Projeto Marco ZERO

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Som da Estação

Cada vez que a estação do ano muda eu me sinto estranho. Não sei como explicar, parece que como um animal sente a mudança da lua ou a chegada da chuva eu sinto a mudança da estação. Inverno, Primavera, Verão e Outono. O meio destas estações costuma ser sóbrio, chato, entediante. Mas a mudança, é como se a cada mudança a cor da minha alma também mudasse...

Inverno cinza (clichê? sim, mas em fim eu gosto de cinza também), Verão laranja, Primavera lilas, e Outono, ah! o Outono, poucos sabem, mas como aprecio o Outono, a estação da mudança, onde as arvores trocam de folhas, e despidas tocando o céu com seus galhos pontiagudos e secos. Talvez o Outono seja o branco para mim, o neutro, o momento do ano paro para pensar na vida, e me da folego para enfrentar as outras 3 estações geralmente tão turbulentas.

Fora o Outono, as outras estações são chatas, mas não suas transições, quando uma estação está no fim, no ultimo folego de vida que tem no ano, e a outra está nascendo, radiando uma nova essência, eu escuto um som. Um som tocando dentro de mim, parte dele triste por deixar a velha estação agonizante em seu ultimo suspiro de vida, e a outra parte anunciando com trombetas a nova estação que está por vir.

Acho que Vivaldi, assim como eu, também ouvia este som. Na verdade como toda alma única, ele ouvia o som que sua alma ressoava, diferente do som que eu escuto, mas não deixou a desejar quando compôs os concertos Le quattro stagioni (Primavera, Verão, Outono e Inverno).

[pausa para ouvir as quatros estações]
A estação de Vivaldi que me deixa mais atormentado é o Inverno, lembrando que atormentado é bom. O Inverno é uma estação particulamente agradável para mim, pois o frio me permite ao mesmo tempo me fechar em mim, gerando uma solidão que me conforta, e me aproximar de outras pessoas para me aquecer, quando a alma sente necessidade de calor.

Da Primavera que me persegue hoje, ela traz consigo o som da prosperidade, não sei porque, mas todo começo de Primavera eu tenho a sensação de que tudo dará certo. Embora nem sempre seja assim.

Enfim sobrou o Verão, que parece que de tão quente faz com que todos se desfaçam de seus trajes e delierem a ponto de dançar funk até no meio da rua. Um religioso poderia dizer que é a estação da perdição, dada à tanta gente com pouca roupa andando pela rua. Eu chamo de estação da libertação, pelo menos para o Brasil, pois é uma época do ano que parece que vemos todos mais felizes, e assim vai fim de ano, começo de ano, e o trabalho de verdade começa só depois do carnaval. Por isso digo nesta época: enjoy, carpe diem, seize the day, e foda-se a opinião de terceiros, não são eles que pagam suas contas.

PS.: sigam-me os bons no Twitter.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"Não Praticante"

Há muito tempo atrás eu escrevi um post também chamado "Não Praticante", mas infelizmente eu o perdi, cheguei a publicar, mas não sei onde está. Então vamos nós de novo, já que a idéia ainda é boa e fresca.

Acho que hoje em dia a maioria dos que se dizem não praticantes ainda são católicos, mas eu sei que existem muitos de várias religiões que tem pessoas que se dizem não praticantes.

Na minha idéia a pessoa que se diz não praticante na verdade tem medo de admitir que não tem religião, que não pertence à alguma seita ou culto que o levará ao céu, ou ao paraíso. Ou o que custa dizer sou cristão, mas não católico.

A idéia do não praticante é aquela que diz "não faço absolutamente nada do que devo fazer, mas irei para o céu como todos os outros".

Sabe, há algum tempo atras, o próprio Papa, representante direto de Deus, de acordo com ele mesmo, rs, disse: Se você não concorda com o que digo e com o que diz a igreja Católica Apostólica Romana então você não é um católico, isto não é uma democracia, isto é a Igreja.

E sabem, no fundo ele tem razão, foram criadas regras para serem seguidas para você levar o título de católico. Diferente de um cristão que para receber este título basta simplesmente acreditar em Jesus Cristo e tentar seguir seus ensinamentos projetados na bíblia.

Indo mais a fundo no conceito do não praticante, uma pessoa é católica não praticante porque quer ser, porque duas ou três vezes ao ano vai à igreja, recebe o sacramento, reza um pai-nosso, comparece à um casamento, foi batizado, crismado, etc. Assim, ele faz algumas pequenas coisas e se diz católico não praticante.

Agora eu pergunto. E os 10 mandamentos? Respeita? Guardar os domingos e ir à igreja todos eles? Vai? Ler a bíblia, amar o próximo, dar a outra face a tapa, doar-se? Faz? Provalvemente faz no máximo metade de tudo isso, o não praticante.

Assim nesse conceito chulo, hoje tenho orgulho de dizer que sou um médico não praticante. Veja, um clínico geral por exemplo, dentre outras coisas ele receita alguns medicamentos e encaminha os pacientes à outros médicos. Ora se alguém aparece com dor de barriga, de cabeça, com algum machucado eu também receito aspirina, buscopan, falo para a pessoa ir à um ortopedista. Assim, fazendo pouco mais de 2% do que um médico faz acho que já é o suficiente para me tornar um não praticante, não!? Posso usar jaleco já?

Do mesmo jeito, um cara que joga futebol nos fins de semana poderia ocupar o banco de reservas da seleção brasileira. Ora ele é um jogador profissional não praticante. Quem sabe alguém lhe de milhões por isso. Ora por que não? Um católico não praticante não acha que tem o direito ao paraíso assim como todos os outros que se esforçam? E o paraíso não é um prêmio melhor que vários milhões? Bem, eu acho.

Eu poderia citar milhares de exemplos de pessoas que se esforçam para se tornar uma coisa e ter um título e um valor, mas no fundo eu quero dizer que o não praticante rebaixa aquele que se esforça para ser de determinada religião. Aquele que segue cada rito, cada mandamento, que detem conhecimento e que se priva de certas coisas para obedecer as regras impostas pela religão, já que a mesma não é uma democracia.

Como eu falei, você tem opções de se classificar, para os católicos não praticantes temos o cristianismo, o cristão, que é aquele que acredita em Jesus Cristo e em seus ensinamentos, mas não necessáriamente este fiel obedece todas as leis da igreja Católia Apostólica Romana, ou de qualquer outra igreja cristã.

Enfim, um dia cheguei para a minha mãe, em uma de nossas conversas, e disse "mas mãe, eu não não sou católico". A bronca já começou a ressoar, quando expliquei à ela tudo isso, e ela entendeu.

Espero que vocês entendam o ponto de vista de um bom cristão.

Obs.: perceba que aqui falei apenas de religião e não de Deus, embora estejam ligados, isto é mais uma questão mundana que espiritual.