blogs que tenho em minha lista de favoritos, e a maioria ou está bem desatualizado ou são sempre os mesmo assuntos... fulana fala sobre o amor platônico, fulano continua revoltado, olha o BBB aí gente, olha o CQC aí pessoal. E eu não estou reclamando do blog de ninguém, quem sou eu para isso, mas não são eles que repentem assuntos, assim como eu também repito, é que a Internet nos trouxe um dinamismo tão grande que é dificil ter algo novo pra contar todo santo dia. É dificil inovar já que tem fases de nossas vidas que duram muito tempo, acabamos por escrever sobre esta fase várias vezes, é normal.

Já um blog que está sempre novo, sempre diferente e conseguiu uma fórmula bacana para resolver o problema da mesmice é o Blog das 30 pessoas, como o próprio nome diz, são 30 pessoas escrevendo no blog, um dia do mês para cada uma, e um acerto nos meses com 31 ou 28 dias... vale conferir a dica...

E então eu caio com o mesmo problema do blog na vida real, todo dia alguém me pergunta "e aí, quais as novidades?", ou é no MSN, no Orkut, no telefone, num encontro no meio da rua, e é normal, queremos realmente saber da pessoa, desejamos que ela tenha uma vida metamórfica cheia de boas novidades... Mas no final eu penso "hum... é, sem novidades, trabalhando, vivendo... coisas assim, normais", será que sou assim, uma pessoa sempre sem novidades?

Na verdade não, minha vida é cheia de pequenas coisas, sabe, para mim todo dia é um dia diferente, sempre com coisas novas e interessantes, mas nada assim que ficamos contando como "novidades" sabe. É algo do cotidiano, são novidades cotidianas, e eu gosto delas, e gosto que as pessoas fiquem perguntando se tenho novidades, não estou reclamando, porque quando realmente tenho uma novidade acho bacana poder compartilhar com pessoas agradáveis.

E assim a falta de novidades segue seu rumo ao convivio mais íntimo, perceba que todo começo de namoro ou amizade tudo é muito novo, tudo é excitante, e do meio em diante as coisas vão se acalmando e no final até saltar de para-quedas é algo trivial... e a vida é assim.

Lógico que existem pessoas que nunca passarão por tudo que escrevi aqui, tem pessoas que passarão mas não irão perceber, e tem pessoas que irão se identificar com o texto... Na verdade eu só escrevi ele porque eu estava entediado e sem novidades, e descobri que é possível escrever um texto sobre a falta de novidades... rs

tenham uma boa noite...

sábado, 13 de março de 2010

Fé Inabalável

Uma contribuição da minha querida amiga Menina com Sono, ou como gosto de carinhosamente chamar Mina Sonada.

O que é amizade para você?
Sair junto? Bater papo? Chorar no ombro?

Pra mim, amizade se resume a três palavras: confiança, lealdade e respeito.
É igual receita de bolo, esquece de colocar os ovos pra você ver, sem um ingrediente não funciona. Vai ficar com cara de bolo? Vai. Mas você não vai conseguir engolir.

Quando você começa uma amizade, não pede isso, não fala que vai doar. Isso simplesmente acontece.

A pergunta é : até que ponto você leva a sério esses ingredientes de uma amizade?
Por que você não vai ligar para seu amigo e dizer: Viu fulano, hoje faltou lealdade! 
Quando ela é abalada você percebe o que faltou.

Confiar? De olhos fechados? Não mais.
No meu caso, costumo demorar muito para confiar em alguém. Sempre deixo um pé no chão.
Não existe traição pior do que amizade abalada. Dói.  

As cicatrizes estão aí, para nos mostrar que o passado é real. 

Boa semana a todos.

Maria Rita Piratelli
twitter: @meninacomsono

quinta-feira, 11 de março de 2010

E então a fuga....

O fato é que quando nascemos já nascemos o que somos, e já temos alma. Mas você pode ver como os bebes são desengonçados, então tente você já com seus 20 e poucos anos colocar uma roupa de quando você tinha 8. Agora tente levantar, caminhar, tudo vai estar tão apertado que nem falar com irá conseguir, e depois de um tempo irá chorar com o aperto das roupas. Assim somos nós, seres com almas enormes em corpos de bebes, é tudo muito novo, e estamos espremidos lá dentro.

Tá, tudo bem, eu também não imagino que seja assim, mas seria uma teoria interessante, não acham?

Mas somos o que somos desde que nascemos, isso é fato. Porém, eu percebo que com o tempo mudamos, mudamos de várias maneiras e por vários motivos. Mudamos para nos proteger, mudamos para conseguir algo, mudamos para nos passarmos por outra pessoa pois achamos que não somos o suficiente nem para nós mesmo.

Eu sei que para alguns chega um momento que não estamos satisfeitos conosco, e chega um momento que não nos aceitamos mais e a vida que levamos não é a que queríamos levar.

E então a fuga, começamos a mudar o que somos, começamos a colocar máscaras em cima de máscaras, a esconder nossa verdadeira identidade. E então quando já adulto percebemos que aquela pessoa que você era encontra-se sozinha sentada num quarto sem luz olhando por uma janela empoirada. E o que ele vê lá fora?
Ele vê os personagens que ele criou para viver a vida em seu lugar. Ele monta um script para cada um, ele envia um personagem para cada situação. E assim ele acha que está feliz, sobre o controle da situação, mas ele não percebe que quem está vivendo tudo aquilo não é ele, embora ele veja tudo, cada conquista não foi mérito dele, cada niquel, cada beijo, cada vez que perde o fôlego, cada ato de coragem é mérito do fruto da imaginação dele.
E assim, enganado, ele fica sentando olhando pela janela por anos, enclausurado em sua masmorra. É quando um certo dia ele percebe que o vazio que sentia todo final de tarde não era fome, era falta de viver. E então ele sai daquele lugar escuro uma certa manhã, e toma aquele corpo que lhe pertencia. Mas as pessoas não o reconhecem, não entendem suas atitudes e nem suas palavras.

Então ele percebe que ninguém o conhece mais, e ele não conhece mais ninguém, passou tanto tempo se escondendo para viver a vida que idealizou que acabou deixando de viver a vida que lhe foi dada. Hoje caminha só pela multidão, com os olhos vazios e sem expectativa. Ele já não sabe mais quem é. Sabe muito bem que não é. Mas não sabe quem é.

sábado, 6 de março de 2010

A Casa Cheia

Bem, o ano definitivamente começou, agora é tarde demais para permanecer no ano passado... e como todo fim de ano eu fiz uma lista do que eu deveria melhorar neste ano agora. Geralemten não cumpro nem 10% do tratado, mas este ano começou diferente. Este ano acho que estou centrado nos meus objetivos. Mas lógico que não vou expor esta lista aqui.

Enfim, teve algo que notei de diferente, teve algo que descobri que algo que eu já sabia há muito tempo eu não havia colocando em prática ainda, percebi que eu estava com a casa cheia, sim, a casa cheia.

A nossa vida é a morada da nossa alma, uma casa onde ficamos e depositamos cada momento importante, cada sentimento que sentimos e junto a este sentimento colocamos a pessoa correspondente. Os mais organizados tem um comodo para cada coisa, outros deixam tudo espalhado.



Mas quando esta casa enche precisamos parar de colocar coisas dentro dela, já que não há mais espaço para coisas novas. E começamos a levar tudo para o jardim para para uma limpeza geral, jogar fora sentimentos como ódio, rancor, raiva, que são sentimentos feios e com certeza não combinam com a decoração de uma bela casa. Explicar para pessoas que estão lá dentro e que não te fazem bem que não há mais espaço para elas em sua casa e que elas devem ir embora.

Pronto? A casa está vazia? Agora você tem duas opções, se sua casa ainda lhe agrada e você sabe que viver nela ainda é bom você irá pegar uma magueira, sabão e esfregão e irá limpa-la, lavar cada encardidos que existe dentro dela, tirar o movo, pinta-la com cores novas ou com as mesmas cores, assim como você preferir. E a deixará nova e aconchegante como quando você entrou nela pela primeira vez.

Mas se a sua casa não lhe agrada mais, se você não se sente mais avontade com a sua casa (e com a sua vida consequentemente), então você irá derruba-la e construir uma nova, mas lembre-se que isto leva tempo, bem mais tempo que uma boa limpeza, você precisará ficar na casa de outras pessoas, precisará de apoio e ajuda para construir algo do zero. E está sua nova casa deverá ter então a sua nova cara, alguns querem uma casa nova e mais madura, outros querem uma casa mais espaçosa para poder colocar mais coisas lá pois sua antiga casa realmente era muito pequena. Cada um fará como acha que deve ser feito.

Então com a casa limpa, ou com a casa nova, você volta a colocar tudo que estava no jardim, e que não foi jogado fora, para dentro da casa novamente. E mesmo que algumas coisas sejam muito velhas, é como se fosse tudo novo, pois você estará com a alma renovada.

Este ano estou limpando minha casa, está tudo no jardim e ainda estou selecionando o que eu quero que volte para dentro da casa e o que eu quero devolver ao mundo porque não me pertence mais. Eu já lavei a casa, havia decido não destruí-la pois gosto muito dela, mas resolvi reformar os quartos ao leste, preciso de uma fachada mais bonita para receber os raios do sol nascente. Talvez construirei um deck no andar superrior a oeste para admirar o por do sol junto a pessoas que fazem parte da minha vida. Mas são só planos de uma mente que vaga por aí com esperança que tudo dará certo se ele tentar fazer a coisa certa.