Projeto Marco ZERO

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Coisas acontecem

Existem pessoas que acreditam que tudo acontece por algum motivo, por alguma razão, que nada é por acaso. Já outras acreditam na casualidade, que tudo acontece por acaso, como se o mundo vivesse imerso no caos. Eu gosto de acreditar na terceira lei de Newton onde para toda ação há uma reação oposta e de igual intensidade.


Não consigo imaginar uma vida onde tudo tem uma razão para acontecer. E muitos acontecimentos em minha vida provam que algumas coisas que acontecem parece realmente ter alguma razão para ter acontecido. As vezes esta razão parece que já estava escrita há muito tempo, outras vezes a razão é a simples reação a uma ação minha, muitas vezes ação tomada há muito tempo.

O que me deixa intrigado é que muita gente acha que realmente há uma razão para tudo, não acreditam que algumas coisas simplesmente acontecem. E então quando coisas inesperadas e que não as agradam acontecem, elas ficam obcecadas por encontrar a razão, encontrar o porque. Perdem o sono, perdem o sossego, a paz, e algumas vezes a dignidade.

Mesmo que para tudo exista alguma razão, algumas vezes esta razão não está ao nosso alcance, e provavelmente a maioria delas é apenas reação a alguma ação sua ou de alguém que estava envolvido na história direta ou indiretamente.

Deus nos deu o livre arbítrio para respondermos por nós mesmos, para tomarmos nossas próprias decisões e respondermos por isso. Geralmente a razão por tudo que acontece é você mesmo ou alguém a sua volta, assim fique esperto ao permitir outras pessoas agirem na sua vida.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ter razão ou ser feliz?

Lógico que ter razão. Sou contra a hipocrisia dos fracos, dos perdedores, dos chorões.

Provavelmente você alguma dia por aí recebeu aquele velho PowerPoint reciclado de tantos anos atrás onde conta uma historinha bonitinha entre ser feliz ou ter razão, sempre com um fundo musical irritante e melado. Uma das poucas coisas que aprendi com este PPS é acobertar uma situação deixando alguém, que provavelmente não tem razão na história, feliz com uma situação ilusória.

Minha mãe talvez não concorde com a colocação deste post, ela me acha meio radical, mas ela e meu pai sempre me ensinaram a falar a verdade, ser verdadeiro e transparente com os outros. E eu também aprendi que a verdadeira felicidade está na verdade. Quem vive uma felicidade na mentira a têm sustentada por alicerces frágeis feitos de pena e cipó.

E sempre que há uma discussão onde alguém tem razão e a outra pessoa não, se você tem medo de não ter razão e sua felicidade dependeria de ter razão, bem, não entre em discussão, pois o risco é geralmente de 50%.

Discurso de quem perde, SIM! Se é tão importante para você, que perdeu, ter razão, por que seria diferente para quem a tem de fato? Chantagem emocional, apelo a pena humana.

Ainda mais em discussões bobas, que para quem deveria perder (por não ter razão) ganha sem perder nada em troca. Só que para quem deveria ganhar, mas perde, além da razão, perdeu também a verdade, a transparência. E perdeu tudo isto para quê? Para uma discussão boba que não levaria a nada. Os papéis se invertem, os valores se invertem, não importa o quão relevante seja.

Por isso digo, seja quem você é sempre, e não só de vez em quando, comemore suas vitórias e aprenda com suas derrotas. Aceite a vida como ela é, pois embora o agora seja difícil, no amanhã você não terá arrependimentos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Vou vender coco na praia

Quantas vezes você não socou a mesa, estressado, enraivecido, ou apenas cansado e soltou aquela famosa frase "vou vender coco na praia".

Poxa gente, vocês acham que vender coco na praia é molesa? Vender é uma das profissões mais difíceis do mundo, convencer alguém a levar seu produto. Pois mesmo que o consumidor queira seu produto ele quer mais barato, ele quer diferente, ele quer com fritas (no meu caso com bacon), ele quer algo diferenciado.

Eu lembro da reportagem que fizeram com o Kiki da Praia Grande/SP/BR, o cara vendia sanduiche (iche iche) natural, nada demais, porém o jeito que o cara vendia, a animação, o "algo diferenciado" rendeu para ele uma pequena empresa, trabalhar só na alta temporada (e como ele trabalha, caraca), alguns funcionários e muito (mas muitos mesmo) bens. Mas é fácil? Não né! Ele é um dos outros 500 caras que vendiam algo na Praia Grande, ele ascendeu, e o resto? Bem, o resto está vendendo coco.

O maior problema é que somos escravos do "bem-estar". Dessa sensação de conforto que um emprego, dinheiro, televisão, carro, casa, e outras tantas coisas nos dão, esta super sensação de viver bem. E não se enganem, vocês estão certos. Não serei hipócrita a ponto de falar que estas coisas não são importantes, não trazem conforte e bem-estar. Oras bolas, todos esperam o salário no fim do mês para poder gastar, todos chegam em casa a noite para poder assistir uma TV, acessar a internet, ler o livro em uma cama macia. Não que todos consigam isto, a miséria hoje no mundo é muito grande, este conforto que falo não são para todos, infelizmente. Mas acredito que para a maioria que acessa este blog deve fazer algum sentido.

Na verdade é mais fácil para alguém que não tem tudo isso lagar tudo para vender coco na praia. O que na verdade dou muito valor, já que precisamos de pessoas em todas as áreas. Me revolta saber que um cara que chuta uma bola em um quadrado ganha milhões, e aquelas pessoas que são responsáveis pela comida chegar no nosso prato (alguém teve que plantar, colher, transportar), por termos uma casa (alguém teve que construí-la), ganhar um salário mínimo, as vezes mais, mas nunca chega perto ao salários que um infeliz onde o único objetivo na vida é chutar uma bola (oras bolas again). Perceba a inversão de valores de nossa sociedade. A filha da puta excelentíssima da Dilma terá aumento de 133%, ou algo assim, e quem votou nela, ou em qualquer político? Qual será o aumento? Mais de uma pessoa já se declarou anarquista para mim, assim como quem quer vender coco na praia, é escravo do capitalismo.

Capitalismo não rima com anarquismo, rá, pegadinha. Mas não rima mesmo. O capitalismo precisa de ordem, de quem manda e quem obedece, de quem ganha e de quem perde. Do mesmo jeito que capitalismo não rima com comunismo, nem socialismo. Veja que até o mais vermelho dos partidos brasileiros se rendeu ao verde do dollar. Dilma, Lula e toda a corja petista são um bando de vendidos. E eu nem preciso saber dos podres deles para falar isso, é só ver o que a mídia nos trás nestes 8 anos de história. Mas quem os segue, assim como quem segue qualquer partido, são cegos ou oportunistas (a inocência de uma criança na mente de um adulto se torna burrice).

Se você leu até aqui, você tem muita paciência. A verdade é que o problema não é o trabalho, o dinheiro ou o coco. A vida atual nos trás responsabilidades desde que nascemos: estudar, ser alguém, ganhar dinheiro, casar, ter filhos, comprar uma casa, comprar um carro, estudar de novo (perceba que estudamos umas 5 vezes em nossas vidas). E uma hora nos cansamos disso tudo, e queremos largar esta vida e deixar de ser nos mesmos, mas não importa onde vamos, tudo isso nos segue, pois está em toda a parte. O mal do mundo é a humanidade, não há como fugir sem ir para o inferno direto.

Então minha dica para vocês todos que estão tão cansados que vender coco na praia parece ser uma boa idéia. É hora de tentar descansar, fazer algo que gostem, ignorar um pouco os problemas da vida, desistir agora não resolverá seus problemas. Você tem que enfrentar a vida, mas ela lhe dará um tempo para descansar entre uma batalha e outra, aproveite este tempo, saiba reconhece-lo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quatro Paredes

O assunto mais reincidente aqui no blog acho que são as redes sociais e o comportamento humanos que está sofrendo de uma gigantesca mudança de paradigma.

E eu pergunto novamente, onde foi parar a privacidade, lavar a roupa suja em casa, guardar algumas idéias para si próprio. Que nada, agora privacidade é "fulana acreditou no namorado e suas fotos caíram na net", "corno ficou com raiva e divulgou as fotos da ex".

Lavar roupa suja em casa? Para quê? Se existe Orkut e Facebook para explodir em comentários indireto, direto, e AK-45 na cara do(a) filho da persilda. Fotos para PROVAR que está mais feliz que Fulano, Ciclano, Beltrano e que a vizinha gostosa que dá em cima do seu namorado. Mais fotos para provar que superou o namoro com a miltrana.Ou ainda para mostrar que as fofocas por aí que você esta rompendo são mentiras.

E as idéias? Heim? E que idéias não!? Expressar idéias é um direito do cidadão, expor ideologias também. Agora, vem cá minha champs, meu champs. Xingar muito no Twitter é palhaçada né! Faltar com respeito com aqueles a sua volta mais ainda. Infeliz comentário da srta. Mayara Petruso. Ela até poderia pensar os pensamentos que ela expôs, porém ela não deveria ter exposto. Expor tudo aquilo é abrir o peito para a faca que segue contra o teu coração. Morte certa! E morreu, socialmente, agora ela não tem mais Twitter, Orkut, Facebook, vida social, fora todas as dores de cabeça que ela arranjou para ela para os próximos anos. Ser rotulada, marcada e talvez até levada para o abate.

E com isso tudo o ser humano, ser racional (o que há de racional num bicho que destrói o próprio meio ambiente, bem, não é assunto para hoje), ser emocional chora pela privacidade que diz que perdeu, mas não percebe que ele não a perdeu, ele a entregou em bandeja de prata àqueles que queriam a sua alma.

E assim, entre quatro paredes, ele se expõe porque é diferente, ou porque é minoria, ou porque é injustiçado, porque é excitante, porque está com raiva, ou porque quer provocar a raiva. Observe quantas notícias você vê por aí boas de alguém que se expôs demais e se deu bem, e quantas que se deram mal, e faça o balanço.

Atualização de Post 19/01/2011

E começa o BBB 11 já com muita palhaçada e exposição. Você vai deixar a sua vida ser um BBB também?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nota pessoal

Um dos maiores hobbys e prazeres que eu tenho é escrever, é onde deposito opiniões, emoções, onde eu fujo a regra, onde eu desabafo, onde eu explodo de vez. Por isso o blog existe, para eu gritar ao mundo tudo o que me consome, sendo bom ou ruim. As vezes escrevo para ajudar, outras vezes escrevo para criticar.

Já perceberam que tudo aquilo que consome tempo e não retorna dinheiro é a primeira coisa que cortamos quando estamos atarefados demais, cansados demais, estressados demais?

Nunca ouvi ninguém dizer "nossa como estou cansado, acho que vou ficar sem trabalhar até estar definitivamente melhor", ninguém que eu conheço do nada disse isso até hoje.

No final do ano passado eu estava me sentido muito mal, a saúde realmente não ia bem, estava em uma fase atribulada, trabalho apertando cada vez mais, pessoas fora do circulo de trabalho me torrando a paciência por problemas pessoais, meu corpo refletiu meu estado de espírito e assim adoeci de uns 4 jeitos diferentes.

Fui ao médico e ele me fez uma série de orientações: tomar vitaminas, fazer uma correção alimentar, melhorar postura, fazer uma série de exames. Ufa! Foram meses trabalhando em cima da minha situação.

Um dia na casa da minha avó estava contando a todos a série e exames, e coisas que tive que fazer para superar a situação. Então um primo meu soltou a máxima que lembro mais ou menos "falar para você ficar em casa um mês descansando ele não falou né!?", Foi algo assim. E realmente, certamente se eu tivesse me distanciado dos problemas para colocar minha cabeça em ordem talvez eu tivesse melhorado muito mais rapidamente do que os 6 meses que levaram para eu ter uma vida normal.

Não sou e nunca fui a favor de fugir dos problemas, mas por experiência própria, as vezes quem está fora da situação consegue enxergar com maior clareza a solução. Assim as vezes, quando temos um problema grande e que nos perturba há muito tempo temos que sair dele, e ao invés de enfrentá-lo, apenas observá-lo como se não fosse conosco.

Bem, e o blog foi abandonado, por mim, não pela MR. Tá, pela MR também, mas é problema dela, rá.

Coisas que não fazia há muito tempo, mas estou fazendo hoje: voltar a escrever no blog; ouvir musicas ao invés de ficar jogando no computador ou assistindo TV; pensar sobre a vida ao invés de fantasiar sobre a vida; ficar ON no MSN.

Depois de quase um ano inteiro terminei de ler A Batalha do Apocalipse, nunca demorei tanto para ler um livro, devido a problemas de atenção e como é um livro com muitas histórias paralelas, demorei. Agora irei voltar à saga de Angus com o livro As Cruzadas.

Bem, o dia de hoje considero como o dia que começo a retomar as rédeas do meu dia-a-dia, vai ser difícil, mas vamos lá, eu sei que consigo abraçar o mundo, de um jeito ou de outro.

PS.: a foto da Ilha de Páscoa para lembrar dos mistérios da vida.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sem título

Percebo o quão loucos são os poetas
drogados,
esquizofrênicos,
bobos

Viajam em delírios
Deliram idiotíces
Fantasiam bizarrices

Quem dera eu também poder
Poder alucinar como estas almas atormentadas
Ludibriar a própria mente

A felicidade imaginativa é corroída pela verdade
Acordado os olhos sangram
Sonhando os olhos brilham

Quem dera eu também poder
Poder rimar versos recheados de sonhos
Sonhar com você dia e noite

Invejo os poetas que sonham contigo
Pois enquanto sofrem por não a ter
Sofro eu por não imaginar você

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sobre as coisas...

Bisbilhotando rascunhos antigos achei este texto... talvez interminado...

Sobre os sonhos: é um pão doce cortado no meio com meleca doce dividindo as metades...

Sobre o amor: maçã enfiada num palito com uma calda superdoce em cima...

Sobre a paixão: é um óleo de amêndoas, vá em um supermercado e procure "Óleo de Amêndoas Paixão"

Sobre o nada: um espaço muito muito muito grande cheio de vazio...

Sobre o alguma coisa: no final alguma coisa é nada mesmo...

Sobre a vida: Você pode odiá-la ou ignora-la, mas gostar dela é impossível. -> by Marvin

Sobre a musica: A musica espanta meus demônios, então levante e comece a dançar...

Sobre a busca: Geralmente acaba quando encontramos... ou quando desistimos

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Quem sou eu?

No Zodíaco sou Capricórnio, o décimo na ordem, do elemento fundamental Terra, regido por Saturno (o "senhor do tempo e da razão"), represento a estabilidade, a praticidade, o esforço e a ambição, determinado, trabalhador, persistente, disciplinado e responsável.

Para os chineses sou o Cão, já do elemento Água. De mente poderosa, egoísta, corajoso, sem paciência, honesto, amoroso, amigável, atraente, generoso, de coração quente e teimoso.

Na mitologia Yorumba sou filho de Ogum (São Jorge), sou de espírito forte, prático, inquieto, explosivo, curioso, de temperamento difícil e rebelde. E finalmente tenho um grave conceito de honra (e isto me assusta pois é a frase mais real até agora).

Para os meus pais sou filho. E além de filho, em minha família, sou irmão, neto, sobrinho, primo.

Sou namorado. E sou mesmo achando que nunca seria.

Perto de uns sou jovem, de outros sou velho. Mas o que vale não é a idade, e sim a cabeça, como a mente trabalha. E assim funciona também as amizades, o que vale é como você pensa, como você é, e não quem você é ou o que você tem. Para ser amigo sempre me bastou uma boa conversa sincera e simples.

Sou tantas coisas, tantas pessoas, que faço jus a expressão múltiplas personalidades. É impossível ser o mesmo com todos, cada um trato de um jeito, cada um trato como gosto, cada um trato como me tratam, sempre disse que na maioria das vezes eu reajo, assim sou o que sou com você pelo que você é quando está comigo, e eu acho isso justo. E extrapolo quando falo que sou o que sou com você pelo que você é com todos, pois mostra o seu carater, a sua honra, e isso importa para mim.

Para cada pessoa sou isso aí, uma fatia desse bolo de gente.

Mas o que sou para mim mesmo? Quem sou eu quando estou só em meus pensamentos? Quem sou eu quando estou só e não estou pensando em mais ninguém?

Faz muito tempo que quando paro não penso em mim, faz tanto tempo que as vezes sou um estranho para mim mesmo, e estranho minhas atitudes perante aos outros, me perguntou "por que fiz isso? por que agi assim? será que sou assim?".

Já dizia Sócrates "conhece a ti mesmo". Eu sei quem os outros acham que sou, mas para encontrar a felicidade, superar obstáculos, enfrentar desafios, desbravar o novo é necessário conhecer a ti mesmo.

Qual o seu tamanho? Sua força? Quão alto você consegue gritar? Para onde seus sonhos te levam? O que você mais deseja? O que você deseja você realmente deseja ou só acha que quer?

Não sou filósofo, não sou grego, não sei bem quem sou. Sei bem o que não sou. Mas isso não basta no momento.

Aquele que não sabe quem é caminha conforme o fluxo, vai até onde os outros vão, limita-se a fazer o que todos a sua volta fazem. Prefere andar em grupos, bandos, rebanhos...

Aquele que conhece a ti mesmo, aquele que conhece seus próprios sonhos, conhece seus próprios limites, vai além, toma decisões sozinho, e assume a responsabilidade por seus atos, muitas vezes essa pessoa cai e, quando cai, ela aprende, e tenta novamente se for este seu sonho, seu desejo. Nessas aprendemos até mesmo o que não devemos mais desejar.

Hoje percebo que meus sonhos eram apenas panfletos em uma estante, meus desejos eram apenas encartes de CD, hoje descobri que um dos meus maiores sonhos é tão simples, e ao mesmo tempo tão grandioso que mudará toda minha vida e quem eu sou, assim logo eu conquista-lo. Descobri também há pouco tempo sonhos menores e que posso conquistá-los facilmente, basta eu me empenhar. Hoje troco os sonhos que sociedade me vende pelos meus próprios, feitos em casa, na penumbra de meu quarto.

E é assim, estou na luta para conhecer esta pessoa que sou eu, é difícil e as vezes me perco, mas vale a pena.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A Mão Esquerda

Caminho nas sombras
Minha missão corrompe minha alma
Minhas asas manchadas de sangue
A lâmina da minha espada envenenada

Para todos que caminham sobre a terra sou o fim
A sentença que puxa pelo braço
O brilho que cega o corpo

De dama não tenho nada
A lista que queima em minhas mãos ninguém deseja
Muito menos a minha sorte
E minha eternidade

Enquanto teu sangue correr por tuas veias
Não desvie o olhar de mim
Sou o único caminho

Aqueles que saltam em busca do desconhecido
Sem minha companhia
Perdem-se na escuridão
Nunca encontrarão a paz

Caminho sozinho
Caminho nas sombras
Caminho entre todos
Caminho para o fim

Puxo pela mão a fila que seguirá comigo
Para onde a dor não existe
Para onde a solidão está ausente
Para onde todos pagarão seus pecados

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Minha teoria da relatividade

Há alguns anos atrás eu li um artigo que falava sobre a percepção dos dias em nosso cérebro, como nosso cérebro armazenava o nosso cotidiano, o nosso dia-a-dia. Muito curiosamente o artigo dizia que se de segunda a sexta fizessemos todos os dias a mesma coisa, mesma hora de levantar, mesma rotina do café da manha, mesmo caminho de ida e volta do trabalho, os mesmos problemas, o jeito de sempre reclamar de tudo. Se fizessemos todos os dias exatamente a mesma coisa, ao invés de nosso cérebro encarar estes dias como segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira, ele iria encarar assim: você, fulano de tal, viveu este dia 5 vezes.

O que parece a mesma coisa, viver 5 dias ou viver 5 vezes um dia, altera totalmente nossa perceção da vida, como todo dia parece igual você tem a sensação de não viver, não importa o que você fez ontem, hoje é igual, e amanhã também o será. Você não lembra o que comeu ontem a noite? Não se preocupe, é a mesma coisa que você está comendo hoje e será a mesma de amanhã. Você não deu importância à janta de ontem assim como não dará à janta de hoje. Assim, vivendo essa rotina de dias iguais, os anos passam e você simplesmente não fez nada a vida toda. Não importa quantos anos, você está preso no tempo vivendo o mesmo dia.

E é neste momento que surge a minha relatividade, além da sensação de nunca terem feito nada, o que eu sempre vejo por aí é a sensação do tempo estar passando rápido demais, como dizem muitos por aí "o tempo voa", "nossa como este ano passou rápido", "já estamos próximo ao natal", etc. E todos percebemos cada ano passar mais e mais rápido.

Mas é lógico que os anos, a cada ano, passa mais rápido, Einstein já deu a letra há muitos anos para nós. Os dias permanece igual, o tempo permanece igual e constantes. Mas nós não vivemos o tempo em relação ao tempo, nós vivemos o tempo em relação à nossa vida. Cada ano que passa, relativo a nossa vida, o ano se torna menor.

Perceba que para uma criança de 2 anos, aquele ultimo ano que ela viveu foi metade da vida dela, um ano era o dobro do que ela já havia vivido. Assim, quando você estava no primário e tinha 10 anos, aquele ano entre 9 e 10 foi um décimo da sua vida, se dividíssemos a vida em 10 partes uma parte seria toda destinada aquele ano.

Mas e hoje em dia? Eu tenho 27 anos, em pouco mais de 4 meses farei 28 anos. Quanto deste ano, em relação à minha vida, este ano significou? Pouco mais de 3,5%, é lógico que o ano está menos, é lógico que ele passa mais rápido que o ano há 10 anos atrás. Quando eu tinha 10 anos 1 ano significava 10% da minha vida, quando eu tinha 2 anos 1 ano significava metade de toda minha vida.


Encarando assim, os anos passando cada vez mais rápido e a vida cada vez mais igual, eu ainda acho válido a sugestão do artigo que eu li há muito tempo atrás. Ele sugeria você mudar a sua rotina todo o dia, mesmo nas pequenas coisas, e tentar ao máximo não fazer mais de uma ou duas coisas ao mesmo tempo.

Para variar as pequenas coisas você pode mudar o seu trajeto de ida e volta do trabalho ou escola, mesmo que você mude apenas uma rua, e perceba esta rua, preste atenção nela. Tente não comer sempre as mesmas coisas do seu cardápio, varie, experimente coisas novas. Não coma na frente da TV, deguste a comida, perceba seu sabor. Preste atenção nas pessoas, ouça o que elas tem a dizer, ao invés de ficar pensando em si mesmo enquanto elas falam desesperadamente.

E cuidado com os excessos, falam que se você viver cada dia como se não houvesse amanha, um dia você acerta. A pergunta é: você quer mesmo correr o risco de estar certo um dia? Procrastinar pode se tornar uma doença, já abraçar o mundo e engoli-lo sem saborea-lo pode se tornar um desperdício.

Viver é tão simples como deixar o tempo passar através da sua alma. Já perceber a vida exige treino e disciplina. Lembra? Você deveria ter aprendido isto na escola.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Zona de Conforto

Layout do blog reformulado e para estreá-lo vamos a um post curto que surgiu de um devaneio enquanto teclava agora a noite com a MR.

O problema maior é sempre o medo de mudar e de assumir as consequências.

Maior ainda quando o problema é a preguiça de sair da zona de conforto.

Mas eu conheço gente pior, que prefere arriscar um pé para fora da zona de conforto, e depois volta o pé para dentro, esperando que ninguém o tenha visto com o pé para fora, e com medo de assumir que colocou o pé para fora e assumir a consequência por isso.

Acho que na verdade todos somos um pouco ou muito assim. Depende de você e de entender que life is not fair.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Expremido

Hoje quando acordei (3 de julho de 2010) eu estava desesperado, um cansaço dominava minha alma, olhei para o espelho e pensei "preciso parar". Já no banho me perguntava "parar com o que?".

Alguns falam que o dia é dividido em 3 partes: trabalho, vida pessoal e descanso. Se o dia tem 24 horas eu tenho 8 horas para descansar, para trabalhar e para viver. E embora eu adore dormir, acho gostoso demais, é um tempo que eu vejo como perdido. Certa vez estava lendo uma teoria de um cara que estava tentando não dormir, nunca mais. Ele tinha a idéia de dormir pequenos pedaços de tempo durante o dia não gastando mais que 3 horas de sono picada entre períodos de descanso de no máximo 30 minutos. Eu cheguei a pensar em realizar isto, mas para mim é impossível. O corpo chega um determinado momento que agride minha mente pedindo descanso.

E então me sinto um limão bagaçado entre os cubos de gelo de uma caipirinha, estou lá, expremido. Hoje durmo em torno de 5 a 6 horas por noite, porque meu corpo exige, não a mente. E há dias que as horas que faltam para chegar as 8 horas de descanso diárias recomendadas pelos médicos me faltam.


Trabalho é rotina, é assim que vemos aquilo que fazemos todos os dias sem perspectiva de término. No meu caso trabalho e estudo. Lembro que desde muito tempo minha mãe fala, de domingo a sexta, para que eu "não volte tarde, amanha você tem que acordar cedo, você precisa descansar". E eu sempre respondo "quando eu morrer eu descanso mãe" ou "preciso aproveitar agora que aguento essa rotina maluca, um dia não irei aguentar e terei realmente que descansar". A verdade é que esta frase da minha mãe é a mais injusta do mundo para mim, porque ela afeta os três pilares da vida, o trabalho, o descanso e o viver. É neste momento que é arremessado contra meu rosto uma palmatória cheia de pontas, porque eu não equilibro a minha vida como a sociedade manda. Mas eu realmente quero que a sociedade se foda.

A verdade é que o mais importante da vida é o viver, é aquele um terço que você sempre deixa de lado. Você trabalha para ter condições de viver melhor, você descansa para aproveitar os tempos que você vive. E você dá tanta importância ao trabalho e ao descanso que você acaba deixando o viver de lado.

"Parar com o que?". Que pergunte cretina a minha nos primeiros minutos da manhã. Como assim "parar com o que?"? Eu não posso parar com nada. Eu trabalho, estudo, leio, escrevo, namoro, almoço, janto, bebo, converso, durmo, viajo, e mais tantas coisas que nem posso enumerar. Parar com o que então? Eu não vou parar é com nada, preciso dar um jeito de esticar meu dia. Preciso de um dia de 34 horas, onde 10% eu durmo, uma hora antes de dormir eu fico deitando pensando sobre meu dia e eu tenho 30 horas para todo o resto. 8 horas para trabalho, 2 horas para refeições, e 20 horas para viver de tantos modos quanto me forem possíveis.

Viver é uma arte, viver é um dom que nem todos tem.

domingo, 4 de julho de 2010

Augusto Cury - O vendedor de sonhos

E eu me pego presa a um livro que parece não ter fim.
No começo, como sempre dou uma chance ao livro.
Toda vez que começo a ler um de meus queridos companheiros das noites de insonia eu anuncio: Você tem 35 páginas para me conquistar.

E este me conquistou logo nas primeiras 7.

Eu leio livros. Muitos. Mesmo.
Costumo ler 3 ao mesmo tempo. É vício, mania. Prazer.

Eu amo ler.

Leio tudo. De livros a jornais, revistas, blogs, bula de remédio (morro de rir das bulas, são mais engraçadas do que muita gente, do que muitas coisas. Mas hoje não vem ao caso).

E cá estou, na página 151. O livro tem 290.
A questão é: eu leio um livro de 500 páginas em 3 dias, este não chega a ter 300 e estou presa a ele faz 6 meses.
Seis longos meses. Já passou o verão, o outono todinho e estamos entrando no inverno. E nada acontece.
Eu não sinto vontade de devorá-lo. Eu não o leio com vontade.
E o conteúdo é bacana. O enredo é atraente.

Cá entre nós, não gosto muito do jeito de escrever do Augusto Cury, acho que ele enfeita muito os sentimentos que são descritos.
Não que eu goste de enrolação, mas também não gosto de tudo jogado na lata. Perde a fantasia.


Este livro fala sobre Sonhos, sobre o que você sonha, sobre o que sonhamos. Como vivemos nossas vidas medíocres diariamente sem sonhar, sem almejar algo melhor, algo maior.
Já apliquei muitas frases ao meu dia a dia. Já repliquei sentimentos que foram gerados as pessoas ao meu redor.
Todos os dias eu aplico a minha vida o que me é dado através da leitura.
E ele escreve exatamente o que as pessoas precisam ler. Mas as pessoas não leem.

As pessoas assistem televisão. As pessoas fofocam na rua depois do almoço, no escritório. E não é sobre o que ele escreve.
E isso me incomoda.

Talvez seja isso.
Talvez eu queira ver o efeito do sonho que está escrito virando realidade. E como aplicar a realidade a pessoas que não sonham?

Eis a questão!

Maria Rita Piratelli
www.twitter.com/meninacomsono

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ignorância

O que é ignorância?

Ignorar? Ignorante?
Pausa para consultar o dicionário.

Ignorância - A ignorância se refere à falta de conhecimento, sabedoria e instrução sobre determinado tema, ou ainda à crença em elementos amplamente divulgados como falsos. Em situação em contrapartida o ignorante estaelece critérios que desclassifiquem o conselho alheio, em prol da sua falta de conhecimento, busca estabelecer idéias falsas sobre si mesmo e o mundo que o cerca de forma errônea, que desagrade aqueles que o cercam. Ignorância é não saber, e não saber que não se sabe. (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)

Voltando.
Ignorante é aquele que não sabe que não sabe.
Ah. Será que eu entendi?
Se ele não sabe que não sabe, isso o torna ignorante.

Então a pessoa precisa saber que não sabe.
É.
Estou complexa hoje.
Mas, complexa é a vida.

Vamos lá. De novo.
Ignorante é a pessoa que maltrata o próximo.
É aquele que discute o que não precisa ser discutido.
Ignora o que precisa ser dito.

Qual a pior forma de ignorância?
Ignorar o conhecimento.
Mas, espera aí.
Todo mundo tem conhecimento !
Todos sabem de algo que falta ao próximo. Eu tenho uma informação que você não tem. E assim por diante.
Então todos somos ignorantes?

Eu sou ignorante.
O que me falta?
Um dia vou trasnbordar de tanto conhecimento.
E mesmo assim vai me faltar algo.

Pense. Reaja. Faça.
Ou, simplesmente ignore.


Maria Rita Piratelli
www.twitter.com/meninacomsono

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ser feliz não basta...

Estou escrevendo um post para o blog que está tomando mais tempo que o normal, assim, alguns textos paralelos irão aparecer, pois algumas outras idéias vão se formando no meio do caminho, e que caminho.

Estou com uma frase em minha mente no mínimo interessante. Como eu sempre digo, algumas coisas simplesmente flotam em minha mente, assim, do nada: "se você está feliz por mim tudo bem". Na verdade existem váriações desta frase "só desejo que você seja feliz", "o importante é estar feliz", "só quero sua felicidade".


Acho legal desejar a felicidade de alguém, na verdade é o que sempre esperamos, que as pessoas sejam felizes. Mas as pessoas desejam apenas serem felizes? As vezes sinto que ser feliz é a porta de entrada. É o inicio de tudo. Realmente não sei o que cada um procura, mas eu sempre sei o que estou procurando, mesmo quando não sei.

Mas para conseguir tudo o mais parece que o mínimo necessário é estar (ou ser) feliz. Sem o estado de espírito pleno de felicidade parace impossível alcançar todo o resto. Eu sempre desejei ser feliz e ter mistério, e ter aventuras, e ter paixão, e ter amor, e ter momentos de gargalhadas, e ter rir até chorar, e chorar de tanto rir, e ter medo, e ter frio na barriga, e ter borboletas no estomago, e ter um amor, e ter pessoas que eu gosto a minha volta, e ter tantas coisas que não consigo numera-las, se quer consigo pensar em todas elas agora.

Mas não adianta ter tudo isto e não ser feliz, e eu acho que não são estas coisas que lhe trarão felicidade, felicidade não é algo que se compra, que se ganha amarrada num laço. Felicidade é aceitar você como você é, felicidade é aceitar sua vida como ela é, felicidade é agradecer cada minuto de vida, pois viver é o maior presente que você ganhou, felicidade é ter vontade de viver e lutar por viver, e não apenas arrastar-se pelas horas do dia esperando que alguma coisa diferente aconteça sendo que você não faz nada diferente para acontecer, para a vida acontecer.

Dica da noite: procure a felicidade em você mesmo, conquiste-a, e quando a tiver em mãos saia a procura do resto da sua vida, do resto das suas conquistas, pois a felicidade só não basta, ser feliz só não basta, mas é o primeiro passo para tudo o resto...

sábado, 22 de maio de 2010

Limbo

Os dois melhores jeitos de saber que você está vivo são:

  • quando a alegria invade sua alma e transborda como uma tina que é pequena demais para sua sede
  • quando uma dor é tão grande que parece que rasga sua alma ao meio, independênte se a dor é física ou espiritual

Assim temos em vida o Paraíso e o Inferno, aqui na Terra mesmo, hora estamos no Paraíso, hora estamos no Inferno. Mas e quando não estamos nem lá e nem cá? Onde estamos?

E venha a nós o Limbo. Limbo este que tanta gente nega. Lugares estes que achamos que é preciso morrer para conhecer. Não percebemos que tudo está aqui a nossa volta. Que em um mesmo dia somos capazes de acordar no Limbo, sair para trabalhar, perceber o Inferno em que nos encontramos, e ao voltar para a casa a noite encontrar pessoas amadas e dormir no Paraíso.

Mas quando estamos no Limbo não sentimos nada, vivemos uma anti-vida, não estamos mortos e nem vivos, vagamos zumbis empurrados por uma multidão que é empurrada pelo Tempo. E fico observando pela janela de minh'alma essa multidão, tantas e tantas pessoas que há muito não visitam nem o Inferno e nem o Paraíso.

Presas à rotina já não sabem mais porque vivem. Caminham porque um dia lhes disseram para caminhar. Andam para frente porque para trás não dá mais.












Há pouco tempo, eu mesmo passei 6 meses no Limbo, me lembro pouco do que fiz, mas lembro de como me senti. Ou melhor, do que não senti, simplesmente não sentia nada, nem o vazio me incomodava mais. Com os olhos apagados, movimentos mecânicos, todos me viam, mas eu não via ninguém. A mente funcionava, a alma não!

Veja que não quero confundi-los, não significa que só porque você não está no Paraíso e nem no Inferno signifique que você esteja no Limbo. Não! A Terra existe, você está aqui presente, você vive! O Limbo, assim como o Paraíso e o Inferno é um estado de espírito além do Viver.

A ultima dica que dou é que não é possível pegar alguém, que caminha no Limbo, pelo braço e tira-lo de lá. Não, isso não é possível. Mas você pode ser um sinaleiro, um farol, que ilumina o caminho, guia seus passos e o tira desta correnteza. E tenho certeza que você sabe como se chama esta luz...

domingo, 9 de maio de 2010

Devaneios

E quando tudo acabar?
Serei luz?
Serei pó?

Ajudar agora.
E a recompensa?
Espero ?
Não, não espero!

Brisa de outono.
Sol. Pôr-do-sol.
Esperança?
Eu acredito que pode melhorar.

Eu sou sua luz.
Meu anjo não tem asas.
Mas eu estou aqui. Ao seu lado.
Amparando-te.
Segurando sua mão.
Acreditando.
É possível.

Vamos voar.



Escrito por: Maria Rita Piratelli
Twitter: @meninacomsono

PS.:
Estou pensando sériamente em transformar os textos da MR em uma participação mensal no meu blog. hehehe

terça-feira, 4 de maio de 2010

Consciência sobre si mesmo

A maior aventura que todo ser humano tem que enfrentar mais ou menos dia é a busca pela felicidade. Quando damos conta que nos falta algo que um dia foi retirado de nós enquanto ainda eramos pequenos inocentes, nos damos conta que devemos ingressar em uma jornada buscando preencher algo que não sabemos exatamente o que é, mas que faz falta.

Fato concreto que para algumas pessoas a ficha tarda a cair ou nunca caí. Já raras são as pessoas que nunca se desprenderam de sua felicidade, fazendo a jornada ser desnecessária. Para a maioria, é hora de caminhar.

A busca pela felicidade incia-se sempre com uma marcha sem rumo. Cambaleantes as pessoas quicam de canto em canto, fuçam aqui e acolá, procuram o impossível, acham de tudo que não serve pra nada. Existem pessoas que caminham cegas em direção ao abismo, já outras correm de cabeça baixa contra uma parede. Se machucam, tropeçam, caem, ferem o corpo e a alma até um dia que são obrigadas a parar e se perguntar "O que mesmo estou procurando? Em busca do que estou indo?".

Não pensem que se estou aqui escrevendo este texto significa que eu já acabei a minha jornada. Não, não creio que está seja uma jornada com um fim, com um troféu nos esperando. Mas a busca em si vai trazer o que você procura. Basta procurar do jeito certo, a coisa certa, nos lugares certos. E acho que sobre isso eu posso falar.

• Dos lugares onde não devemos procurar

Existem dois lugares que devemos descartar logo de cara pois a felicidade não está lá. Estes são o passado e o futuro. Não importa se você foi feliz um dia no passado, se você não está feliz agora, não é lá que você irá encontrar a felicidade, pois aquele momento já passou, você não poderá resgata-lo.

E quem espera ser feliz amanhã perde a chance de ser feliz hoje, muitas pessoas não percebem que precisam parar de tentar ser felizes. Quem tenta fracassa, quem quer consegue, e se quiser consegue agora. Não seja vítima da procrastinação (para saber mais sobre ser vítima da procrastinação leia o blog da Exoticlic).

• Das coisas que não devemos procurar

Você já deve ter ouvido que felicidade não se compra né!? E está certo, felicidade não é algo palpável. Não que algumas coisas materiais, algumas aquisições ou conquistas não irão ter deixar alegre ou feliz. Mas perceba que basear sua felicidade nisto é como por combustível na vida. Você sempre precisará de mais conforme for acabando o combustível. Você nunca será completamente feliz, pois toda vez que a felicidade acaba você precisará comprar mais e mais.

• Das pessoas que não devemos procurar

Aqui vai a questão mais importante, a quem não devemos procurar, perceba que se a felicidade é sua, ela é de sua responsabilidade e de mais ninguém, garanto que você não irá encontrar em ninguém a felicidade. A felicidade nunca lhe foi roubada, você a perdeu e só não sabe onde encontrá-la, ninguém a roubou e ninguém a achou caída no chão.

E também nunca se baseie na felicidade de ninguém, ela com certeza não é igual a sua. Felicidade é igual impressão digital, cada uma tem a sua e não é igual a de ninguém. Você pode até tentar se encaixar na felicidade de alguém, mas ela não é sua, você irá se sentir desconfortável muitas vezes pois você está usando algo que não é seu, que não lhe pertence.

• O que você deve saber para procurar a felicidade

E então chegamos ao ápice de tudo isto, você nasceu feliz e em algum momento perdeu esta felicidade, e agora? Onde ela está? A felicidade está no local mais improvável, no lugar mais intrigante, está em um lugar que você nunca irá admitir que está. A felicidade perdida está dentro de você, ela está lá, acredite. Mas conforme você foi vivenciando o mundo, esqueceu de vivenciar a si mesmo. Você perde a consciência de si.

Sair para o mundo é tentador, é fácil, é sedutor, é irresistível. Porém encontrar o caminho de volta não é fácil, e o único jeito de ser feliz é conhecer a si mesmo, não há outro jeito.


• Consciência sobre si mesmo

Agora, você que procura a felicidade, precisa criar consciência sobre si mesmo, porém isso parece tão vago e simbólico que chega a ser inatingível. Você irá sentir que toda vez que tentar irá falhar. Mas por que tenta o extraordinário quando a vida é tão simples?

Tente descobrir-se. Você tem fé? Qual o tamanho da sua fé? Você tem religião? Você confia na sua religião?

Você sabe qual sua comida preferida? Você prefere doce ou salgado? Qual sua sobremesa favorita? Você já parou para prestar atenção ao sabor das coisas?

O que você mais gosta no seu corpo? O que você não gosta? O que te incomoda no seu corpo? Você já parou para reparar nele? Você sente-se a vontade com sexo?

Com quais tipos de pessoas você anda? Com quais se identifica? O seu jeito te incomoda a ponto de querer mudar? Você se sente a vontade com seu jeito?

Você ama? Você se apaixona? Você tem muitos ou poucos amigos?

Então você, aventureiro iluminado, que decidiu iniciar sua jornada em busca da felicidade, deve primeiro saber quem você é, deve primeiro ter plena consciência sobre si mesmo para depois saber o que procurar. Saiba que toda mudança começa de dentro para fora. Só depende de você ser feliz. E nunca duvide da sua capacidade, Deus te deu tudo que precisa para ser feliz, faça bom uso disso, não desperdice.

[escrito ao som da trilha sonora de Alice no país das maravilhas]

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Das coisas que me incomodam....

A que mais me incomoda é você.
Sim, você meu caro amigo.

Me incomoda esse teu jeito de não decidir o que quer.
Só é feliz quem sabe o que quer?
Pobre de mim.
Para de pensar pra ser feliz.
Me incomoda essa tua busca pela felicidade plena.

Felicidade plena não há.

A felicidade mora dentro de você. Dentro de mim.
Está no ar que eu respiro, na chuva que tomo a caminho do trabalho. No sorriso do estranho que passa na rua, na criança que sorri para mim no ônibus.

Para achar a felicidade, goste de você. Esqueça seu trabalho, suas obrigações, seus problemas.

Tire um dia para você.
Cuide de você.



Acorde na hora que quiser, fique de pijama o dia todo. Assista desenho na tv. Coma tua comida favorita. Devore uma barra de chocolate, sem culpa!

Vá caminhar.

Experimente sorrir. É. Sorria a toa. Para todos! Não, não é maluquice. Seu sorriso trará outros sorrisos à tona. E isso não é loucura.

Acorda. Tua vida está esperando para ser vivida.

Feche os olhos... Sonhe.

Livre-se das coisas que não te fazem bem.

Você é o seu próprio templo, tua própria igreja.
Converse com DEUS. Ele te ouve. Ele te acolhe.

E quando o seu dia acabar, e estiver outro dia logo ali, pronto pra começar, respire fundo e pense: Acordei hoje, para ser feliz!



Escrito por: Maria Rita Piratelli
Twitter: @meninacomsono

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Injustiça

Então estava eu lá, deitado no colchão, no meio da noite, dormindo como qualquer outra pessoa normal naquele horário. Então sonhos sombrios começaram a atrapalhar meu descanço, algo me incomodava e eu acordei...

Tão terrivel quanto um filme de terror três entidades estavam próximos a minha cama, me olhando, em encarando, esperando que eu respondesse algo, esperando que eu acordasse. Numa reação súbita eu me sentei e ententei entender o que estava acontecendo.

Estranhamente me lembrei de quando eu era criança, lembrei que eu tinha medo de dormir, era um medo diferente, era um medo inocente, eu dormia sem saber como se faz para dormir e tinha medo de não saber acordar também. E se eu esquecesse como se acorda? Eu morreria? Para onde eu vou quando eu durmo? E se eu não achar o caminho de volta?

Bem, como eu disse era um medo inocente, era um medo de entrar em um mundo desconhecido e não saber como voltar. Toda noite, enquanto eu fui criança, eu tive este medo. Com o tempo o medo foi passando, e eu fui esquecendo estas questões, mas vez ou outra eu ainda me deparava com elas. E agora eu estava lá, acordado no meio da noite, com três estranhos me encarando.

Um deles, vestido como palhaço, abre um sorriso olhando para o que estava ao seu lado direto e diz "ele acordou, ele acordou!" de uma forma bem animada, se virou para mim, me encarou com uma cara de duvida, se inclinou olhando bem nos meu olhos e perguntou:

- Hum.... Vamos jogar poker? Estavamos esperando você acordar!!!

Num impulso levantei, meio zonzo, cambaleante, olhei para tras, e quando vi minha cama percebi que ainda estava dormir nela, mas eu estava em pé, como se faltasse ar e tudo começasse a girar olhei para frente, para o lado, para cima e meu corpo se jogou para tras. Antes que pudesse alcançar o chão sentei-me na cadeira atras de mim. Agora estava sentado em uma mesa de poker, a mesa era octagonal, cor de mógno, com uma lampada de 40 watts iluminando o lugar todo escuro.

A minha frente estava o palhaço triste, com sua lagrima pintada no olho direito, a minha esquerda um personagem negro e sem rosto, mas com um belo sorriso e a direita uma mulher com um rosto todo embaçado.

O baralho estava na mão do palhaço, todos tinham fichas e as rodadas seguiam quietas, mudas.

Ora, a cada rodada aquele palhaço em incomodava mais, eu não podia fazer mais nada, já não estava no meu quarto, só me restava jogar. Aquele quarto escuro hora me deixava claustrofóbico, hora parecia uma mesa de poker solta na escuridão do universo.

Então, em uma unica rodada de sorte aquele ser circense tira o personagem negro e a mulher de rosto embaçado do jogo, e olha para mim com um sorriso de satisfação fantasmagórica. Sorrindo apenas com o lado direito ele quebra o silêncio.

- Agora que as crianças sairam do jogo, Gustavo, agora podemos jogar de verdade, não sei se reconheceu mas este do seu lado direito é sua Sombra, aquele que lhe acompanha diáriamente mesmo quando as luzes não o exibem. E esta do seu lado direito é a solidão, que lhe faz visitas inesperadas causando as vezes incomodo outras vezes conforto.

- E você? Quem é você palhaço? - eu perguntei já suando frio...

- Eu sou o que todo palhaço é, eu sou a Tragédia. Mas isso não importa, agora só estamos nós 2 no jogo, e agora teremos nosso All-In. A proposta é a seguinte: Se você ganhar vc fica com sua Sombra e eu levo a Solidão embora comigo, se você perder eu levo sua Sombra e você fica com a Solidão. O que acha da proposta?

- Se eu ganhar eu fico com o que é meu e você fica com o que provavelmente deve ser seu, e se você ganhar nós trocamos? Não entendi onde eu ganho nessa.

O  palhaço abriu um sorriso se gargalhada, mas se conteve, respirou fundo e continuou...

- Acho que você não entendeu Gustavo, eu sou a Tragédia, eu te acordei esta noite porque eu cheguei para você. Eu sou a tragédia que irá acometer sua vida esta noite. Se você ganhar o jogo eu irei embora e levarei a Solidão comigo, se você perder você ficará com a Solidão, o que já é ruim, mas eu irei embora, se você não jogar tudo ficará igual, você terá sua Sombra, e Solidão tomará o rumo dela, porém eu não irei embora, eu ficarei, e cairei sobre você esta noite.

O terror se apossou de mim naquele momento, eu cai em um redemoinho de pânico, estava frente a algo que eu não entendia, mas sabia que seria terrível.

O palhaço distribuiu as cartas, duas para mim, duas para ele, queimou a primeira virou as três seguintes... não havia mais apostas, desistir não era opção, eu não tinha coragem de olhar as minhas cartas, eu não entendia o que havia virado na mesa.

O palhaço olhou para mim, queimou mais uma carta, virou a próxima, olhou para a Solidão, queimou carta seguinte, olhou para minha Sombra e virou a ultima carta.

Naquele momento, ao ver a ultima carta aberta na mesa, um As de ouro, eu comecei a pensar o que eu faria se a Solidão me acompanhasse a vida toda, e também, com as 2 cartas em mãos eu poderia simplesmente desistir do jogo e enfrentar a trágico fim daquela noite pavorosa.

Ainda em pânico, mas decidido a não aceitar o que aquele verme cômico havia me proposto, e sem sequer ver as cartas que estavam em minhas mãos, movido pela furia de me sentir incapaz de alterar a realidade, segurando forte eu virei a mesa contra o palhaço funesto.

- Seu idiota o que fez? - Disse o palhado me olhando do chão com a boca sangrando.

- Ganhei o jogo, virei a mesa, agora suma daqui e leve esta mulher embora.

- Você não ganhou o jogo, você não sabe jogar. - Ele disse enquanto a Solidão o ajudava a se levantar.

- Palhaço a vida é minha, o jogo é meu, as regras são minhas, você jogou com a pessoa errada. A vida é injusta, mas desta vez ela foi injusta a meu favor, vá embora. Sombra, vamos, não temos mais nada o que fazer aqui.

E assim ficou o palhaço apoiado pela Solidão e eu seguindo pela escuridão em busca de minha cama...

terça-feira, 30 de março de 2010

Pessoas Substitutas

Título copiado da frase do filme Tudo Acontece em Elizabethtown
Claire: Você e eu temos um talento especial, e eu percebi isso imediatamente!
Drew: Diga-me.
Claire: Nós somos pessoas substitutas...




E assim que vi este diálogo percebi que no mundo existem vários tipos de pessoas, mas existe um grupo de pessoas com um dom especial de serem pessoas substitutas. Pessoas que preenchem lacunas na vida de outras pessoas, que preparam esta pessoa para a chegada de alguém, apoiam durante a ausência de alguém, ou ainda ajudam alguém a atravessar uma fase.

Mas como saber se você é uma pessoa substituta? Bem, existem algumas considerações que você deve pensar sobre:

  • Você se sente confortável com a solidão?
  • Frequentemente as pessoas lhe procuram pedindo ajuda ou conselhos?
  • As pessoas geralmente se apoiam em você e você se torna um porto seguro em um momento difícil, e você ajuda a pessoa a superar aquela fase? E depois que aquela fase difícil passa essa pessoa se vai.
  • As pessoas dizem que são seus melhores amigos, mas você nunca é a primeira opção na vida daquelas pessoas?
  • Você é impossível de ser esquecida, mas difícil de ser lembrada?
  • Frequentemente você se encontra só esperando que algo aconteça?
  • Você não consegue passar muito tempo dentro de um relacionamento, e tem pequenos relacionamentos com muita intensidade no começo que se apagam como uma vela ao vento?

Bem, se você respondeu "sim" a todas as questões acima não quer dizer que você seja uma pessoa substituta, existe uma questão essêncial ainda. A questão que uma pessoa substituta sabe que é uma pessoa substituta, sem ninguém precisa dizer a ela.

Hum! Na verdade este modo de pensar é só um jeito simpático de te recolocar em órbita. Se você disse "sim" a todas as questões acima provavelmente você se encontra deslocado, então dizer que tudo isto na verdade faz parte de um dom ou um talento muito especial é só um jeito de lhe confortar, mas isto não pode fazer você estagnar. Na verdade este é um convite muito especial.

Se você se acha uma pessoa substituta então significa que você recebeu um convite da vida para ser você mesma, para seguir em frente sendo você mesma, porque você não aceita ser diferente para se enquadrar a realidade ao seu redor. Você interage com tudo mas não aceita tudo.

Talvez mudar para se adaptar seria mais fácil, você viveria uma vida adaptada assim como quando pegam um livro e o adaptam ao cinema, é legal, fica bom, mas quem conhece o livro sabe que o filme nunca é tão bom assim, falta detalhes, falta vida.

E no final parece que uma pessoa substituta é um protagonista que age como coadjuvante da sua própria vida. Então hoje fica um convite especial a todas as pessoas substitutas do mundo. Assumam o controle sobre sua vida, continuem a realizar coisas na vida dos outros, mas comecem a realizar coisas em sua própria vida.

domingo, 28 de março de 2010

Fluir

Como uma espada que atravessava seu coração assim ele sentia seu peito estremesser enquanto ela caminhava saindo de sua vida. Nunca aquele parque fora tão triste quanto aquele dia, as arvores alaranjadas pela chegada do outono fazia-o lembra que tudo acontecia naquela estação.

Há três anos, caminhando naquele mesmo parque tropeçou em uma feiticeira que estava recostada em uma arvore lendo um livro de capa azul. Embaraçado, olhou para a moça de cabelos avermelhados e antes que pudesse pedir desculpas se apaixonou pelos olhos negros daquela garota. Ela riu enquanto ele se recobrava.

Ele bateu as folhas secas de sua blusa de lã cinza, pediu desculpas com o rosto tão vermelho quanto o cabelo dela e seguiu seu caminho de cabeça baixa, prestando agora muita atenção ao seu caminho. Sorrindo ela o viu seguir seu caminho e naquele momento ela desejou o rapaz. Não sabia de onde, não entendia por que, mas o desejou.

O que ela não sabia é que ele estava atravessando o parque porque havia dormido demais no onibus e havia perdido o ponto. E o que ele não sabia é que ela decidirá não almoçar aquele dia para aprender um pouco sobre as runas. Mas desde aquele dia, e durante todos os dias do outono ela sentou embaixo da mesma arvore para ver o desastrado rapaz passar em frente a ela. E todos os dias ele fez aquele mesmo caminho esperando vê-la na volta do almoço. Assim os dois mantinham uma esperança de que um tomasse a iniciativa, mas isso não acontecia.

A vida é assim, se não nos mexemos esperando que algo aconteça pode ser que nada aconteça esperando que você se mexa. E ela cansou de esperar, ela que estava tão esperançosa com o outono, e o outono estava para acabar, ela cansou de esperar. Naquele ultimo dia de outono, com o prenuncio do inverno ela resolveu, com uma idéia firme e decidida, não pensou duas vezes, quando ele passou ela lhe deu uma rasteira.

Roberto estava no chão novamente, olhando aqueles lindos olhos negros, e quando seus olhos se encontraram eles cairam na gargalhada. Julia ajudou ele a se levantar e um novo amor começaria aquele dia.


E então 3 anos depois o que o outono trouxe para a vida de Roberto, ele tirava. E não importa tudo o que eles passaram juntos, ele só conseguia se lembrar do primeiro olhar, de quando se apaixonará por Julia. Não entendia tudo que passaram juntos, tudo foi perfeito, eles se amaram, eles se entregaram, aprenderam um com o outro, e agora ela se foi.

Entristecido, mas feliz, Roberto colocou as mãos nos bolsos da calça e pesou consigo mesmo "Bem, o outono só está começando mesmo, muita coisa está por vir, o outono sempre me trouxe mudanças, há três anos atrás o outono me ensinou o que é a paixão, convivência e consequentemente o amor. O que será que ele me reserva agora?". Abaixou a cabeça, e seguiu seu caminho...


Notas do autor: Olá meus caros leitores, desta vez este conto sem pé nem cabeça é só uma representação de como eu vejo a vida, por mais que a vida mude, e muitas vezes você não concordará com estas mudanças é bom estar sempre aberto para o que está por vir. Como um rio que flui a vida segue o seu rumo, você pode flutuar e esgueirar-se pelos inúmeros entroncamentos e bifurcações. Ou você pode nadar contra a correnteza, mas isto será por sua conta.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Tédio

Algumas vezes venho até este blog determinado a escrever sobre algo, a desabafar, a defender alguma coisa ou mesmo para atacar algo. Outras vezes, como hoje, venho a deriva no mar da inquietude que minha mente navega. Certo dia concordei, ao ler em outro blog, que não transformaria este blog em um diário, mas como é possível eu escrever textos com temas tão pessoais e não acabar mostrando um pouco de mim mesmo, e as vezes até muito de mim mesmo.

Eu já falei aqui sobre amizade, sobre pesadelos, sobre sexo, sobre amor, sobre decepção, sobre tantas coisas que preciso tomar muito cuidado para não ser repetitivo, e mesmo assim, sempre tomando cuidado, acabo me tornando, e acredito eu, acabo ficando tedioso.

Então vejo que não é só com este blog e não é só comigo, hoje passei por todos os blogs que tenho em minha lista de favoritos, e a maioria ou está bem desatualizado ou são sempre os mesmo assuntos... fulana fala sobre o amor platônico, fulano continua revoltado, olha o BBB aí gente, olha o CQC aí pessoal. E eu não estou reclamando do blog de ninguém, quem sou eu para isso, mas não são eles que repentem assuntos, assim como eu também repito, é que a Internet nos trouxe um dinamismo tão grande que é dificil ter algo novo pra contar todo santo dia. É dificil inovar já que tem fases de nossas vidas que duram muito tempo, acabamos por escrever sobre esta fase várias vezes, é normal.

Já um blog que está sempre novo, sempre diferente e conseguiu uma fórmula bacana para resolver o problema da mesmice é o Blog das 30 pessoas, como o próprio nome diz, são 30 pessoas escrevendo no blog, um dia do mês para cada uma, e um acerto nos meses com 31 ou 28 dias... vale conferir a dica...

E então eu caio com o mesmo problema do blog na vida real, todo dia alguém me pergunta "e aí, quais as novidades?", ou é no MSN, no Orkut, no telefone, num encontro no meio da rua, e é normal, queremos realmente saber da pessoa, desejamos que ela tenha uma vida metamórfica cheia de boas novidades... Mas no final eu penso "hum... é, sem novidades, trabalhando, vivendo... coisas assim, normais", será que sou assim, uma pessoa sempre sem novidades?

Na verdade não, minha vida é cheia de pequenas coisas, sabe, para mim todo dia é um dia diferente, sempre com coisas novas e interessantes, mas nada assim que ficamos contando como "novidades" sabe. É algo do cotidiano, são novidades cotidianas, e eu gosto delas, e gosto que as pessoas fiquem perguntando se tenho novidades, não estou reclamando, porque quando realmente tenho uma novidade acho bacana poder compartilhar com pessoas agradáveis.

E assim a falta de novidades segue seu rumo ao convivio mais íntimo, perceba que todo começo de namoro ou amizade tudo é muito novo, tudo é excitante, e do meio em diante as coisas vão se acalmando e no final até saltar de para-quedas é algo trivial... e a vida é assim.

Lógico que existem pessoas que nunca passarão por tudo que escrevi aqui, tem pessoas que passarão mas não irão perceber, e tem pessoas que irão se identificar com o texto... Na verdade eu só escrevi ele porque eu estava entediado e sem novidades, e descobri que é possível escrever um texto sobre a falta de novidades... rs

tenham uma boa noite...

sábado, 13 de março de 2010

Fé Inabalável

Uma contribuição da minha querida amiga Menina com Sono, ou como gosto de carinhosamente chamar Mina Sonada.

O que é amizade para você?
Sair junto? Bater papo? Chorar no ombro?

Pra mim, amizade se resume a três palavras: confiança, lealdade e respeito.
É igual receita de bolo, esquece de colocar os ovos pra você ver, sem um ingrediente não funciona. Vai ficar com cara de bolo? Vai. Mas você não vai conseguir engolir.

Quando você começa uma amizade, não pede isso, não fala que vai doar. Isso simplesmente acontece.

A pergunta é : até que ponto você leva a sério esses ingredientes de uma amizade?
Por que você não vai ligar para seu amigo e dizer: Viu fulano, hoje faltou lealdade! 
Quando ela é abalada você percebe o que faltou.

Confiar? De olhos fechados? Não mais.
No meu caso, costumo demorar muito para confiar em alguém. Sempre deixo um pé no chão.
Não existe traição pior do que amizade abalada. Dói.  

As cicatrizes estão aí, para nos mostrar que o passado é real. 

Boa semana a todos.

Maria Rita Piratelli
twitter: @meninacomsono

quinta-feira, 11 de março de 2010

E então a fuga....

O fato é que quando nascemos já nascemos o que somos, e já temos alma. Mas você pode ver como os bebes são desengonçados, então tente você já com seus 20 e poucos anos colocar uma roupa de quando você tinha 8. Agora tente levantar, caminhar, tudo vai estar tão apertado que nem falar com irá conseguir, e depois de um tempo irá chorar com o aperto das roupas. Assim somos nós, seres com almas enormes em corpos de bebes, é tudo muito novo, e estamos espremidos lá dentro.

Tá, tudo bem, eu também não imagino que seja assim, mas seria uma teoria interessante, não acham?

Mas somos o que somos desde que nascemos, isso é fato. Porém, eu percebo que com o tempo mudamos, mudamos de várias maneiras e por vários motivos. Mudamos para nos proteger, mudamos para conseguir algo, mudamos para nos passarmos por outra pessoa pois achamos que não somos o suficiente nem para nós mesmo.

Eu sei que para alguns chega um momento que não estamos satisfeitos conosco, e chega um momento que não nos aceitamos mais e a vida que levamos não é a que queríamos levar.

E então a fuga, começamos a mudar o que somos, começamos a colocar máscaras em cima de máscaras, a esconder nossa verdadeira identidade. E então quando já adulto percebemos que aquela pessoa que você era encontra-se sozinha sentada num quarto sem luz olhando por uma janela empoirada. E o que ele vê lá fora?
Ele vê os personagens que ele criou para viver a vida em seu lugar. Ele monta um script para cada um, ele envia um personagem para cada situação. E assim ele acha que está feliz, sobre o controle da situação, mas ele não percebe que quem está vivendo tudo aquilo não é ele, embora ele veja tudo, cada conquista não foi mérito dele, cada niquel, cada beijo, cada vez que perde o fôlego, cada ato de coragem é mérito do fruto da imaginação dele.
E assim, enganado, ele fica sentando olhando pela janela por anos, enclausurado em sua masmorra. É quando um certo dia ele percebe que o vazio que sentia todo final de tarde não era fome, era falta de viver. E então ele sai daquele lugar escuro uma certa manhã, e toma aquele corpo que lhe pertencia. Mas as pessoas não o reconhecem, não entendem suas atitudes e nem suas palavras.

Então ele percebe que ninguém o conhece mais, e ele não conhece mais ninguém, passou tanto tempo se escondendo para viver a vida que idealizou que acabou deixando de viver a vida que lhe foi dada. Hoje caminha só pela multidão, com os olhos vazios e sem expectativa. Ele já não sabe mais quem é. Sabe muito bem que não é. Mas não sabe quem é.

sábado, 6 de março de 2010

A Casa Cheia

Bem, o ano definitivamente começou, agora é tarde demais para permanecer no ano passado... e como todo fim de ano eu fiz uma lista do que eu deveria melhorar neste ano agora. Geralemten não cumpro nem 10% do tratado, mas este ano começou diferente. Este ano acho que estou centrado nos meus objetivos. Mas lógico que não vou expor esta lista aqui.

Enfim, teve algo que notei de diferente, teve algo que descobri que algo que eu já sabia há muito tempo eu não havia colocando em prática ainda, percebi que eu estava com a casa cheia, sim, a casa cheia.

A nossa vida é a morada da nossa alma, uma casa onde ficamos e depositamos cada momento importante, cada sentimento que sentimos e junto a este sentimento colocamos a pessoa correspondente. Os mais organizados tem um comodo para cada coisa, outros deixam tudo espalhado.



Mas quando esta casa enche precisamos parar de colocar coisas dentro dela, já que não há mais espaço para coisas novas. E começamos a levar tudo para o jardim para para uma limpeza geral, jogar fora sentimentos como ódio, rancor, raiva, que são sentimentos feios e com certeza não combinam com a decoração de uma bela casa. Explicar para pessoas que estão lá dentro e que não te fazem bem que não há mais espaço para elas em sua casa e que elas devem ir embora.

Pronto? A casa está vazia? Agora você tem duas opções, se sua casa ainda lhe agrada e você sabe que viver nela ainda é bom você irá pegar uma magueira, sabão e esfregão e irá limpa-la, lavar cada encardidos que existe dentro dela, tirar o movo, pinta-la com cores novas ou com as mesmas cores, assim como você preferir. E a deixará nova e aconchegante como quando você entrou nela pela primeira vez.

Mas se a sua casa não lhe agrada mais, se você não se sente mais avontade com a sua casa (e com a sua vida consequentemente), então você irá derruba-la e construir uma nova, mas lembre-se que isto leva tempo, bem mais tempo que uma boa limpeza, você precisará ficar na casa de outras pessoas, precisará de apoio e ajuda para construir algo do zero. E está sua nova casa deverá ter então a sua nova cara, alguns querem uma casa nova e mais madura, outros querem uma casa mais espaçosa para poder colocar mais coisas lá pois sua antiga casa realmente era muito pequena. Cada um fará como acha que deve ser feito.

Então com a casa limpa, ou com a casa nova, você volta a colocar tudo que estava no jardim, e que não foi jogado fora, para dentro da casa novamente. E mesmo que algumas coisas sejam muito velhas, é como se fosse tudo novo, pois você estará com a alma renovada.

Este ano estou limpando minha casa, está tudo no jardim e ainda estou selecionando o que eu quero que volte para dentro da casa e o que eu quero devolver ao mundo porque não me pertence mais. Eu já lavei a casa, havia decido não destruí-la pois gosto muito dela, mas resolvi reformar os quartos ao leste, preciso de uma fachada mais bonita para receber os raios do sol nascente. Talvez construirei um deck no andar superrior a oeste para admirar o por do sol junto a pessoas que fazem parte da minha vida. Mas são só planos de uma mente que vaga por aí com esperança que tudo dará certo se ele tentar fazer a coisa certa.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Surpreenda-me se for capaz

Aqui deveria estar escrito a parte 3 do conto que eu estava escrevendo (Cinza e Meia-noite no jardim do bem e do mal), mas assim como muitos dos sonhos que temos a noite, eu acordei no meio deste conto e eu não sei qual o fim dele.

Sim, eu tinha um plano, eu iria falar sobre carnaval, já que era época, eu ia falar sobre o Pierrot (o cara do conto), a Colombina (a mina do conto) e o Arlequim (um zé migué qualquer que iria aparecer para se fuder no final), iria tentar continuar sendo surreal, e iria trazer o sonho ao mundo real. Mas por mais que eu me esforçasse para tentar escrever algo, nunca era aquilo que eu realmente queria. Eu havia acordado no meio do sonho, e não estava conseguindo sonhar sua continuação, não estava conseguindo chegar onde eu queria. Então lembrei que as vezes as coisas simplesmente acabam no meio, e estou aqui escrevendo agora.

Acho que os melhores sonhos que tenho são aqueles que envolvem amor, mas o problema de quem sonha muito com um amor, quem idealiza muito um amor, acaba por fechar as portas do seu coração para o mesmo. Pois acaba parando de olhar para fora e fica olhando só para dentro, e eu aprendi que não é olhando para dentro de si mesmo que você irá encontrar um grande amor.

É preciso deixar as portas do coração abertas para que o amor entre, e é preciso muita coragem e força para reabrir as portas do coração depois que elas se fecharam uma vez, ou quando elas já se fecharam várias vezes...

Mas acho que o melhor jeito de se tratar com o amor é desafiar a vida a te surpreender, e estar disposto a aceitar cada novo desafio que ela coloca a sua frente, aceitar cada oportunidade, e não se fazer de preguiçoso ou de acomodado.

As vezes a vida nos coloca em determinadas situações que temos que sair sozinhos, mas não tem problema, continue esperando uma nova oportunidade, ela pode não acertar na primeira e você não deveria desistir de primeira também.

Então, é uma sugestão minha, proponha a vida te surpreender, e comece aceitar as oportunidades que ela te proporciona, você verá que muita coisa irá mudar, é só observar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Teoria da Felicidade

Durante o dia eu recebo inumeras frases, textos, apresentações em power point, videos e os mais diversos e criativos e-mails com a Teoria da Felicidade. São e-mails dizendo quais os segredos para se ter uma vida feliz, saudável, como encontrar a pessoa amada, como segurar a pessoa amada, como manter os amigos próximos, como perdoar. Estes e-mails mostram a você o quanto sua vida é bela, e dão exemplos de vidas infelizes para você comparar com a sua.

Antes eu lia todos estes e-mails, hoje eu filtro por assuntos mais interessantes e quando alguém manda só para mim, sem outros e-mails no remetente.

Mas essa teoria é falha, tudo que está escrito é bonito, coerente, e quase todo mundo concorda. Mas muitos destes e-mails estão rodando por aí a quanto tempo? Pelo menos 1 década, que é o tempo que acesso e-mail frequentemente. Estes e-mails já deram a volta no mundo mais vezes que o Lula. Se eles realmente funcionassem hoje teríamos uma sociedade mais amável, mais coerente, menos violenta, sem pessoas carentes, sem pessoas isoladas, sem grupinhos, enfim, uma sociedade linda.

Mas não funciona, as mensagens são lindas e blah blah blah, mas enquanto as pessoas não começarem com uma atitude, começarem a reagir, a fazer o que se propoem a fazer, de nada adiantará ficar encaminhando milhares destes power points bonitinhos.

E eu não falo só de fazer a sua parte, como aqueles "estou fazendo minha parte, blah blah blah, cada um tem que fazer a sua". A sociedade é uma rede neural altamente complexa e mergulhada no caos, se não cobrarmos os outros de fazerem sua parte, ninguém fará, não adianta você fazer a sua se não cobrar as pessoas ao seu lado.

Não basta simplesmente vibrar, você deve vibrar as unidades ao seu lado e forçar elas a vibrarem outras...

Bem, se você chegou até este ponto do texto vai perceber que todo ele só é mais uma Teoria da Felicidade tentando argumentar e falar mais um pouco de como as coisas deveriam ser. Neste momento este texto se auto-explode porque critíca a si mesmo, entrando em contradição ele some em uma fumaça branca de insight.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Número 3

Se existe algo que me deixe estranhamente atraído são números... sim números. Tudo no universo tem uma equação matemática que explica ou complica cada coisa.

Talvez se existe uma equação que me explique seria:  

8 = ((-1) * 3) U 3

Teóricamente impossível? Sim. Na verdade é impossível, mas este sou eu. Eu me enquadro nesta equação sendo o número 3. Sim, o número 3 mesmo, não é engano. Sempre que você ver um número 3 por aí caminhando poder ser eu.

"O três é o número natural que segue o dois e precede o quatro. O 3 é o segundo número primo e o primeiro número primo ímpar. Para além disso, o 3 é o primeiro número primo de Fermat (n = 0), e o número primo de Fermat seguinte é o 5. É o segundo número primo de Sophie Germain e o segundo número triangular." (by Wikipedia)


Na verdade quando me defino como número três é pelo que ele significa para mim. Por muito tempo o número que menos gostei foi o número 3 e o número que sempre gostei foi o 8. Com o tempo o 8 foi ganhando significado simbólico, ele se tornou um número de sorte, 8, 18, 28, 88 e assim por diante. Ele se tornou o simbolo do infinito quando deitou-se na minha frente, assim ele se tornou meu universo.


Então certo dia divagando sobre o número que as pessoas consideram número do azar, senti uma certa afinidade por ele, o número 13 me tocou, e então comecei a segui-lo. Eu tinha um novo interesse, e contrário a todos agora o número 13 era meu número da sorte. Ainda gostava do número 8, mas comecei a perseguir o número 13.



Mas eu não parei por aí, logo depois assisti o filme Número 23, e o número 3 me trouxe uma nova visão. Foi então que percebi que não eram os número 13 ou 23 e sim só o número 3. Ele que eu não gostava na infância era parte de mim, e eu não gostava do número 3 porque eu não me aceitava de verdade. E vi que o número 3 era parte do meu número 8.

O número 8 é formado por dois números 3, um de frente para o outro, e um destes número 3 sou eu esperando que a vida me traga o meu par, me complete, não numericamente, mas simbolicamente, que traga o amor da minha vida para que assim eu possa completar meu universo.

Demorei muito tempo para entender a minha vida e o que eu buscava nela, hoje em dia as coisas são nítidas, mas ainda com um futuro incerto, aprendi a esperar e a observar calmamente as pessoas que atravessam meu caminho. Hoje sou número 3, mas sei que um dai encontrarei meu par e seremos eternos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Meia-noite no jardim do bem e do mal

(Título do post inspirado em filme do mesmo nome.)

Se você não leu a primeira parte desta história, clique aqui e leia "Cinza".

E a jornada continuava em busca daqueles olhos que encantaram um pobre sonhador que nada mais fazia a não ser cuidar de seu próprio mundo.

Por muitas noites ele vagou, de sonho em sonho, entre devaneios e pesadelos. Era tão obstinado que ia dormir antes do sol se por, e acordava já no meio da manha, quando o sol estava lá em cima, bem no alto.

Foi perdendo seus dias, perdendo a noção do real e imaginário, da lucidez e do sonho. Sua barba e cabelos cresceram. Seu rosto já era irreconhecível. Sentiasse fraco demais para para levantar-se da cama. Começava a falar sozinho durante o dia em seu apartamento de 1 cômodo. A luz já não adentrava mais a janela.

Obsecado pela mulher de azul, estava trocando cada dia mais a vida real pelo mundo dos sonhos, até que um dia ele não acordou. O sino já badalava 12 vezes e o sol culminava no céu, mas ele não acordou.

Estava preso e não sabia aonde. Não entendia como tinha chegado até alí, e não sabia como voltar. Seu corpo e suas roupas ainda eram cinzas, mas como cada um sonha de um modo diferente, ele estava em um jardim verde escuro, a lua estava lá em cima no céu, aquela que foi sempre sua companheira durante todas estas andanças, mas hoje as nuves encobriam sua luz.

Não conseguia entender, durante todo este tempo foi capaz de vagar entre os sonhos de cada ser vivo neste mundo, invadiu cada pensamento, cada mente adormecida, atravessou cada um que estivesse sonhando. Mas agora se encontrava em um jardim escuro com um poço, daqueles bem bucólicos, no meio e 6 bancos bancos rodeando esse poço.

Ao sul um portão alto em forma de arco e com três gárgulas mal encarados olhando para fora do jardim. Ao norte um portão alto e retangular com três querubins, 2 armados com arco e flexa e o do meio segurando uma espada apontada para o poço.

Mas não importava quão assustadores fossem as imagens, ambos os portões estavam trancados e a volta toda havia uma cerca que impedia a entrada ou saida de alguém.

De repente um sino começou a tocar e após a décima segunda badalada um vento forte começou a soprar, a lua deixou de ser tímida e resolveu se mostrar.

E com a luz da lua aquele jardim escuro se mostrou mais aterrorizante. As sombras formadas pelas arvores pareciam almas torturadas. E com um rangido forte o portão ao norte se abriu dada a força do vento.

Assustado ele olhou em direção ao portão e viu que o vento ainda acompanhava aquela mulher de vestido azul, ela caminhava em sua direção com um ar triste. Ele tinha certeza agora que ela deveria ser uma bruxa ou uma feiticeira.

Ela contornou o poço, caminhou em direção a ele.
- O que está fazendo aqui? - Ela perguntou olhando com um grande pesar em seus olhos.
Neste momento ele sentiu o peso de sua jornada.
- Estive atrás de você desde o dia em que te vi, me apaixonei por teus olhos, não pude evitar.
- Este é o meu mundo, o mundo de onde vim, mas aqui não é um mundo de sonhos como o seu. Atrás de você, ao sul, todos os mundos antes deste são de sonhos, atrás de mim, ao norte, é para onde vão as almas que já não sonham mais, e sua jornada na terra acabou, elas tomam aquele caminho para serem julgadas e tomarem um novo rumo.
- Você quer dizer então que estou morto?
- Não, eu quero dizer que você está no lugar errado, vou deixa-lo partir pelo portão ao sul, mas você não deve voltar aqui até chegar a hora em que você for chamado.
- Mas eu não quero voltar eu vim até aqui para ficar com você, para ficar ao teu lado, não importa como.
- Ninguém pode ficar aqui comigo, ou você toma o caminho ao norte, ou você segue para o sul, neste jardim só eu permaneço.

Neste momento um vento forte voltou a soprar do portão norte, tão forte que começou a arrasta-lo em direção ao portão sul. Ele havia entendi o recado e sabia que não poderia ficar lá. O vento ficava cada vez mais forte e o jogou contra o portão sul. O gárgula olhou para tras, viu o homem prensado contra o portão e o abriu, e o vento continuou a arrasta-lo através dos vários mundos de sonhos até cair em si, deitado na cama de seu apartamento, ensopado de suor.

Ela ficou lá, olhando para ele enquanto se afastava quicando pelo chão cheio de terra e folhas. Sabia que se alguém neste universo fosse amá-la, este alguém seria ele e só ele, e neste mesmo momento ela percebeu que o amava, e por isso que ao observa-lo em seu mundo havia se perdido do caminho daquela vez.

Ele, ao acordar em seu apartamento, estava desorientado, mas resolveu seguir adiante, levantou-se, tomou um banho, fez a barba, e iria seguir sua vida com a mesma vontade de viver que tinha antes de conhece-la. Pois ele sabia que quando chegasse a hora certa ele teria que atravessar aquele jardim novamente, e então ele teria outra oportunidade de encontra-la.

Cinza

No meio de um sonho monocromáitco, caminhando por entre a selva, sinto algo me vigiando... e cada passo que dou sinto seus olhos em minha nuca, sinto seus passos seguindo os meus.

Procuro, me viro, olho, e não vejo nada, sempre parece que estou sozinho, mas aqueles olhos me perseguem. Tudo o que vejo é a paisagem cinza.

Então percebo algo azul entre as folhagens, me assusto e corro, corro o mais rápido que posso, mas uma sensação que não irei escapar suga minhas forças, como pode algo colorido em meu mundo de sonhos?

Me abaixo esgotado, ofegante, vejo uma clareira iluminada pela lua. Corro para o meio da clareia e fico dando voltas procurando o que me persegue. Mas a luz da lua cheia ofusca minha visão.

Novamente os arbustos se mexem, assusta num salto viro em sua direção, e lá está aquele borrão azul vivo, destoando de todo meu mundo.

O vento que vem de sua direção sopra cada vez mais forte e o medo me deixa petrificado, não consigo mover um só musculo, e todos eles doem de tanto se contrairem.

De repente surgem olhos curiosos de tras de uma arvore, olhos doces e curiosos, e uma mulher com um vestido rodado começa a caminhar em minha direção.

Ela é tão branca que parece um fantasma, mas qual fantasma teria tamanha beleza? A cada passo que dá em minha direção o vento aumenta, e seus cabelos castanho quase avermelhado formam desenhos no ar. Já não sinto mais medo, porém percebo que seus olhos não são mais de curiosidade, são olhos perdidos.

Ela chega a mim e pergunta.
- Onde estou?
- Em meus sonhos. - Eu respondo com dificuldade por conta do vento.
- Eu deveria estar em meus sonhos, não nos teus.
- O vento, você pode parar o vento? - E com um suspiro profundo ela acalma os espíritos da floresta, da minha floresta.
- Eu estou perdida, não sei como vim parar aqui, ou porque vim parar aqui. Você sabe quem sou eu ou como voltar para meu lugar?

Eu realmente não sabia quem ela era, nunca havia visto aqueles olhos, aqueles lábios, aquele rosto em minha vida. Mas como ela podia entrar em meus sonhos e controlar tudo que havia nele? Eu não sabia o que dizer a ela.

- Eu preciso voltar ao meu sonho, mas não sei como cheguei até aqui, e não sei como sair, você pode me dizer como eu posso voltar?

Já sem saber mais o que fazer, e encantado por aquele anjo eu falei a coisa mais estúpida que eu poderia ter dito

- Siga em direção ao norte, você encontrará uma estrada de asfalto, nela pegue a direita e siga em frente, você encontrará o limite dos meus sonhos nessa direção.

Ela agradeceu e se foi, e no meio do cinza de meus sonhos eu vi aquele vulto azul desaparecer. Quando parei de senti-la em meu mundo tive a certeza que ela não estava mais lá, então senti um vazio dentro de mim que chegava a me machucar. Deitei olhando a lua percebendo que estive diante do amor de minha vida, e não a reconheci.

Hoje me pergunto se ela conseguiu encontrar o mundo de onde veio. Ou se está perdida por aí, vagando de mundo em mundo, de sonho em sonho, procurando ainda o seu lugar neste universo.

Por um tempo esperei que ela voltasse, depois desisti, não só de esperá-la, mas também de sonhar. Hoje percebo que tenho que correr atras dela, pois sem ela minha vida não tem sentido, e meus sonhos são vazios demais.

Então, toda noite me preparo para mais uma jornada, vagando de sonho em sonho, de mundo em mundo, esperando encontrá-la, esperando achar o mundo dela, ou encontrá-la no mundo de alguém, ainda perdida.

Não tenho certeza se ela realmente é meu grande amor, mas são poucas as certezas que este universo nos oferece, temos que lutar por algo, lutar por aquilo que parece ser certo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Miragem

As vezes fico tão próximo de você que parece que posso tocar teu coração, e enquanto olho nos teus olhos gostaria de sussurrar no teu ouvido tudo aquilo que guardo para mim todo este tempo.

Então você sorri e eu fico sem jeito. As palavras não importam quando as mãos estão atadas. Quando penso em te tocar a imagem some no ar, como se eu tocasse uma miragem.

E sempre foi assim, você perto, e você longe de mim. Sempre em meu pensamento, desde o primento momento.

As rimas escapam de meus dedos como se eu não soubesse mais o que está havendo. Embora sei bem como você mexe comigo, como você sempre mexeu.

E assim eu sigo, com meu corpo parado, olhando o infinito. Enquanto minha'lma caminha neste deserto perdido entre as muitas miragens de você.

E eu sei, que entre tantas alucinações, você é alguma delas, mas nunca saberei até conseguir tocar o teu rosto e assim, beijar a tua boca.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Qual o tamanho do teu sonho?

Ano novo? Sim. Vida nova? Não.

Todo começo de ano é assim, a promessa de uma vida nova. Mas não acho justo que se deixe de lado tudo que se viveu para iniciar uma vida nova. Que o começo do ano é o inicio de uma nova era, ninguém iria discordar, mas também é a continuação de uma longa caminhada.

Acho que estamos em uma boa época para colocar em prática nossos sonhos, tentar iniciar a jornada para atingir metas. Hoje eu tenho duas opções continuar a viver exatamente como estava vivendo até dia 31/12/2009 ou dar o primeiro passo para minha metas, para os meus sonhos.

É fato que se não fizermos nada, absolutamente nada de diferente irá acontecer, então está na hora de começarmos a nos mexer.

Bem, de 2009 eu levo algumas lições:

A luz não existiria se não fosse a escuridão, assim não existiriam pesssoas boas se não fossem as pessoas más... Quase tudo na vida tem dois lados, e temos que ter em nós um pouco de cada um desses lados para que possamos viver em um equilibrio, e saber distinguir um lado do outro, o certo do errado.
A minha grande verdade de hoje pode ser minha grande mentira de amanha. As coisas mudam e temos que aceitar essas mudanças, porque lutar contra elas as vezes só causa mais dor.

Promessas de ano novo? Sim, mas estas eu guardo só para mim.