Projeto Marco ZERO

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Meia-noite no jardim do bem e do mal

(Título do post inspirado em filme do mesmo nome.)

Se você não leu a primeira parte desta história, clique aqui e leia "Cinza".

E a jornada continuava em busca daqueles olhos que encantaram um pobre sonhador que nada mais fazia a não ser cuidar de seu próprio mundo.

Por muitas noites ele vagou, de sonho em sonho, entre devaneios e pesadelos. Era tão obstinado que ia dormir antes do sol se por, e acordava já no meio da manha, quando o sol estava lá em cima, bem no alto.

Foi perdendo seus dias, perdendo a noção do real e imaginário, da lucidez e do sonho. Sua barba e cabelos cresceram. Seu rosto já era irreconhecível. Sentiasse fraco demais para para levantar-se da cama. Começava a falar sozinho durante o dia em seu apartamento de 1 cômodo. A luz já não adentrava mais a janela.

Obsecado pela mulher de azul, estava trocando cada dia mais a vida real pelo mundo dos sonhos, até que um dia ele não acordou. O sino já badalava 12 vezes e o sol culminava no céu, mas ele não acordou.

Estava preso e não sabia aonde. Não entendia como tinha chegado até alí, e não sabia como voltar. Seu corpo e suas roupas ainda eram cinzas, mas como cada um sonha de um modo diferente, ele estava em um jardim verde escuro, a lua estava lá em cima no céu, aquela que foi sempre sua companheira durante todas estas andanças, mas hoje as nuves encobriam sua luz.

Não conseguia entender, durante todo este tempo foi capaz de vagar entre os sonhos de cada ser vivo neste mundo, invadiu cada pensamento, cada mente adormecida, atravessou cada um que estivesse sonhando. Mas agora se encontrava em um jardim escuro com um poço, daqueles bem bucólicos, no meio e 6 bancos bancos rodeando esse poço.

Ao sul um portão alto em forma de arco e com três gárgulas mal encarados olhando para fora do jardim. Ao norte um portão alto e retangular com três querubins, 2 armados com arco e flexa e o do meio segurando uma espada apontada para o poço.

Mas não importava quão assustadores fossem as imagens, ambos os portões estavam trancados e a volta toda havia uma cerca que impedia a entrada ou saida de alguém.

De repente um sino começou a tocar e após a décima segunda badalada um vento forte começou a soprar, a lua deixou de ser tímida e resolveu se mostrar.

E com a luz da lua aquele jardim escuro se mostrou mais aterrorizante. As sombras formadas pelas arvores pareciam almas torturadas. E com um rangido forte o portão ao norte se abriu dada a força do vento.

Assustado ele olhou em direção ao portão e viu que o vento ainda acompanhava aquela mulher de vestido azul, ela caminhava em sua direção com um ar triste. Ele tinha certeza agora que ela deveria ser uma bruxa ou uma feiticeira.

Ela contornou o poço, caminhou em direção a ele.
- O que está fazendo aqui? - Ela perguntou olhando com um grande pesar em seus olhos.
Neste momento ele sentiu o peso de sua jornada.
- Estive atrás de você desde o dia em que te vi, me apaixonei por teus olhos, não pude evitar.
- Este é o meu mundo, o mundo de onde vim, mas aqui não é um mundo de sonhos como o seu. Atrás de você, ao sul, todos os mundos antes deste são de sonhos, atrás de mim, ao norte, é para onde vão as almas que já não sonham mais, e sua jornada na terra acabou, elas tomam aquele caminho para serem julgadas e tomarem um novo rumo.
- Você quer dizer então que estou morto?
- Não, eu quero dizer que você está no lugar errado, vou deixa-lo partir pelo portão ao sul, mas você não deve voltar aqui até chegar a hora em que você for chamado.
- Mas eu não quero voltar eu vim até aqui para ficar com você, para ficar ao teu lado, não importa como.
- Ninguém pode ficar aqui comigo, ou você toma o caminho ao norte, ou você segue para o sul, neste jardim só eu permaneço.

Neste momento um vento forte voltou a soprar do portão norte, tão forte que começou a arrasta-lo em direção ao portão sul. Ele havia entendi o recado e sabia que não poderia ficar lá. O vento ficava cada vez mais forte e o jogou contra o portão sul. O gárgula olhou para tras, viu o homem prensado contra o portão e o abriu, e o vento continuou a arrasta-lo através dos vários mundos de sonhos até cair em si, deitado na cama de seu apartamento, ensopado de suor.

Ela ficou lá, olhando para ele enquanto se afastava quicando pelo chão cheio de terra e folhas. Sabia que se alguém neste universo fosse amá-la, este alguém seria ele e só ele, e neste mesmo momento ela percebeu que o amava, e por isso que ao observa-lo em seu mundo havia se perdido do caminho daquela vez.

Ele, ao acordar em seu apartamento, estava desorientado, mas resolveu seguir adiante, levantou-se, tomou um banho, fez a barba, e iria seguir sua vida com a mesma vontade de viver que tinha antes de conhece-la. Pois ele sabia que quando chegasse a hora certa ele teria que atravessar aquele jardim novamente, e então ele teria outra oportunidade de encontra-la.

Cinza

No meio de um sonho monocromáitco, caminhando por entre a selva, sinto algo me vigiando... e cada passo que dou sinto seus olhos em minha nuca, sinto seus passos seguindo os meus.

Procuro, me viro, olho, e não vejo nada, sempre parece que estou sozinho, mas aqueles olhos me perseguem. Tudo o que vejo é a paisagem cinza.

Então percebo algo azul entre as folhagens, me assusto e corro, corro o mais rápido que posso, mas uma sensação que não irei escapar suga minhas forças, como pode algo colorido em meu mundo de sonhos?

Me abaixo esgotado, ofegante, vejo uma clareira iluminada pela lua. Corro para o meio da clareia e fico dando voltas procurando o que me persegue. Mas a luz da lua cheia ofusca minha visão.

Novamente os arbustos se mexem, assusta num salto viro em sua direção, e lá está aquele borrão azul vivo, destoando de todo meu mundo.

O vento que vem de sua direção sopra cada vez mais forte e o medo me deixa petrificado, não consigo mover um só musculo, e todos eles doem de tanto se contrairem.

De repente surgem olhos curiosos de tras de uma arvore, olhos doces e curiosos, e uma mulher com um vestido rodado começa a caminhar em minha direção.

Ela é tão branca que parece um fantasma, mas qual fantasma teria tamanha beleza? A cada passo que dá em minha direção o vento aumenta, e seus cabelos castanho quase avermelhado formam desenhos no ar. Já não sinto mais medo, porém percebo que seus olhos não são mais de curiosidade, são olhos perdidos.

Ela chega a mim e pergunta.
- Onde estou?
- Em meus sonhos. - Eu respondo com dificuldade por conta do vento.
- Eu deveria estar em meus sonhos, não nos teus.
- O vento, você pode parar o vento? - E com um suspiro profundo ela acalma os espíritos da floresta, da minha floresta.
- Eu estou perdida, não sei como vim parar aqui, ou porque vim parar aqui. Você sabe quem sou eu ou como voltar para meu lugar?

Eu realmente não sabia quem ela era, nunca havia visto aqueles olhos, aqueles lábios, aquele rosto em minha vida. Mas como ela podia entrar em meus sonhos e controlar tudo que havia nele? Eu não sabia o que dizer a ela.

- Eu preciso voltar ao meu sonho, mas não sei como cheguei até aqui, e não sei como sair, você pode me dizer como eu posso voltar?

Já sem saber mais o que fazer, e encantado por aquele anjo eu falei a coisa mais estúpida que eu poderia ter dito

- Siga em direção ao norte, você encontrará uma estrada de asfalto, nela pegue a direita e siga em frente, você encontrará o limite dos meus sonhos nessa direção.

Ela agradeceu e se foi, e no meio do cinza de meus sonhos eu vi aquele vulto azul desaparecer. Quando parei de senti-la em meu mundo tive a certeza que ela não estava mais lá, então senti um vazio dentro de mim que chegava a me machucar. Deitei olhando a lua percebendo que estive diante do amor de minha vida, e não a reconheci.

Hoje me pergunto se ela conseguiu encontrar o mundo de onde veio. Ou se está perdida por aí, vagando de mundo em mundo, de sonho em sonho, procurando ainda o seu lugar neste universo.

Por um tempo esperei que ela voltasse, depois desisti, não só de esperá-la, mas também de sonhar. Hoje percebo que tenho que correr atras dela, pois sem ela minha vida não tem sentido, e meus sonhos são vazios demais.

Então, toda noite me preparo para mais uma jornada, vagando de sonho em sonho, de mundo em mundo, esperando encontrá-la, esperando achar o mundo dela, ou encontrá-la no mundo de alguém, ainda perdida.

Não tenho certeza se ela realmente é meu grande amor, mas são poucas as certezas que este universo nos oferece, temos que lutar por algo, lutar por aquilo que parece ser certo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Miragem

As vezes fico tão próximo de você que parece que posso tocar teu coração, e enquanto olho nos teus olhos gostaria de sussurrar no teu ouvido tudo aquilo que guardo para mim todo este tempo.

Então você sorri e eu fico sem jeito. As palavras não importam quando as mãos estão atadas. Quando penso em te tocar a imagem some no ar, como se eu tocasse uma miragem.

E sempre foi assim, você perto, e você longe de mim. Sempre em meu pensamento, desde o primento momento.

As rimas escapam de meus dedos como se eu não soubesse mais o que está havendo. Embora sei bem como você mexe comigo, como você sempre mexeu.

E assim eu sigo, com meu corpo parado, olhando o infinito. Enquanto minha'lma caminha neste deserto perdido entre as muitas miragens de você.

E eu sei, que entre tantas alucinações, você é alguma delas, mas nunca saberei até conseguir tocar o teu rosto e assim, beijar a tua boca.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Qual o tamanho do teu sonho?

Ano novo? Sim. Vida nova? Não.

Todo começo de ano é assim, a promessa de uma vida nova. Mas não acho justo que se deixe de lado tudo que se viveu para iniciar uma vida nova. Que o começo do ano é o inicio de uma nova era, ninguém iria discordar, mas também é a continuação de uma longa caminhada.

Acho que estamos em uma boa época para colocar em prática nossos sonhos, tentar iniciar a jornada para atingir metas. Hoje eu tenho duas opções continuar a viver exatamente como estava vivendo até dia 31/12/2009 ou dar o primeiro passo para minha metas, para os meus sonhos.

É fato que se não fizermos nada, absolutamente nada de diferente irá acontecer, então está na hora de começarmos a nos mexer.

Bem, de 2009 eu levo algumas lições:

A luz não existiria se não fosse a escuridão, assim não existiriam pesssoas boas se não fossem as pessoas más... Quase tudo na vida tem dois lados, e temos que ter em nós um pouco de cada um desses lados para que possamos viver em um equilibrio, e saber distinguir um lado do outro, o certo do errado.
A minha grande verdade de hoje pode ser minha grande mentira de amanha. As coisas mudam e temos que aceitar essas mudanças, porque lutar contra elas as vezes só causa mais dor.

Promessas de ano novo? Sim, mas estas eu guardo só para mim.